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Risk factors for Amyotrophic Lateral Sclerosis (ALS): the effect of high-intensity sport

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Resumo:A Esclerose Lateral Amiotrofica (ELA) é uma doença neurodegenerativa rara que envolve principalmente os neurónios motores (diretamente associados a movimentos voluntários). Atualmente, não existe cura para a ELA, aproximadamente 50% dos pacientes com ELA morrem dentro de 30 meses após o início dos sintomas, geralmente devido a insuficiência respiratória e suas complicações, enquanto cerca de 10% dos pacientes podem sobreviver por mais de uma década (National Institute of Neurological Disorders and Stroke NIH, n.d.). A maioria dos casos de ELA é esporádica, sem histórico familiar da doença. No entanto, 5 a 10% dos casos tem uma componente genética associada - uma mutação do gene C9ORF72, responsável pela codificação da proteína C9ORF72, mais comumente associada a ELA. Outra mutação sobre a qual há referências de ligação com a ELA ocorre no gene SOD1, que em conjunto com a mutação do gene C9ORF72, explica os 87% da ELA familiar. (Renton et al., 2011). A idade e o género, são fatores de risco já bem estabelecidos. Para além destes, outros fatores como o tabagismo ou a prática de atividade física intensa, são apontados como potencias fatores de risco para a doença, embora os resultados de trabalhos anteriores sejam contraditórios (Ingre, Ross, Phiel, Kamel & F, 2015). Ainda assim, estudos recentes indicam que as modalidades de contacto nos níveis mais altos de intensidade, que combinam atividade física intensa e aumento do risco de trauma repetitivo na cabeça e na coluna cervical (Blecher et al., 2019), são um fator de risco para o aparecimento de doenças neurodegenerativas. Esta tese, baseou-se num estudo caso-controlo da ELA, e teve como principais objetivos avaliar a relação entre a prática das modalidades de contacto - boxe, rugby, hóquei e futebol e a ocorrência de ELA, bem como a existência de potenciais fatores que interfiram nessa relação, como sexo, idade e hábitos tabágicos. Optou-se por selecionar apenas as modalidades que envolviam trauma repetitivo ao nível da cabeça e coluna cervical, partindo do pressuposto, apresentado por (Blecher et al., 2019). A análise estratificada em estudos de caso-controlo e modelos de regressão logística, foram as metodologias escolhidas para atingir este objetivo. Os resultados obtidos pelas duas metodologias foram comparados. O segundo objetivo, foi avaliar a relação entre a idade de diagnóstico precoce e a prática de futebol de alta intensidade. Para testar a existência de diferenças na idade do diagnóstico, considerando os diferentes níveis de intensidade com que o futebol era praticado, foi aplicada a análise de variância a um fator. Foram também definidos objetivos secundários: i) avaliar a relação entre a idade do diagnóstico e a idade dos primeiros sintomas e o tipo de início da doença, através do modelo linear clássico. ii) avaliar a relação entre os diferentes valores de ALS Fuctional Rate of Decay (ALSFSR.R) e um conjunto de variáveis como sexo, idade dos primeiros sintomas e outras através da mesma metodologia. iii) avaliar a existência de diferenças entre os diferentes níveis de progressão por meio de regressão logística multinominal. Quando uma ou mais suposições não foram atendidas, recorreu-se à aplicação da transformação logarítmica. Para todas as análises estatísticas realizadas, com exceção da análise estratificada, foi utilizado o software R com a interface RStudio Versao 1.1.463 -cc 2009-2018 RStudio, Inc. A análise estratificada foi realizada com o software baseado na Web Open-Epi. Foi considerado o nível de significância α = 5%. O conjunto de dados utilizado compreende 2247 participantes, 1326 pacientes e 921 controlos de várias nacionalidades Europeias que responderam a um questionário padronizado, criado em 2015 como parte do projeto OnWebDuals. O projeto OnWebDuals pretende recolher dados de pacientes com ELA de diferentes locais europeus, para construir uma ontologia de domínio da ELA e implementá-la num grande banco de dados web-europeu. Fazem parte desta base de dados variáveis sociodemográficas como por exemplo género e idade, variáveis clínicas como tipo de início da doença, a idade dos primeiros sintomas e ainda uma classe de variáveis exclusivamente relacionadas com o desporto, tendo em conta um dos objetivos principais desta tese. Encontrou-se evidência para o nível de significância α = 5% para que género e idade (categorizada) atuem como modificadores de efeito na relação entre a prática de modalidades de contacto e a ELA. Contudo, após maior reflexão, e levantada a possibilidade destes resultados estarem relacionados com o número reduzido de mulheres a praticar modalidades de contacto, o que é natural, considerando que nesta base de dados a idade média das mulheres é de 63.5 anos. Nesta geração, o número de mulheres que praticavam atividade física, era muito reduzido. Desta forma, foi construído um modelo onde se considerou exclusivamente a população masculina. Quando considerado apenas o efeito da prática de modalidades de contacto, esta surge como fator de risco para a doença, a chance de vir a desenvolver a doença e 1.765 vezes superior nos praticantes, relativamente aos não praticantes. Houve também interesse em avaliar o efeito de outras variáveis considerados fatores de risco, ou potenciais fatores de risco, para a doença - idade e hábitos de fumo representados pela carga tabágica (TE). Foram testados diferentes modelos, chegando ao modelo final. O modelo final, constituído exclusivamente pela população masculina tem como variáveis - prática de modalidades de contacto (Contact), idade, carga tabágica (TE) e interação entre a prática de modalidades de contacto e a carga tabágica (Contact × TE). Considerando o objetivo principal - avaliar a relação entre a prática de modalidades de contacto e a ELA, pode dizer-se que a chance de vir a desenvolver a doença é 1.3 (IC a 95%:0.867;2.124) vezes maior nos praticantes relativamente aos não praticantes nos participantes com carga tabágica nula (TE=0). Quanto à interação entre a prática de modalidades de contacto e a carga tabágica, os resultados mostraram-se estatisticamente significativos, verifica-se um aumento de aproximadamente 3% na chance de vir a desenvolver a doença nos praticantes de modalidade de contacto, quando comparados com os não praticantes para duas cargas homogéneas que diferem em 1 maço/ano. Relativamente ao segundo objetivo, para além de se avaliar a relação entre a prática de futebol de alta intensidade e idade de diagnóstico precoce, considerando todos os participantes dos 4 países Europeus (Alemanha, Polónia, Portugal e Turquia), procedeu-se à mesma avaliação, mas aplicada exclusivamente aos participantes portugueses, que nos interessava especialmente. Quando considerada apenas a população portuguesa pode dizer-se que a idade de diagnóstico difere significativamente entre praticantes de futebol de alta intensidade e não praticantes. Contudo, quando considerada toda a população esta diferença não se verifica. Relativamente aos objetivos secundários, por cada ano mais na idade de ocorrência dos primeiros sintomas, verificou-se uma diminuição de aproximadamente 0.7% no atraso do diagnóstico. Comparando pacientes com início bulbar relativamente a pacientes com início num dos membros, pode dizer-se que o atraso no diagnostico é aproximadamente 30% menor para os pacientes com início bulbar relativamente aos com início nos membros. Considerando os diferentes grupos de progressão, verificou-se que grupos de progressão mais lentos correspondem a um aumento no atraso de diagnóstico. Apesar de ainda não existirem muitos estudos nesta área, este é um dos maiores considerando o tamanho da amostra. Os resultados obtidos e agora apresentados, estão de acordo com alguns trabalhos publicados anteriormente. Dado o tamanho da nossa amostra, estes resultados, são atuais e importantes para validar outros trabalhos semelhantes que têm vindo a ser desenvolvidos. No futuro, será importante, a realização de um estudo semelhante, para confirmar o efeito de modalidades de alta intensidade associadas a um trauma repetitivo a nível da cabeça e coluna cervical como um fator de risco para a ELA. A sua aplicação a uma nova geração de homens e mulheres, em que as diferenças relativas a prática de atividade física não sejam tão acentuadas, permitirá obter resultados mais ajustados à realidade atual. Citando a emblemática afirmação de (Box, 1979), ”todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis”. Os resultados agora apresentados, não podem ser assumidos como lei universal mas reforçam a necessidade de mais investigação nesta área, contribuindo para um melhor conhecimento da doença. A confirmação destes resultados deverá proporcionar uma maior consciencialização das federações desportivas e dos atletas para este problema e promover a discussão de estratégias que de alguma forma tentem minimizar os efeitos da prática destas atividades na saúde dos atletas.
