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Palliative care in the emergency department : a systematic review

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Resumo:Cuidados paliativos é uma área médica especializada que se concentra no apoio a pacientes com patologias graves e suas famílias. À medida que a esperança média de vida aumenta, a necessidade de cuidados paliativos torna-se mais importante, especialmente para aqueles com patologias crónicas. No entanto, fornecer cuidados paliativos cuidados nos serviços de urgência pode ser desafiador devido a várias barreiras e complexidades. Sendo um tema em crescente importância e com grande impacto físico e psicológico nos doente e nos cuidados, é importante perceber a qualidade das estratégias que existem dentro dos cuidados paliativos no serviço de urgência. Nisto, o objetivo deste estudo foi rever sistematicamente a literatura em busca de evidências de qualidade para avaliar os resultados dos cuidados paliativos no serviço de urgência em indivíduos que receberam um diagnóstico de doença avançada (como Cancro, Doença Pulmonar Obstrutiva, Insuficiência cardíaca, etc.), incluindo os resultados relacionados à qualidade de vida, internamentos hospitalares, controlo sintomático e mortalidade. Para tal, foi realizada uma pesquisa na base de dados Cochrane, PUBMED, Web- Of-Science e Scopus por artigos publicados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2021, tendo sido incluídos estudos clínicos em humanos com idade superior aos 18 anos, género ou raça, diagnosticados com doenças ameaçadoras de vida ou doenças crónicas, que compararam a integração de cuidados paliativos com a terapêutica padrão. Os outcomes escolhidos foram: qualidade de vida (QV), internamentos hospitalares, controlo sintomático e mortalidade. Os estudos tinham um grupo de controlo (cuidados usuais) e avaliaram o impacto/eficiência das intervenções através de escalas certificadas de qualidade de vida e bem-estar, escalas de avaliação sintomática e sobrevivência. Os estudos incluídos usaram escalas de avaliação, como a “Function Assessment of Cancer Therapy-General Measure”, a “Patient Health Questionnaire-9”, o “Decisions of Withholding or Withdrawing Treatment” e o “Physician Orders for Life-Sustaining”. A busca inclui termos de acordo com a estrutura de: (“palliative care” OR “terminal care” OR “hospice care”) AND (“emergency department” or “emergency medicine”). Os filtros de pesquisa aplicados foram: Clinical Trials, Randomized Controlled Trials, Trials, Trial, Study, Humans e ano de publicação de 2011 a 2021, inclusive. O primeiro autor reviu todos os títulos e resumos encontrados durante o processo de pesquisa. Dois revisores 4 independentes escolheram os artigos considerados potencialmente elegíveis para análise de texto completo. Os autores seguiram as indicações da “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis” (PRISMA). O protocolo de pesquisa resultou em oito estudos elegíveis para revisão e análise qualitativa: dois estudos clínicos randomizados, quatro estudos retrospetivos e dois estudos prospetivos. Devido ao pequeno número de estudos incluídos e à grande heterogeneidade entre os mesmos, não foi realizada uma meta-análise. O risco geral de viés foi avaliado através da Rob-2-Tool (Revised Cochrane risk-of-bias tool for randomized trials) e ROBINS-I (Risk of Bias In Non-randomised Studies-of Interventions); e foi considerado moderado a alto. Um total de 3203 pacientes, com idade superior aos 18 anos de idade foram incluídos nos estudos revisados. Dentro das intervenções encontradas, destacam-se métodos farmacológicos e uma equipa multidisciplinar. De acordo com os resultados dos estudos incluídos, verificou-se que, em geral, ocorreram melhorias no controle sintomática e na qualidade de vida, mas os resultados não são muito robustos. Dos oito estudos, apenas um estudo clínico demonstrou melhorias significativas na qualidade de vida e restante estudo mostraram alívio sintomático significativo. Estas melhorias ocorreram apenas em domínios específicos da qualidade de vida e em sintomas específicos. A sobrevivência não aumentou significativamente em nenhum dos estudos incluídos. Uma das razoes que pode justificar os resultados é o facto da intervenção dos cuidados paliativos na maior parte dos pacientes se encontravam num estado de doença muito avançada o que condicionou em altas taxas de mortalidade, tornando-se