Publicação
Monogamish : a negociação dos limites da exclusividade em monogamias abertas
| Resumo: | Em 2011, Dan Savage introduziu o termo monogamish para descrever relações primariamente monogâmicas, ou seja, relações que assentam num compromisso emocional, que variam em diferentes tipos de contactos sexuais extradiádicos, definidos por regras específicas. Este termo é cada vez mais relevante, apesar de ser ainda escasso na literatura, razão pela qual o foco desta investigação se centra com a procura de uma definição de relações monogamish, e na compreensão do processo de o-construção do acordo dos limites da sua exclusividade, incluindo o conceito de infidelidade, no contexto destas relações. Tendo em conta esses objetivos, foram realizadas 12 entrevistas semiestruturadas, com 11 casais (8 de género diferente e 3 do mesmo género) cuja configuração relacional correspondesse ou tivesse semelhanças com a definição proporcionada pela literatura de monogamias abertas e uma entrevista com uma especialista em relações não-monogâmicas. Os dados foram analisados com recurso ao software Nvivo, através do método de análise temática. Os resultados mostram que uma relação monogamias abertas é constituída por uma díade primária, à qual os indivíduos associam expectativas de compromisso, investimento e projetam um futuro em comum. As relações extradiádicas têm um cariz maioritariamente sexual, apesar de também poderem admitir envolvimento emocional, e são experiências que podem ocorrer em conjunto e em separado. Estas ocorrem segundo regras co-construídas pelo casal, divididas em 3 grupos: regras para garantir a priorização da relação primária, regras para definir os termos das experiências extradiádicas e regras para os parceires extradiádicos. A definição de infidelidade remete para a transgressão das regras co-construídas entre o casal primário, quer sejam de cariz emocional ou sexual. O principal comportamento identificado como infidelidade foi o segredo. No decorrer das entrevistas, também foi abordado o impacto da mononormatividade nas monogamias abertas e questionadas as estratégias com vista a uma maior abertura de uma relação. Limitações do estudo em conjunto com as implicações práticas dos resultados, assim como sugestões para estudos futuros são discutidas. |
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| Autores principais: | Oliveira, Ana Rita |
| Assunto: | Monogamia Sexualidade Infidelidade Monogamias abertas Relações não-monogâmicas Dissertações de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Em 2011, Dan Savage introduziu o termo monogamish para descrever relações primariamente monogâmicas, ou seja, relações que assentam num compromisso emocional, que variam em diferentes tipos de contactos sexuais extradiádicos, definidos por regras específicas. Este termo é cada vez mais relevante, apesar de ser ainda escasso na literatura, razão pela qual o foco desta investigação se centra com a procura de uma definição de relações monogamish, e na compreensão do processo de o-construção do acordo dos limites da sua exclusividade, incluindo o conceito de infidelidade, no contexto destas relações. Tendo em conta esses objetivos, foram realizadas 12 entrevistas semiestruturadas, com 11 casais (8 de género diferente e 3 do mesmo género) cuja configuração relacional correspondesse ou tivesse semelhanças com a definição proporcionada pela literatura de monogamias abertas e uma entrevista com uma especialista em relações não-monogâmicas. Os dados foram analisados com recurso ao software Nvivo, através do método de análise temática. Os resultados mostram que uma relação monogamias abertas é constituída por uma díade primária, à qual os indivíduos associam expectativas de compromisso, investimento e projetam um futuro em comum. As relações extradiádicas têm um cariz maioritariamente sexual, apesar de também poderem admitir envolvimento emocional, e são experiências que podem ocorrer em conjunto e em separado. Estas ocorrem segundo regras co-construídas pelo casal, divididas em 3 grupos: regras para garantir a priorização da relação primária, regras para definir os termos das experiências extradiádicas e regras para os parceires extradiádicos. A definição de infidelidade remete para a transgressão das regras co-construídas entre o casal primário, quer sejam de cariz emocional ou sexual. O principal comportamento identificado como infidelidade foi o segredo. No decorrer das entrevistas, também foi abordado o impacto da mononormatividade nas monogamias abertas e questionadas as estratégias com vista a uma maior abertura de uma relação. Limitações do estudo em conjunto com as implicações práticas dos resultados, assim como sugestões para estudos futuros são discutidas. |
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