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O impacto dos exames na qualidade do sono dos estudantes universitários : um estudo observacional transversal em estudantes de medicina da FMUL

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Durante alturas de maior stress a nível académico, o declínio da qualidade do sono é uma das principais queixas dos estudantes universitários, cuja etiologia é de teor multifatorial. Este trabalho tem como objetivo analisar o sono dos estudantes da FMUL durante a preparação e realização dos exames, aferindo que fatores têm um impacto relevante no sono e nas classificações dos alunos. É proposto um estudo observacional transversal aberto aos alunos do primeiro ao quinto ano, através de um inquérito online anónimo. Este inclui um instrumento validado, o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh – versão portuguesa (PSQI-PT), com autorrelato referente ao mês precedente à realização dos exames. Comparou-se a influência de certos fatores possivelmente protetores ou de agravamento da qualidade do sono, e relacionam-se com a melhor e a pior classificação dos alunos. Obtiveram-se 231 respostas. Os resultados permitiram perceber que a qualidade do sono dos alunos no mês das avaliações é insatisfatória; verificou-se uma correlação entre o score PSQI e as classificações obtidas nos exames, sendo que quanto pior a qualidade do sono, mais baixas foram as piores classificações obtidas (ρ=-0,252, p-value<0,001); igualmente, quanto pior a qualidade do sono, mais baixa foi a melhor classificação obtida (ρ=-0,137; p-value=0,037). A satisfação com a performance académica (aOR=3,229, IC 95%:1,576-6,615, p= 0,001), sonolência diurna (aOR=3,040, IC 95%:1.452-6.367, p=0,003) e horas dedicadas ao estudo (aOR=1,193, IC 95%:1,060-1,342, p=0,003) foram potenciais fatores preditores da qualidade do sono. Estudos observacionais transversais e longitudinais com maior número de indivíduos na amostra poderão melhor definir estas relações. Estratégias preventivas como redução da ansiedade e stress, melhoria da satisfação com performance académica e diagnóstico atempado da sonolência diurna podem contribuir na qualidade do sono e consequente melhor sucesso académico. As escolas médicas podem fazer prevenção primordial com políticas de pedagogia e políticas de saúde; os cuidados primários podem agir na prevenção primária de distúrbios do sono e secundária, com intervenções precoces.
Autores principais:Almeida, Daniela Filipa Palhinha
Assunto:Qualidade do sono Estudantes de medicina Sucesso académico Época de exames Índice da Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI-PT)
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Durante alturas de maior stress a nível académico, o declínio da qualidade do sono é uma das principais queixas dos estudantes universitários, cuja etiologia é de teor multifatorial. Este trabalho tem como objetivo analisar o sono dos estudantes da FMUL durante a preparação e realização dos exames, aferindo que fatores têm um impacto relevante no sono e nas classificações dos alunos. É proposto um estudo observacional transversal aberto aos alunos do primeiro ao quinto ano, através de um inquérito online anónimo. Este inclui um instrumento validado, o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh – versão portuguesa (PSQI-PT), com autorrelato referente ao mês precedente à realização dos exames. Comparou-se a influência de certos fatores possivelmente protetores ou de agravamento da qualidade do sono, e relacionam-se com a melhor e a pior classificação dos alunos. Obtiveram-se 231 respostas. Os resultados permitiram perceber que a qualidade do sono dos alunos no mês das avaliações é insatisfatória; verificou-se uma correlação entre o score PSQI e as classificações obtidas nos exames, sendo que quanto pior a qualidade do sono, mais baixas foram as piores classificações obtidas (ρ=-0,252, p-value<0,001); igualmente, quanto pior a qualidade do sono, mais baixa foi a melhor classificação obtida (ρ=-0,137; p-value=0,037). A satisfação com a performance académica (aOR=3,229, IC 95%:1,576-6,615, p= 0,001), sonolência diurna (aOR=3,040, IC 95%:1.452-6.367, p=0,003) e horas dedicadas ao estudo (aOR=1,193, IC 95%:1,060-1,342, p=0,003) foram potenciais fatores preditores da qualidade do sono. Estudos observacionais transversais e longitudinais com maior número de indivíduos na amostra poderão melhor definir estas relações. Estratégias preventivas como redução da ansiedade e stress, melhoria da satisfação com performance académica e diagnóstico atempado da sonolência diurna podem contribuir na qualidade do sono e consequente melhor sucesso académico. As escolas médicas podem fazer prevenção primordial com políticas de pedagogia e políticas de saúde; os cuidados primários podem agir na prevenção primária de distúrbios do sono e secundária, com intervenções precoces.