difícil para qualquer intervenção produzir resultados estatisticamente significativos. No geral, a intervenção não permitiu aumentar significativamente a taxa de sobrevivência, nem impedir a mortalidade, mas considera-se que qualquer melhoria na qualidade de vida ou no controlo sintomático, como náuseas, vómitos e dispneia, são sempre relevantes em paciente com cancro avançado. Considerando os resultados dos estudos e a revisão da literatura, percebeu-se que: i) a intervenção precoce dos cuidados paliativos, e eventualmente uma equipe multidisciplinar, no serviço de emergência leva a uma melhoria significativa da qualidade de vida, Grudzen et al., 2016, e pode verificar impacto positivo económico. Além disso, Vranas et al., 2020 e outros estudos relataram uma redução no tempo de internamento 5 hospitalar e na utilização de cuidados intensivos mas, por outro lado, não encontraram diferenca significativa na admissão hospitalar ou na admissão em cuidados intensivos associada aos cuidados paliativos no serviço de urgência; ii) variabilidade de intervenções entre os estudos provavelmente contribui para a associação flutuante entre as intervenções de cuidados paliativos no departamento de emergência e a utilização subsequente dos serviços de saúde; iii) Certos outcomes como qualidade de vida podem ser influenciáveis por fatores externos como, por exemplo, disponibilidade de camas para cuidados paliativos, Chan et al., 2021.; iv) em relação ao controlo sintomático deve-se evitar futilidade terapêutica, Peralta et al., 2022, e com ajuda de ferramentas, como exemplificada no POLST, que podem trazer benefício, Vranas et al., 2020, no contexto de admissões nos cuidados intensivos e limitação no tempo de internamento hospitalar; v) importante desenvolver ferramentas, SPICT-DE, que possam ajudar na triagem destes pacientes e melhor adequação no tratamento e planeamento avançado dos cuidados paliativos; vi) vários estudos realçam a importância da educação dos profissionais de saúde e médicos internos em relação aos cuidados paliativos de modo a melhorar, principalmente a comunicação, bem como a documentação e coordenação dos cuidados de forma a otimizar a ponte entre médico-paciente-familiares e na prestação de cuidados paliativos no serviço de urgência. Algumas das limitações identificadas nos estudos incluídos foram: maioria dos estudos foram realizados nos Estados Unidos ou na Europa, principalmente em centros académicos, o que limita a generalização dos resultados, heterogeneidade dos estudos, o que impediu uma comparação adequada entre as intervenções e os resultados. Por outro lado, a disponibilidade limitada de especialistas em cuidados paliativos no serviço de urgência dificulta a implementação das intervenções, e recursos insuficiente, incluindo equipe e treino representam barreiras significativas para a integração efetiva dos cuidados paliativos. Estes achados mostram que são necessários estudos de maior qualidade, com amostras populacionais maiores, e vários centros hospitalares, explorar estratégias para superar as barreiras na implementação de cuidados paliativos no serviço de urgência, isto pode envolver a promoção da colaboração interdisciplinar e o desenvolvimento de programas de treino para internos e médicos especialistas do departamento de emergência. Além disso, é crucial investigar os resultados a longo prazo das intervenções 6 de cuidados paliativos, incluindo a utilização dos serviços de saúde, experiências do paciente e da família e custo-efetividade, por meio de estudos prospetivos rigorosos e avaliações económicas. Em suma, esta revisão sistemática da literatura demonstrou a importância dos cuidados paliativos no serviço de urgência para paciente com doenças avançadas ou limitadoras de vida considerando a carga de doenças neste contexto. Adicionalmente, demonstraram que os cuidados paliativos melhoram significativamente a qualidade de vida e visitas ao serviço de urgência quando comparados com a terapêutica padrão. Porém, o mesmo já não acontece com a sobrevivência. No entanto, continuam a ser necessários estudo sobre intervenções de cuidados paliativos no serviço de urgência com desenhos rigoroso. De relembrar que o objetivo principal das intervenções de cuidados paliativos é melhorar a sintonia entre os valores e preferências do paciente e os cuidados prestados, mesmo que os pacientes desejem terapias que aumentem a utilização dos serviços de saúde.