Autores principais:Henriques, Ana Rita Oliveira
Assunto:Esclorose Lateral Amiotrófica Modalidades de Contacto e Modelo Linear Generalizado Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Esclerose Lateral Amiotrofica (ELA) é uma doença neurodegenerativa rara que envolve principalmente os neurónios motores (diretamente associados a movimentos voluntários). Atualmente, não existe cura para a ELA, aproximadamente 50% dos pacientes com ELA morrem dentro de 30 meses após o início dos sintomas, geralmente devido a insuficiência respiratória e suas complicações, enquanto cerca de 10% dos pacientes podem sobreviver por mais de uma década (National Institute of Neurological Disorders and Stroke NIH, n.d.). A maioria dos casos de ELA é esporádica, sem histórico familiar da doença. No entanto, 5 a 10% dos casos tem uma componente genética associada - uma mutação do gene C9ORF72, responsável pela codificação da proteína C9ORF72, mais comumente associada a ELA. Outra mutação sobre a qual há referências de ligação com a ELA ocorre no gene SOD1, que em conjunto com a mutação do gene C9ORF72, explica os 87% da ELA familiar. (Renton et al., 2011). A idade e o género, são fatores de risco já bem estabelecidos. Para além destes, outros fatores como o tabagismo ou a prática de atividade física intensa, são apontados como potencias fatores de risco para a doença, embora os resultados de trabalhos anteriores sejam contraditórios (Ingre, Ross, Phiel, Kamel & F, 2015). Ainda assim, estudos recentes indicam que as modalidades de contacto nos níveis mais altos de intensidade, que combinam atividade física intensa e aumento do risco de trauma repetitivo na cabeça e na coluna cervical (Blecher et al., 2019), são um fator de risco para o aparecimento de doenças neurodegenerativas. Esta tese, baseou-se num estudo caso-controlo da ELA, e teve como principais objetivos avaliar a relação entre a prática das modalidades de contacto - boxe, rugby, hóquei e futebol e a ocorrência de ELA, bem como a existência de potenciais fatores que interfiram nessa relação, como sexo, idade e hábitos tabágicos. Optou-se por selecionar apenas as modalidades que envolviam trauma repetitivo ao nível da cabeça e coluna cervical, partindo do pressuposto, apresentado por (Blecher et al., 2019). A análise estratificada em estudos de caso-controlo e modelos de regressão logística, foram as metodologias escolhidas para atingir este objetivo. Os resultados obtidos pelas duas metodologias foram comparados. O segundo objetivo, foi avaliar a relação entre a idade de diagnóstico precoce e a prática de futebol de alta intensidade. Para testar a existência de diferenças na idade do diagnóstico, considerando os diferentes níveis de intensidade com que o futebol era praticado, foi aplicada a análise de variância a um fator. Foram também definidos objetivos secundários: i) avaliar a relação entre a idade do diagnóstico e a idade dos primeiros sintomas e o tipo de início da doença, através do modelo linear clássico. ii) avaliar a relação entre os diferentes valores de ALS Fuctional Rate of Decay (ALSFSR.R) e um conjunto de variáveis como sexo, idade dos primeiros sintomas e outras através da mesma metodologia. iii) avaliar a existência de diferenças entre os diferentes níveis de progressão por meio de regressão logística multinominal. Quando uma ou mais suposições não foram atendidas, recorreu-se à aplicação da transformação logarítmica. Para todas as análises estatísticas realizadas, com exceção da análise estratificada, foi utilizado o software R com a interface RStudio Versao 1.1.463 -cc 2009-2018 RStudio, Inc. A análise estratificada foi realizada com o software baseado na Web Open-Epi. Foi considerado o nível de significância α = 5%. O conjunto de dados utilizado compreende 2247 participantes, 1326 pacientes e 921 controlos de várias nacionalidades Europeias que responderam a um questionário padronizado, criado em 2015 como parte do projeto OnWebDuals. O projeto OnWebDuals pretende recolher dados de pacientes com ELA de diferentes locais europeus, para construir uma ontologia de domínio da ELA e implementá-la num grande banco de dados web-europeu. Fazem parte desta base de dados variáveis sociodemográficas como por exemplo género e idade, variáveis clínicas como tipo de início da doença, a idade dos primeiros sintomas e ainda uma classe de variáveis exclusivamente relacionadas com o desporto, tendo em conta um dos objetivos principais desta tese. Encontrou-se evidência para o nível de significância α = 5% para que género e idade (categorizada) atuem como modificadores de efeito na relação entre a prática de modalidades de contacto e a ELA. Contudo, após maior reflexão, e levantada a possibilidade destes resultados estarem relacionados com o número reduzido de mulheres a praticar modalidades de contacto, o que é natural, considerando que nesta base de dados a idade média das mulheres é de 63.5 anos. Nesta geração, o número de mulheres que praticavam atividade física, era muito reduzido. Desta forma, foi construído um modelo onde se considerou exclusivamente a população masculina. Quando considerado apenas o efeito da prática de modalidades de contacto, esta surge como fator de risco para a doença, a chance de vir a desenvolver a doença e 1.765 vezes superior nos praticantes, relativamente aos não praticantes. Houve também interesse em avaliar o efeito de outras variáveis considerados fatores de risco, ou potenciais fatores de risco, para a doença - idade e hábitos de fumo representados pela carga tabágica (TE). Foram testados diferentes modelos, chegando ao modelo final. O modelo final, constituído exclusivamente pela população masculina tem como variáveis - prática de modalidades de contacto (Contact), idade, carga tabágica (TE) e interação entre a prática de modalidades de contacto e a carga tabágica (Contact × TE). Considerando o objetivo principal - avaliar a relação entre a prática de modalidades de contacto e a ELA, pode dizer-se que a chance de vir a desenvolver a doença é 1.3 (IC a 95%:0.867;2.124) vezes maior nos praticantes relativamente aos não praticantes nos participantes com carga tabágica nula (TE=0). Quanto à interação entre a prática de modalidades de contacto e a carga tabágica, os resultados mostraram-se estatisticamente significativos, verifica-se um aumento de aproximadamente 3% na chance de vir a desenvolver a doença nos praticantes de modalidade de contacto, quando comparados com os não praticantes para duas cargas homogéneas que diferem em 1 maço/ano. Relativamente ao segundo objetivo, para além de se avaliar a relação entre a prática de futebol de alta intensidade e idade de diagnóstico precoce, considerando todos os participantes dos 4 países Europeus (Alemanha, Polónia, Portugal e Turquia), procedeu-se à mesma avaliação, mas aplicada exclusivamente aos participantes portugueses, que nos interessava especialmente. Quando considerada apenas a população portuguesa pode dizer-se que a idade de diagnóstico difere significativamente entre praticantes de futebol de alta intensidade e não praticantes. Contudo, quando considerada toda a população esta diferença não se verifica. Relativamente aos objetivos secundários, por cada ano mais na idade de ocorrência dos primeiros sintomas, verificou-se uma diminuição de aproximadamente 0.7% no atraso do diagnóstico. Comparando pacientes com início bulbar relativamente a pacientes com início num dos membros, pode dizer-se que o atraso no diagnostico é aproximadamente 30% menor para os pacientes com início bulbar relativamente aos com início nos membros. Considerando os diferentes grupos de progressão, verificou-se que grupos de progressão mais lentos correspondem a um aumento no atraso de diagnóstico. Apesar de ainda não existirem muitos estudos nesta área, este é um dos maiores considerando o tamanho da amostra. Os resultados obtidos e agora apresentados, estão de acordo com alguns trabalhos publicados anteriormente. Dado o tamanho da nossa amostra, estes resultados, são atuais e importantes para validar outros trabalhos semelhantes que têm vindo a ser desenvolvidos. No futuro, será importante, a realização de um estudo semelhante, para confirmar o efeito de modalidades de alta intensidade associadas a um trauma repetitivo a nível da cabeça e coluna cervical como um fator de risco para a ELA. A sua aplicação a uma nova geração de homens e mulheres, em que as diferenças relativas a prática de atividade física não sejam tão acentuadas, permitirá obter resultados mais ajustados à realidade atual. Citando a emblemática afirmação de (Box, 1979), ”todos os modelos estão errados, mas alguns são úteis”. Os resultados agora apresentados, não podem ser assumidos como lei universal mas reforçam a necessidade de mais investigação nesta área, contribuindo para um melhor conhecimento da doença. A confirmação destes resultados deverá proporcionar uma maior consciencialização das federações desportivas e dos atletas para este problema e promover a discussão de estratégias que de alguma forma tentem minimizar os efeitos da prática destas atividades na saúde dos atletas.