Publicação
Regeneração urbana e securitização do espaço público: o caso do Largo do Intendente em Lisboa
| Resumo: | Este trabalho de pesquisa questiona as relações entre regeneração urbana e securitização do espaço público, com o intuito de se concentrar no caso do Largo do Intendente em Lisboa. Em 2011, foi lançado um vasto programa de reabilitação do ambiente construído e de dinamização sociocultural da Mouraria, ao qual este lugar mal-afamado foi integrado. Como é que o Largo do Intendente, entendido na altura enquanto lugar de infâmia, se tornou um dos espaços mais atrativos da cidade de Lisboa? O presente trabalho investiga este processo de regeneração urbana através do prisma da segurança, entendida como um sentimento, e da securitização, conceito que engloba todos os dispositivos mobilizados para esta fim. Os objetivos desta pesquisa são duplos: (i) identificar os dispositivos implementados no espaço público no intuito de aumentar o sentimento de segurança e (ii) observar como estas transformações modificaram as dinâmicas de apropriação do espaço. A linha diretiva é de partir das transformações do ambiente construído para examinar, num segundo tempo, as mudanças ocorridas na maneira de entender o espaço público. Uma atenção especifica é dirigida à Crime Prevention Through Environment Design (CPTED), que faz parte das estratégias de desenvolvimento urbano e de segurança pública postas em vigor pela Câmara Municipal de Lisboa. Além da recolha e compilação de numerosas fontes documentais e académicas, este trabalho baseia-se numa pesquisa de terreno que se fez em duas fases distintas, e que me conduziu finalmente a que eu próprio me tornasse um ator das transformações da zona. Encontros e entrevistas informais completam as ferramentas metodológicas desenvolvidas, no intuito de construir uma narrativa critica sobre o Largo do Intendente e, num sentido mais lato, sobre o espaço público na cidade austera/neoliberal. Em conclusão, evidenciou-se que processos de privatização e de securitização modelam simultaneamente o espaço público para o tornar cada vez mais homogéneo e dedicado ao consumo. Verificou-se que a securitização dos espaços urbanos ultrapassa os meios tradicionais da segurança pública e que pode ser eficaz sem ser tecnologicamente avançada. Observou-se que as dinâmicas de apropriação que resultam destas transformações urbanas não respondem a uma logica linear, revelando-se complexas e por vezes contraditórias. Em nota final, este trabalho inscreve-se na linha do direito à cidade e pretende defender um espaço público inclusivo e capaz de acolher o Outro. |
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| Autores principais: | Mandoux, Antoine |
| Assunto: | Regeneração urbana Espaço urbano Securitização Privatização |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho de pesquisa questiona as relações entre regeneração urbana e securitização do espaço público, com o intuito de se concentrar no caso do Largo do Intendente em Lisboa. Em 2011, foi lançado um vasto programa de reabilitação do ambiente construído e de dinamização sociocultural da Mouraria, ao qual este lugar mal-afamado foi integrado. Como é que o Largo do Intendente, entendido na altura enquanto lugar de infâmia, se tornou um dos espaços mais atrativos da cidade de Lisboa? O presente trabalho investiga este processo de regeneração urbana através do prisma da segurança, entendida como um sentimento, e da securitização, conceito que engloba todos os dispositivos mobilizados para esta fim. Os objetivos desta pesquisa são duplos: (i) identificar os dispositivos implementados no espaço público no intuito de aumentar o sentimento de segurança e (ii) observar como estas transformações modificaram as dinâmicas de apropriação do espaço. A linha diretiva é de partir das transformações do ambiente construído para examinar, num segundo tempo, as mudanças ocorridas na maneira de entender o espaço público. Uma atenção especifica é dirigida à Crime Prevention Through Environment Design (CPTED), que faz parte das estratégias de desenvolvimento urbano e de segurança pública postas em vigor pela Câmara Municipal de Lisboa. Além da recolha e compilação de numerosas fontes documentais e académicas, este trabalho baseia-se numa pesquisa de terreno que se fez em duas fases distintas, e que me conduziu finalmente a que eu próprio me tornasse um ator das transformações da zona. Encontros e entrevistas informais completam as ferramentas metodológicas desenvolvidas, no intuito de construir uma narrativa critica sobre o Largo do Intendente e, num sentido mais lato, sobre o espaço público na cidade austera/neoliberal. Em conclusão, evidenciou-se que processos de privatização e de securitização modelam simultaneamente o espaço público para o tornar cada vez mais homogéneo e dedicado ao consumo. Verificou-se que a securitização dos espaços urbanos ultrapassa os meios tradicionais da segurança pública e que pode ser eficaz sem ser tecnologicamente avançada. Observou-se que as dinâmicas de apropriação que resultam destas transformações urbanas não respondem a uma logica linear, revelando-se complexas e por vezes contraditórias. Em nota final, este trabalho inscreve-se na linha do direito à cidade e pretende defender um espaço público inclusivo e capaz de acolher o Outro. |
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