Autores principais:Samson, Mirinelde Francisca Aurora
Assunto:Medicina de emergência Serviço de emergência hospitalar Mortalidade hospitalar Qualidade de vida Admissão de pacientes Cuidados paliativos
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Cuidados paliativos é uma área médica especializada que se concentra no apoio a pacientes com patologias graves e suas famílias. À medida que a esperança média de vida aumenta, a necessidade de cuidados paliativos torna-se mais importante, especialmente para aqueles com patologias crónicas. No entanto, fornecer cuidados paliativos cuidados nos serviços de urgência pode ser desafiador devido a várias barreiras e complexidades. Sendo um tema em crescente importância e com grande impacto físico e psicológico nos doente e nos cuidados, é importante perceber a qualidade das estratégias que existem dentro dos cuidados paliativos no serviço de urgência. Nisto, o objetivo deste estudo foi rever sistematicamente a literatura em busca de evidências de qualidade para avaliar os resultados dos cuidados paliativos no serviço de urgência em indivíduos que receberam um diagnóstico de doença avançada (como Cancro, Doença Pulmonar Obstrutiva, Insuficiência cardíaca, etc.), incluindo os resultados relacionados à qualidade de vida, internamentos hospitalares, controlo sintomático e mortalidade. Para tal, foi realizada uma pesquisa na base de dados Cochrane, PUBMED, Web- Of-Science e Scopus por artigos publicados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2021, tendo sido incluídos estudos clínicos em humanos com idade superior aos 18 anos, género ou raça, diagnosticados com doenças ameaçadoras de vida ou doenças crónicas, que compararam a integração de cuidados paliativos com a terapêutica padrão. Os outcomes escolhidos foram: qualidade de vida (QV), internamentos hospitalares, controlo sintomático e mortalidade. Os estudos tinham um grupo de controlo (cuidados usuais) e avaliaram o impacto/eficiência das intervenções através de escalas certificadas de qualidade de vida e bem-estar, escalas de avaliação sintomática e sobrevivência. Os estudos incluídos usaram escalas de avaliação, como a “Function Assessment of Cancer Therapy-General Measure”, a “Patient Health Questionnaire-9”, o “Decisions of Withholding or Withdrawing Treatment” e o “Physician Orders for Life-Sustaining”. A busca inclui termos de acordo com a estrutura de: (“palliative care” OR “terminal care” OR “hospice care”) AND (“emergency department” or “emergency medicine”). Os filtros de pesquisa aplicados foram: Clinical Trials, Randomized Controlled Trials, Trials, Trial, Study, Humans e ano de publicação de 2011 a 2021, inclusive. O primeiro autor reviu todos os títulos e resumos encontrados durante o processo de pesquisa. Dois revisores 4 independentes escolheram os artigos considerados potencialmente elegíveis para análise de texto completo. Os autores seguiram as indicações da “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis” (PRISMA). O protocolo de pesquisa resultou em oito estudos elegíveis para revisão e análise qualitativa: dois estudos clínicos randomizados, quatro estudos retrospetivos e dois estudos prospetivos. Devido ao pequeno número de estudos incluídos e à grande heterogeneidade entre os mesmos, não foi realizada uma meta-análise. O risco geral de viés foi avaliado através da Rob-2-Tool (Revised Cochrane risk-of-bias tool for randomized trials) e ROBINS-I (Risk of Bias In Non-randomised Studies-of Interventions); e foi considerado moderado a alto. Um total de 3203 pacientes, com idade superior aos 18 anos de idade foram incluídos nos estudos revisados. Dentro das intervenções encontradas, destacam-se métodos farmacológicos e uma equipa multidisciplinar. De acordo com os resultados dos estudos incluídos, verificou-se que, em geral, ocorreram melhorias no controle sintomática e na qualidade de vida, mas os resultados não são muito robustos. Dos oito estudos, apenas um estudo clínico demonstrou melhorias significativas na qualidade de vida e restante estudo mostraram alívio sintomático significativo. Estas melhorias ocorreram apenas em domínios específicos da qualidade de vida e em sintomas específicos. A sobrevivência não aumentou significativamente em nenhum dos estudos incluídos. Uma das razoes que pode justificar os resultados é o facto da intervenção dos cuidados paliativos na maior parte dos pacientes se encontravam num estado de doença muito avançada o que condicionou em