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Monsenhor Airosa - pedagogo - empresário : história do colégio de regeneração de Braga : (1869-1931)

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Resumo:“Monsenhor Airosa – Pedagogo-empresário. História do Colégio de Regeneração de Braga – 1869-1931” é a história de uma instituição educativa secular, destinada a jovensmulheres, que, em regime de internato-empresa e aplicando um modelo pedagógico de instrução e trabalho, visava a regeneração moral e profissional das educandas. Esta instituição acolhia jovens-mulheres, fragilizadas e caídas numa situação de abandono ou marginalização social, designadamente por motivos de pobreza extrema, orfandade ou prostituição. Era uma instituição católica, cuja organização pedagógica, laboral e moral foi confiada às Irmãs Terceiras Dominicanas, sob a orientação de Monsenhor Airosa, que a fundou e dirigiu entre 1869 e 1931. A instituição foi fundada em 1867, por um eclesiástico, Padre Airosa, que levou à prática um projecto arrojado e inovador. Tudo principiou com uma Casa d’Abrigo que, em poucos anos, foi transformada num Colégio-Internato com valências de instrução alfabética, formação profissional e oficina de produção. Investindo-se do duplo papel de pedagogo e empresário, o Padre Airosa, entretanto erigido a Monsenhor, orientou a sua acção em distintas frentes: assegurar uma representação sociocomunitária que conferisse legitimidade ao plano – o que obteve através de uma direcção com representantes da elite local e com uma acção continuada junto do poder político e da imprensa periódica; instalar condignamente o Colégio; confiar a orientação pedagógica a uma Congregação religiosa, vocacionada para o feminino; implementar e rentabilizar uma oficina que comportasse uma actividade economicamente rentável e que constituísse uma modalidade de auto produção, em regime doméstico. A actividade de tecelagem e bordados afigurava-se como a mais apropriada, pelo que o Padre Airosa viajou e experimentou a mecanização da tecelagem como profissional. Fez importação de teares modernos (teares jacquard) e converteu a oficina do Colégio de Regeneração numa empresa de referência. Como pedagogo-empresário, pôs em prática um modelo pedagógico abrangente, em regime de internato-oficina, com objectivo de regenerar as educandas, autonomizando-as pela instrução, pelo trabalho, pela religião. A presente tese inscreve-se nas História das Instituições Educativas, abrangendo o período compreendido entre 1869 e 1931, correspondente à direcção do Monsenhor Airosa (fundador). A estrutura obedece a uma perspectiva de história institucional. O tema, a problemática, os ideários, os normativos, as vivências são definidos no contexto histórico, sócio antropológico e político da transição de Oitocentos e primeiras décadas do séc. XX. Foi criado um Arquivo, onde se reúnem cerca de 10.000 documentos e um pouco mais de 2.000 obras, tudo recolhido dentro da Casa. Dá-se aqui nota do Arquivo; traça-se um panorama diacrónico da funcionalidade e da orgânica da Instituição-empresa (Casa d’Abrigo/ Colégio de Regeneração); (re)escreve-se a biografia do fundador; sistematiza-se o complexo processo educativo de regeneração das recolhidas, processo consubstanciado numa pedagogia activa (pela instrução e pelo trabalho), educativa e espiritual, confiada às religiosas dominicanas; retomam-se testemunhos e histórias de vida como marcas de internalidade e de apropriação educativa; sistematizam-se fontes externas e depoimentos extraídos da imprensa periódica como olhar do outro e matéria de prova. Em tese, historia-se e sustenta-se o argumento de uma instituição de formação/ educação (re)generativa e “transfigurativa”, que deu curso à materialidade e à pedagogia de colégio-empresa, confessional e auto produtiva.
Autores principais:Português, Ernesto
Assunto:Teses de doutoramento - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:“Monsenhor Airosa – Pedagogo-empresário. História do Colégio de Regeneração de Braga – 1869-1931” é a história de uma instituição educativa secular, destinada a jovensmulheres, que, em regime de internato-empresa e aplicando um modelo pedagógico de instrução e trabalho, visava a regeneração moral e profissional das educandas. Esta instituição acolhia jovens-mulheres, fragilizadas e caídas numa situação de abandono ou marginalização social, designadamente por motivos de pobreza extrema, orfandade ou prostituição. Era uma instituição católica, cuja organização pedagógica, laboral e moral foi confiada às Irmãs Terceiras Dominicanas, sob a orientação de Monsenhor Airosa, que a fundou e dirigiu entre 1869 e 1931. A instituição foi fundada em 1867, por um eclesiástico, Padre Airosa, que levou à prática um projecto arrojado e inovador. Tudo principiou com uma Casa d’Abrigo que, em poucos anos, foi transformada num Colégio-Internato com valências de instrução alfabética, formação profissional e oficina de produção. Investindo-se do duplo papel de pedagogo e empresário, o Padre Airosa, entretanto erigido a Monsenhor, orientou a sua acção em distintas frentes: assegurar uma representação sociocomunitária que conferisse legitimidade ao plano – o que obteve através de uma direcção com representantes da elite local e com uma acção continuada junto do poder político e da imprensa periódica; instalar condignamente o Colégio; confiar a orientação pedagógica a uma Congregação religiosa, vocacionada para o feminino; implementar e rentabilizar uma oficina que comportasse uma actividade economicamente rentável e que constituísse uma modalidade de auto produção, em regime doméstico. A actividade de tecelagem e bordados afigurava-se como a mais apropriada, pelo que o Padre Airosa viajou e experimentou a mecanização da tecelagem como profissional. Fez importação de teares modernos (teares jacquard) e converteu a oficina do Colégio de Regeneração numa empresa de referência. Como pedagogo-empresário, pôs em prática um modelo pedagógico abrangente, em regime de internato-oficina, com objectivo de regenerar as educandas, autonomizando-as pela instrução, pelo trabalho, pela religião. A presente tese inscreve-se nas História das Instituições Educativas, abrangendo o período compreendido entre 1869 e 1931, correspondente à direcção do Monsenhor Airosa (fundador). A estrutura obedece a uma perspectiva de história institucional. O tema, a problemática, os ideários, os normativos, as vivências são definidos no contexto histórico, sócio antropológico e político da transição de Oitocentos e primeiras décadas do séc. XX. Foi criado um Arquivo, onde se reúnem cerca de 10.000 documentos e um pouco mais de 2.000 obras, tudo recolhido dentro da Casa. Dá-se aqui nota do Arquivo; traça-se um panorama diacrónico da funcionalidade e da orgânica da Instituição-empresa (Casa d’Abrigo/ Colégio de Regeneração); (re)escreve-se a biografia do fundador; sistematiza-se o complexo processo educativo de regeneração das recolhidas, processo consubstanciado numa pedagogia activa (pela instrução e pelo trabalho), educativa e espiritual, confiada às religiosas dominicanas; retomam-se testemunhos e histórias de vida como marcas de internalidade e de apropriação educativa; sistematizam-se fontes externas e depoimentos extraídos da imprensa periódica como olhar do outro e matéria de prova. Em tese, historia-se e sustenta-se o argumento de uma instituição de formação/ educação (re)generativa e “transfigurativa”, que deu curso à materialidade e à pedagogia de colégio-empresa, confessional e auto produtiva.