Publicação
Reasons for exclusion for DBS in Parkinson’s disease : the experience of a movement disorder centre
| Resumo: | A Estimulação Cerebral Profunda tem benefícios já comprovados no tratamento das complicações motoras induzidas pela levodopa na Doença de Parkinson, o que motiva a sua crescente utilização no tratamento da Doença de Parkinson Avançada. Contudo, os candidatos devem passar um processo de seleção extremamente rigoroso, dos quais vários doentes são excluídos, havendo poucos estudos que avaliam estes doentes e as suas caraterísticas. Desta forma, realizámos um estudo observacional retrospetivo no Hospital Santa Maria em que avaliámos os 72doentes excluídos entre 2006 e Maio de 2019, dos quais 9 foram excluídos da análise por falta de dados No mesmo período foram operados 248 doentes, assim foram excluídos 22,5% de todos os doentes avaliados para cirurgia. A população em estudo foi sujeita a uma média de 3,27 consultas até à exclusão, correspondendo a uma média de 6,75 meses. 25,4% dos doentes foi recusado na primeira consulta. Os doentes foram excluídos tendo em base 1,89 motivos em média, sendo que apenas 28 (44,4%) tiveram um único motivo de recusa, destacando-se a falta de interesse na cirurgia como o principal motivo de exclusão neste grupo (n = 9). De todos os motivos de recusa, destacam-se um valor acima do cut-off na UPDRS (motora) parte 3 em On nos itens do freezing e instabilidade postural (n = 15, 23,8%), alterações cognitivas (n = 15, 23,8%), e idade acima dos 70 anos (n =14, 22,2%) como principais motivos para a exclusão dos doentes. Não houve diferença estatisticamente significativa na comparação dos motivos de exclusão dos doentes referenciados por especialistas em doenças do movimento com os doentes referenciados por neurologistas não especialistas. O número de recusas tem permanecido constante ao longo do tempo, tendo havido um crescimento ligeiro. Este estudo permitiu uma melhor caracterização dos doentes excluídos, reforçando a importância que um processo de seleção exigente e completo tem na escolha do doente ideal para ser sujeito a Estimulação Cerebral Profunda, e permite educar os médicos referenciadores de forma a optimizar a referenciação dos melhores candidato a cirurgia, optimizando recursos de saúde e garantindo oportunidade terapêutica àqueles doentes que mais beneficiam da cirurgia. |
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| Autores principais: | Carvalho, Miguel de Oliveira |
| Assunto: | Doença de Parkinson Estimulação cerebral profunda Exclusão Neurologia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Estimulação Cerebral Profunda tem benefícios já comprovados no tratamento das complicações motoras induzidas pela levodopa na Doença de Parkinson, o que motiva a sua crescente utilização no tratamento da Doença de Parkinson Avançada. Contudo, os candidatos devem passar um processo de seleção extremamente rigoroso, dos quais vários doentes são excluídos, havendo poucos estudos que avaliam estes doentes e as suas caraterísticas. Desta forma, realizámos um estudo observacional retrospetivo no Hospital Santa Maria em que avaliámos os 72doentes excluídos entre 2006 e Maio de 2019, dos quais 9 foram excluídos da análise por falta de dados No mesmo período foram operados 248 doentes, assim foram excluídos 22,5% de todos os doentes avaliados para cirurgia. A população em estudo foi sujeita a uma média de 3,27 consultas até à exclusão, correspondendo a uma média de 6,75 meses. 25,4% dos doentes foi recusado na primeira consulta. Os doentes foram excluídos tendo em base 1,89 motivos em média, sendo que apenas 28 (44,4%) tiveram um único motivo de recusa, destacando-se a falta de interesse na cirurgia como o principal motivo de exclusão neste grupo (n = 9). De todos os motivos de recusa, destacam-se um valor acima do cut-off na UPDRS (motora) parte 3 em On nos itens do freezing e instabilidade postural (n = 15, 23,8%), alterações cognitivas (n = 15, 23,8%), e idade acima dos 70 anos (n =14, 22,2%) como principais motivos para a exclusão dos doentes. Não houve diferença estatisticamente significativa na comparação dos motivos de exclusão dos doentes referenciados por especialistas em doenças do movimento com os doentes referenciados por neurologistas não especialistas. O número de recusas tem permanecido constante ao longo do tempo, tendo havido um crescimento ligeiro. Este estudo permitiu uma melhor caracterização dos doentes excluídos, reforçando a importância que um processo de seleção exigente e completo tem na escolha do doente ideal para ser sujeito a Estimulação Cerebral Profunda, e permite educar os médicos referenciadores de forma a optimizar a referenciação dos melhores candidato a cirurgia, optimizando recursos de saúde e garantindo oportunidade terapêutica àqueles doentes que mais beneficiam da cirurgia. |
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