Publication
Coinfecção tuberculose/infeção por VIH : estudo retrospetivo no CHULN
| Summary: | A tuberculose continua a ser líder nas causas de mortalidade por doenças infeciosas, superando a infeção por VIH, fator que configura o maior risco na sua reemergência. Além disso, a relação entre TB e VIH é estreita e bidirecional, com efeito sinérgico na evolução natural de ambas. Para uma melhor caracterização da população com infeção por VIH e TB realizou-se a análise demográfica, epidemiológica, de localização de TB, metodologia diagnóstica, TB-MR e mortalidade bem como a comparação de tipos de TB. Foram selecionados 78 doentes com internamentos por tuberculose/infeção por VIH no Serviço de Doenças Infeciosas do Hospital de Santa Maria no período entre 2004 e 2006. Cerca de 91% apresentava-se no estádio Síndrome de Imunodeficiência Adquirida . A carga vírica era detetável (> 50 cópias de ARN/mL) em cerca de 54% dos doentes e a Terapêutica Antirretrovírica não estava instituída em 81,48%. Neste estudo, foi possível constatar que a tuberculose pode surgir em qualquer fase da evolução natural de infeção por VIH e, que o número de linfócitos T CD4+, em média, se relaciona com a localização de TB, na medida em que, um menor valor de contagem destas células se associa a formas de TB mais graves, nomeadamente TB SNC (61,71 células/mm3) e TB disseminada (76,00 células/mm3). Na tuberculose pulmonar, o método mais preponderante na instituição de terapêutica foi a microbiologia, sendo a expetoração a amostra biológica eleita. A taxa de doentes bacilíferos foi de 50,00%, superior à de doença disseminada com envolvimento pulmonar concomitante (43,48%). Apesar da rentabilidade do exame direto de expetoração depender do grau de imunossupressão, nos seis doentes com positividade para este exame, cinco apresentavam números de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm3. Além disso, 33,80% dos doentes infetados com exames diretos negativos tiveram exame cultural positivo. Os doentes com tuberculose disseminada tinham, em média, um valor de linfócitos T CD4+ 2,57 vezes inferior ao de tuberculose pulmonar. Na abordagem inicial de terapêutica, a imagiologia foi fundamental. As hemoculturas no sistema BACTEC MYCO/F-lytic foram positivas em 72,34%, destacando-se no estabelecimento do diagnóstico definitivo de tuberculose. O perfil de resistência não mostrou ser preponderante na evolução clínica, já que a mortalidade foi de 17%, semelhante à da população no geral do presente estudo (16%). O padrão de monorresistência mais prevalente foi o de Estreptomicina e o de multirresistência verificou-se em 8,57% dos casos avaliados (n=70). Relativamente à mortalidade, todos os casos apresentavam infeção por VIH no estadio SIDA com um sistema imunitário deprimido (em média, linfócitos T CD4+< 77/ mm3), com tradução num menor número de dias de internamento (inferior 2,9 vezes do da TB SNC, 2,1 vezes ao da TB pulmonar e, 1,6 vezes ao da TB disseminada). Também se associou a formas de TB mais graves (TB disseminada e TB meníngea) bem como ao atraso de instituição de terapêutica antituberculosa ou até mesmo a impossibilidade do seu início (38,46%). Num país endémico de tuberculose como Portugal, este trabalho permitiu caracterizar o espetro da doença tuberculose no contexto de infeção por VIH, destacar a metodologia diagnóstica das várias localizações de doença, bem como realçar a relação entre estas duas doenças infeciosas. |
|---|---|
| Main Authors: | Rocha, Maria Inês Santos Severino Pinto |
| Subject: | Tuberculose VIH Multirresistência Doenças infecciosas |
| Year: | 2020 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | restricted access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | A tuberculose continua a ser líder nas causas de mortalidade por doenças infeciosas, superando a infeção por VIH, fator que configura o maior risco na sua reemergência. Além disso, a relação entre TB e VIH é estreita e bidirecional, com efeito sinérgico na evolução natural de ambas. Para uma melhor caracterização da população com infeção por VIH e TB realizou-se a análise demográfica, epidemiológica, de localização de TB, metodologia diagnóstica, TB-MR e mortalidade bem como a comparação de tipos de TB. Foram selecionados 78 doentes com internamentos por tuberculose/infeção por VIH no Serviço de Doenças Infeciosas do Hospital de Santa Maria no período entre 2004 e 2006. Cerca de 91% apresentava-se no estádio Síndrome de Imunodeficiência Adquirida . A carga vírica era detetável (> 50 cópias de ARN/mL) em cerca de 54% dos doentes e a Terapêutica Antirretrovírica não estava instituída em 81,48%. Neste estudo, foi possível constatar que a tuberculose pode surgir em qualquer fase da evolução natural de infeção por VIH e, que o número de linfócitos T CD4+, em média, se relaciona com a localização de TB, na medida em que, um menor valor de contagem destas células se associa a formas de TB mais graves, nomeadamente TB SNC (61,71 células/mm3) e TB disseminada (76,00 células/mm3). Na tuberculose pulmonar, o método mais preponderante na instituição de terapêutica foi a microbiologia, sendo a expetoração a amostra biológica eleita. A taxa de doentes bacilíferos foi de 50,00%, superior à de doença disseminada com envolvimento pulmonar concomitante (43,48%). Apesar da rentabilidade do exame direto de expetoração depender do grau de imunossupressão, nos seis doentes com positividade para este exame, cinco apresentavam números de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm3. Além disso, 33,80% dos doentes infetados com exames diretos negativos tiveram exame cultural positivo. Os doentes com tuberculose disseminada tinham, em média, um valor de linfócitos T CD4+ 2,57 vezes inferior ao de tuberculose pulmonar. Na abordagem inicial de terapêutica, a imagiologia foi fundamental. As hemoculturas no sistema BACTEC MYCO/F-lytic foram positivas em 72,34%, destacando-se no estabelecimento do diagnóstico definitivo de tuberculose. O perfil de resistência não mostrou ser preponderante na evolução clínica, já que a mortalidade foi de 17%, semelhante à da população no geral do presente estudo (16%). O padrão de monorresistência mais prevalente foi o de Estreptomicina e o de multirresistência verificou-se em 8,57% dos casos avaliados (n=70). Relativamente à mortalidade, todos os casos apresentavam infeção por VIH no estadio SIDA com um sistema imunitário deprimido (em média, linfócitos T CD4+< 77/ mm3), com tradução num menor número de dias de internamento (inferior 2,9 vezes do da TB SNC, 2,1 vezes ao da TB pulmonar e, 1,6 vezes ao da TB disseminada). Também se associou a formas de TB mais graves (TB disseminada e TB meníngea) bem como ao atraso de instituição de terapêutica antituberculosa ou até mesmo a impossibilidade do seu início (38,46%). Num país endémico de tuberculose como Portugal, este trabalho permitiu caracterizar o espetro da doença tuberculose no contexto de infeção por VIH, destacar a metodologia diagnóstica das várias localizações de doença, bem como realçar a relação entre estas duas doenças infeciosas. |
|---|