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Estudo dos efeitos da terapêutica antirretroviral na função renal e sua relação no desenvolvimento de insuficiência renal em doentes com infecção por vírus da imunodeficiência humana

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A introdução na prática clínica de fármacos antivirais cada vez mais potentes e eficazes, como sucede no tratamento da infecção por vírus da imunodeficiência humana, tem conduzido ao aumento da incidência de nefrotoxicidade relacionada com estes fármacos. Material e métodos: No presente estudo retrospectivo foram analisados os processos clínicos de indivíduos adultos com infecção crónica por VIH-1 e seguidos em consulta no Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Santa Maria, entre 1985 até 2012, de modo a abranger o período pré-HAART (highly active antiretroviral therapy) e HAART e sem diagnóstico prévio de insuficiência renal. O objectivo do estudo foi o de caracterizar a função renal desta população e analisar os factores de risco nos doentes a fazer terapêutica antirretroviral, particularmente, antes e após a introdução de tenofovir disoproxil fumarato (TDF), utilizando os marcadores ureia, creatinina, cistatina C e a taxa de filtração glomerular estimada (eTFG). Resultados: Foram analisados 89 processos clínicos, dos quais 70 eram do género masculino, com média de idades total a variar entre os 28,90 anos e os 83,30 anos, sendo que apenas sete doentes eram de raça negra. A principal via de transmissão foi a sexual (n=66) seguida pela partilha de materiais usados na administração endovenosa de drogas (n=11). O tempo de infecção, à data da consulta do processo clínico, variou entre os 6,90 anos e os 27,00 anos, sendo o tempo médio 18,10±4,84 anos. A taxa de filtração glomerular estimada revelou que, antes e após a toma de TDF, a maioria dos doentes apresentou valores dentro da normalidade: 93,2% antes da toma de TDF e 93,1% após a inclusão deste fármaco no esquema terapêutico, obtendo-se resultados idênticos do doseamento da cistatina C. Conclusões: Não se obteve evidência estatística de que a taxa de filtração glomerular estimada fosse afectada pelo género, peso, raça ou via de transmissão da infecção, bem como com o tempo de diagnóstico e número de comorbilidades associadas, estando os doentes medicados ou não com TDF. Como esperado, a eTFG apresentou correlação estatisticamente significativa com a idade dos doentes. Após a toma do fármaco TDF, verificou-se um incremento nos valores de linfócitos T CD4+ e uma diminuição significativa da carga viral. O TDF mostrou-se ser um fármaco com perfil renal seguro.
Autores principais:Simões, Ana Maria Torres, 1976-
Assunto:Vírus da imunodeficiência Terapêutica antirretroviral Tenofovir Disoproxil fumarato (TDF) Função renal Taxa de filtração glomerular estimada Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A introdução na prática clínica de fármacos antivirais cada vez mais potentes e eficazes, como sucede no tratamento da infecção por vírus da imunodeficiência humana, tem conduzido ao aumento da incidência de nefrotoxicidade relacionada com estes fármacos. Material e métodos: No presente estudo retrospectivo foram analisados os processos clínicos de indivíduos adultos com infecção crónica por VIH-1 e seguidos em consulta no Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Santa Maria, entre 1985 até 2012, de modo a abranger o período pré-HAART (highly active antiretroviral therapy) e HAART e sem diagnóstico prévio de insuficiência renal. O objectivo do estudo foi o de caracterizar a função renal desta população e analisar os factores de risco nos doentes a fazer terapêutica antirretroviral, particularmente, antes e após a introdução de tenofovir disoproxil fumarato (TDF), utilizando os marcadores ureia, creatinina, cistatina C e a taxa de filtração glomerular estimada (eTFG). Resultados: Foram analisados 89 processos clínicos, dos quais 70 eram do género masculino, com média de idades total a variar entre os 28,90 anos e os 83,30 anos, sendo que apenas sete doentes eram de raça negra. A principal via de transmissão foi a sexual (n=66) seguida pela partilha de materiais usados na administração endovenosa de drogas (n=11). O tempo de infecção, à data da consulta do processo clínico, variou entre os 6,90 anos e os 27,00 anos, sendo o tempo médio 18,10±4,84 anos. A taxa de filtração glomerular estimada revelou que, antes e após a toma de TDF, a maioria dos doentes apresentou valores dentro da normalidade: 93,2% antes da toma de TDF e 93,1% após a inclusão deste fármaco no esquema terapêutico, obtendo-se resultados idênticos do doseamento da cistatina C. Conclusões: Não se obteve evidência estatística de que a taxa de filtração glomerular estimada fosse afectada pelo género, peso, raça ou via de transmissão da infecção, bem como com o tempo de diagnóstico e número de comorbilidades associadas, estando os doentes medicados ou não com TDF. Como esperado, a eTFG apresentou correlação estatisticamente significativa com a idade dos doentes. Após a toma do fármaco TDF, verificou-se um incremento nos valores de linfócitos T CD4+ e uma diminuição significativa da carga viral. O TDF mostrou-se ser um fármaco com perfil renal seguro.