altas taxas de mortalidade, tornando-se difícil para qualquer intervenção produzir resultados estatisticamente significativos. No geral, a intervenção não permitiu aumentar significativamente a taxa de sobrevivência, nem impedir a mortalidade, mas considera-se que qualquer melhoria na qualidade de vida ou no controlo sintomático, como náuseas, vómitos e dispneia, são sempre relevantes em paciente com cancro avançado. Considerando os resultados dos estudos e a revisão da literatura, percebeu-se que: i) a intervenção precoce dos cuidados paliativos, e eventualmente uma equipe multidisciplinar, no serviço de emergência leva a uma melhoria significativa da qualidade de vida, Grudzen et al., 2016, e pode verificar impacto positivo económico. Além disso, Vranas et al., 2020 e outros estudos relataram uma redução no tempo de internamento 5 hospitalar e na utilização de cuidados intensivos mas, por outro lado, não encontraram diferenca significativa na admissão hospitalar ou na admissão em cuidados intensivos associada aos cuidados paliativos no serviço de urgência; ii) variabilidade de intervenções entre os estudos provavelmente contribui para a associação flutuante entre as intervenções de cuidados paliativos no departamento de emergência e a utilização subsequente dos serviços de saúde; iii) Certos outcomes como qualidade de vida podem ser influenciáveis por fatores externos como, por exemplo, disponibilidade de camas para cuidados paliativos, Chan et al., 2021.; iv) em relação ao controlo sintomático deve-se evitar futilidade terapêutica, Peralta et al., 2022, e com ajuda de ferramentas, como exemplificada no POLST, que podem trazer benefício, Vranas et al., 2020, no contexto de admissões nos cuidados intensivos e limitação no tempo de internamento hospitalar; v) importante desenvolver ferramentas, SPICT-DE, que possam ajudar na triagem destes pacientes e melhor adequação no tratamento e planeamento avançado dos cuidados paliativos; vi) vários estudos realçam a importância da educação dos profissionais de saúde e médicos internos em relação aos cuidados paliativos de modo a melhorar, principalmente a comunicação, bem como a documentação e coordenação dos cuidados de forma a otimizar a ponte entre médico-paciente-familiares e na prestação de cuidados paliativos no serviço de urgência. Algumas das limitações identificadas nos estudos incluídos foram: maioria dos estudos foram realizados nos Estados Unidos ou na Europa, principalmente em centros académicos, o que limita a generalização dos resultados, heterogeneidade dos estudos, o que impediu uma comparação adequada entre as intervenções e os resultados. Por outro lado, a disponibilidade limitada de especialistas em cuidados paliativos no serviço de urgência dificulta a implementação das intervenções, e recursos insuficiente, incluindo equipe e treino representam barreiras significativas para a integração efetiva dos cuidados paliativos. Estes achados mostram que são necessários estudos de maior qualidade, com amostras populacionais maiores, e vários centros hospitalares, explorar estratégias para superar as barreiras na implementação de cuidados paliativos no serviço de urgência, isto pode envolver a promoção da colaboração interdisciplinar e o desenvolvimento de programas de treino para internos e médicos especialistas do departamento de emergência. Além disso, é crucial investigar os resultados a longo prazo das intervenções 6 de cuidados paliativos, incluindo a utilização dos serviços de saúde, experiências do paciente e da família e custo-efetividade, por meio de estudos prospetivos rigorosos e avaliações económicas. Em suma, esta revisão sistemática da literatura demonstrou a importância dos cuidados paliativos no serviço de urgência para paciente com doenças avançadas ou limitadoras de vida considerando a carga de doenças neste contexto. Adicionalmente, demonstraram que os cuidados paliativos melhoram significativamente a qualidade de vida e visitas ao serviço de urgência quando comparados com a terapêutica padrão. Porém, o mesmo já não acontece com a sobrevivência. No entanto, continuam a ser necessários estudo sobre intervenções de cuidados paliativos no serviço de urgência com desenhos rigoroso. De relembrar que o objetivo principal das intervenções de cuidados paliativos é melhorar a sintonia entre os valores e preferências do paciente e os cuidados prestados, mesmo que os pacientes desejem terapias que aumentem a utilização dos serviços de saúde.