Publicação
A antropologia pragmática como metacrítica. Uma leitura da Crítica da razão pura à luz da antropologia de Kant
| Resumo: | A sistematicidade da filosofia de Kant é um dos pontos mais contenciosos da sua receção, pois não há consenso nem quanto à sua existência, nem quanto à natureza da sua putativa ligação sistemática. A questão da sistematicidade do pensamento kantiano tem, contudo, de ser abordada à luz da distinção que, na Arquitetónica da razão pura, Kant estabelece entre o conceito escolástico e o conceito cósmico de filosofia: enquanto na filosofia escolástica o conhecimento é unificado pela sua subsunção num princípio do qual todo o sistema possa ser inferido, na filosofia em sentido cósmico o conhecimento é unificado pela sua referência à destinação moral da razão humana. Sobre estes dois conceitos fundam-se tipos distintos de ligação sistemática, pelo que – como para Kant só a filosofia cósmica é a filosofia em sentido próprio – o sentido da sua filosofia deve ser problematizado não em sede teórica, mas sim em sede pragmática. Se o papel que cada parte do sistema filosófico kantiano desempenha é determinado pela sua utilidade para com a finalidade última da razão humana, o projeto filosófico de Kant deve então ser interpretado na sua totalidade como um instrumento para tal finalidade. Esta orientação hermenêutica é aqui exemplificada mediante uma leitura da Crítica da razão pura que considera o valor pragmático dos seus princípios para a destinação moral do género humano. Esta exposição do valor pragmático da Crítica da razão pura tem como seu fio condutor o conceito de aplicabilidade, conceito esse que procuramos explicitar, antes de tudo, por meio de uma investigação do papel que a imaginação desempenha na economia da Crítica da razão pura e, em seguida, mediante uma análise da relação desta obra com a antropologia pragmática kantiana. |
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| Autores principais: | Fernandes, João Pedro Amorety |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A sistematicidade da filosofia de Kant é um dos pontos mais contenciosos da sua receção, pois não há consenso nem quanto à sua existência, nem quanto à natureza da sua putativa ligação sistemática. A questão da sistematicidade do pensamento kantiano tem, contudo, de ser abordada à luz da distinção que, na Arquitetónica da razão pura, Kant estabelece entre o conceito escolástico e o conceito cósmico de filosofia: enquanto na filosofia escolástica o conhecimento é unificado pela sua subsunção num princípio do qual todo o sistema possa ser inferido, na filosofia em sentido cósmico o conhecimento é unificado pela sua referência à destinação moral da razão humana. Sobre estes dois conceitos fundam-se tipos distintos de ligação sistemática, pelo que – como para Kant só a filosofia cósmica é a filosofia em sentido próprio – o sentido da sua filosofia deve ser problematizado não em sede teórica, mas sim em sede pragmática. Se o papel que cada parte do sistema filosófico kantiano desempenha é determinado pela sua utilidade para com a finalidade última da razão humana, o projeto filosófico de Kant deve então ser interpretado na sua totalidade como um instrumento para tal finalidade. Esta orientação hermenêutica é aqui exemplificada mediante uma leitura da Crítica da razão pura que considera o valor pragmático dos seus princípios para a destinação moral do género humano. Esta exposição do valor pragmático da Crítica da razão pura tem como seu fio condutor o conceito de aplicabilidade, conceito esse que procuramos explicitar, antes de tudo, por meio de uma investigação do papel que a imaginação desempenha na economia da Crítica da razão pura e, em seguida, mediante uma análise da relação desta obra com a antropologia pragmática kantiana. |
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