Publicação
Alterações ecográficas da árvore biliar associadas à realização de cultura de bílis : estudo retrospetivo de 22 casos
| Resumo: | A ecografia abdominal é a modalidade imagiológica mais utilizada na avaliação de pequenos animais com suspeita de doença hepatobiliar. Com efeito, a ecografia da árvore biliar, mais especificamente, assume um papel de enorme relevância na tomada de decisão clínica, no que concerne à colheita de amostras biliares para citologia e/ou cultura bacteriana. O objetivo principal deste estudo consistiu em avaliar a existência de associação entre alterações ecográficas da árvore biliar, considerando parâmetros ecográficos estabelecidos, com o resultado da cultura de biliar, avaliando ainda a frequência dessas alterações na população. Nos grupos (cão e gato), avaliou-se a frequência das alterações. Secundariamente, avaliou-se a prevalência de culturas positivas, na população e nos grupos, e os principais isolados bacterianos identificados. Não se verificou associação estatisticamente significativa (p>0,05) entre as alterações ecográficas e o resultado da cultura biliar. Na população em estudo, as alterações ecográficas mais frequentes foram presença de sedimento biliar (81,8%), com imobilidade de sedimento (72,2%), espessamento da parede da vesícula biliar, alteração da ecogenicidade da parede da vesícula biliar e dilatação do ducto biliar comum (77,3%), e irregularidade da superfície luminal (72,7%). Com menos frequência, observou-se a presença de mucocelo biliar (31,8%) e, por fim, a presença de litíase biliar (13,6%) e a presença de outro conteúdo da vesícula biliar anormal (gás) (4,6%). As alterações de espessamento da parede da vesícula biliar, irregularidade da superfície luminal da vesícula biliar, alteração da ecogenicidade da parede da vesícula biliar, imobilidade do sedimento biliar e imagem de mucocelo biliar foram significativas entre grupos (p<0,05). Verificou-se um maior número de alterações da árvore biliar nos cães relativamente aos gatos, com uma média de 6,3 alterações (cães) e 3,1 alterações (gatos) (p=0,001). A prevalência de culturas positivas na população total foi de 22,7%. Já considerando a espécie, a cultura foi positiva em 30,7% dos cães e em 11,1% dos gatos. Os isolados bacterianos identificados foram Escherichia Coli (40%), Clostridium spp.(20%), Enterococcus spp.(20%), Salmonella spp.(20%). Alterações como espessamento da parede da vesícula biliar, ecogenicidade aumentada da parede da vesícula biliar, irregularidade da superfície luminal da vesícula biliar e sedimento biliar imóvel parecem ser importantes indicadores para realização de cultura biliar, dada a sua presença em casos positivos, apesar da sua baixa especificidade. Assim, a ecografia biliar constitui um passo importante na decisão de realização de uma cultura biliar, ainda que as alterações observadas não tenham mostrado associação com resultado da cultura. |
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| Autores principais: | Cosme, Ana Rita Martinho |
| Assunto: | Ecografia biliar cultura biliar colecistocentese vesícula biliar árvore biliar biliary ultrasound biliary culture cholecystocentesis gallbladder biliary tree |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A ecografia abdominal é a modalidade imagiológica mais utilizada na avaliação de pequenos animais com suspeita de doença hepatobiliar. Com efeito, a ecografia da árvore biliar, mais especificamente, assume um papel de enorme relevância na tomada de decisão clínica, no que concerne à colheita de amostras biliares para citologia e/ou cultura bacteriana. O objetivo principal deste estudo consistiu em avaliar a existência de associação entre alterações ecográficas da árvore biliar, considerando parâmetros ecográficos estabelecidos, com o resultado da cultura de biliar, avaliando ainda a frequência dessas alterações na população. Nos grupos (cão e gato), avaliou-se a frequência das alterações. Secundariamente, avaliou-se a prevalência de culturas positivas, na população e nos grupos, e os principais isolados bacterianos identificados. Não se verificou associação estatisticamente significativa (p>0,05) entre as alterações ecográficas e o resultado da cultura biliar. Na população em estudo, as alterações ecográficas mais frequentes foram presença de sedimento biliar (81,8%), com imobilidade de sedimento (72,2%), espessamento da parede da vesícula biliar, alteração da ecogenicidade da parede da vesícula biliar e dilatação do ducto biliar comum (77,3%), e irregularidade da superfície luminal (72,7%). Com menos frequência, observou-se a presença de mucocelo biliar (31,8%) e, por fim, a presença de litíase biliar (13,6%) e a presença de outro conteúdo da vesícula biliar anormal (gás) (4,6%). As alterações de espessamento da parede da vesícula biliar, irregularidade da superfície luminal da vesícula biliar, alteração da ecogenicidade da parede da vesícula biliar, imobilidade do sedimento biliar e imagem de mucocelo biliar foram significativas entre grupos (p<0,05). Verificou-se um maior número de alterações da árvore biliar nos cães relativamente aos gatos, com uma média de 6,3 alterações (cães) e 3,1 alterações (gatos) (p=0,001). A prevalência de culturas positivas na população total foi de 22,7%. Já considerando a espécie, a cultura foi positiva em 30,7% dos cães e em 11,1% dos gatos. Os isolados bacterianos identificados foram Escherichia Coli (40%), Clostridium spp.(20%), Enterococcus spp.(20%), Salmonella spp.(20%). Alterações como espessamento da parede da vesícula biliar, ecogenicidade aumentada da parede da vesícula biliar, irregularidade da superfície luminal da vesícula biliar e sedimento biliar imóvel parecem ser importantes indicadores para realização de cultura biliar, dada a sua presença em casos positivos, apesar da sua baixa especificidade. Assim, a ecografia biliar constitui um passo importante na decisão de realização de uma cultura biliar, ainda que as alterações observadas não tenham mostrado associação com resultado da cultura. |
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