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A terapêutica da dor neuropática em Portugal: proposta de uma linha orientadora de uniformização

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Resumo:A dor é o quinto sinal vital. A sua manifestação não se reduz ao mero sentido emocional como se considerava em tempos remotos. Expressa uma dimensão e impacto que abrange questões sociais e culturais, crenças e universos que se traduzem na degradação da qualidade de vida. No seu decurso, envolve uma série de processos fisiológicos, cognitivos e emocionais que geram sofrimento e se reflectem no quotidiano de quem a padece. A OMS define dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial de algum tecido”. Se pensarmos que a dor crónica se caracteriza por persistência, intensidade e duração indefinida, significa que quem a vivencia sofre arduamente, passa por transtornos comportamentais, funcionais, sensações desprazíveis e insuportáveis. Sendo um processo patológico evidente na população, deparamo-nos com uma desvalorização e subavaliação da dor, factor directamente correlacionado com o bem-estar físico e emocional do Homem. A dor neuropática ou dor “aberrante”, trata-se de uma condição dolorosa crónica, cuja etiologia impede considera-la como doença por si só. A sua definição foi estabelecida pela International Association for the Study of Pain como a “dor causada por uma lesão ou doença do sistema nervoso somatossensorial”. Resulta de alterações nas vias sensitivas centrais e/ou periféricas que afectam de forma directa o sistema somatossensorial. Para satisfazer os critérios de diagnóstico é necessário a presença de uma lesão demonstrável ou uma doença neurológica evidente. Contudo, este tipo de dor é muitas vezes camuflado por diagnósticos equívocos, consequentes do grau de dificuldade de avaliar a origem das alterações das vias sensitivas, implicando o desconhecimento do valor exacto da sua prevalência. Torna-se evidente que a multiplicidade etiológica da dor neuropática sugere que muitas vezes seja subdiagnosticada. É fundamental compreender o que a caracteriza para um correcto enquadramento do diagnóstico e tratamento. Para direcionar objectivamente o tratamento farmacológico, torna-se imperativo classificar o tipo de dor neuropática, segundo um critério anatómico, que permitirá subdividir em várias condições patológicas, consoante a localização e origem. Perante uma condição comprovada de dor neuropática, o tratamento farmacológico é fragmentado fundamentalmente em três linhas terapêuticas que assentam em fármacos antidepressivos, anticonvulsivantes, opióides, tramadol, agentes tópicos, agonista especifico do receptor GABAB e antagonistas dos receptores NMDA. A escolha dos fármacos é feita com base na eficácia, segurança e evidência, articulando-se entre si e com a terapêutica não farmacológica, de forma a garantir um alívio eficaz da dor. Conclui-se que a estratégia terapêutica da dor neuropática é orientada por um diagnóstico confirmativo de lesão ou doença no sistema nervoso somatossensorial, cujo tratamento será criteriosamente seleccionado com base em linhas terapêuticas com evidência comprovada, sendo possível conjugar e ajustar o tratamento de forma individualizada.
Autores principais:Amorim, Daniela Sofia Rodrigues
Assunto:Dor neuropática Sistema somatossensorial Condições neuropáticas Critérios de diagnóstico Tratamento farmacológico Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A dor é o quinto sinal vital. A sua manifestação não se reduz ao mero sentido emocional como se considerava em tempos remotos. Expressa uma dimensão e impacto que abrange questões sociais e culturais, crenças e universos que se traduzem na degradação da qualidade de vida. No seu decurso, envolve uma série de processos fisiológicos, cognitivos e emocionais que geram sofrimento e se reflectem no quotidiano de quem a padece. A OMS define dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a uma lesão real ou potencial de algum tecido”. Se pensarmos que a dor crónica se caracteriza por persistência, intensidade e duração indefinida, significa que quem a vivencia sofre arduamente, passa por transtornos comportamentais, funcionais, sensações desprazíveis e insuportáveis. Sendo um processo patológico evidente na população, deparamo-nos com uma desvalorização e subavaliação da dor, factor directamente correlacionado com o bem-estar físico e emocional do Homem. A dor neuropática ou dor “aberrante”, trata-se de uma condição dolorosa crónica, cuja etiologia impede considera-la como doença por si só. A sua definição foi estabelecida pela International Association for the Study of Pain como a “dor causada por uma lesão ou doença do sistema nervoso somatossensorial”. Resulta de alterações nas vias sensitivas centrais e/ou periféricas que afectam de forma directa o sistema somatossensorial. Para satisfazer os critérios de diagnóstico é necessário a presença de uma lesão demonstrável ou uma doença neurológica evidente. Contudo, este tipo de dor é muitas vezes camuflado por diagnósticos equívocos, consequentes do grau de dificuldade de avaliar a origem das alterações das vias sensitivas, implicando o desconhecimento do valor exacto da sua prevalência. Torna-se evidente que a multiplicidade etiológica da dor neuropática sugere que muitas vezes seja subdiagnosticada. É fundamental compreender o que a caracteriza para um correcto enquadramento do diagnóstico e tratamento. Para direcionar objectivamente o tratamento farmacológico, torna-se imperativo classificar o tipo de dor neuropática, segundo um critério anatómico, que permitirá subdividir em várias condições patológicas, consoante a localização e origem. Perante uma condição comprovada de dor neuropática, o tratamento farmacológico é fragmentado fundamentalmente em três linhas terapêuticas que assentam em fármacos antidepressivos, anticonvulsivantes, opióides, tramadol, agentes tópicos, agonista especifico do receptor GABAB e antagonistas dos receptores NMDA. A escolha dos fármacos é feita com base na eficácia, segurança e evidência, articulando-se entre si e com a terapêutica não farmacológica, de forma a garantir um alívio eficaz da dor. Conclui-se que a estratégia terapêutica da dor neuropática é orientada por um diagnóstico confirmativo de lesão ou doença no sistema nervoso somatossensorial, cujo tratamento será criteriosamente seleccionado com base em linhas terapêuticas com evidência comprovada, sendo possível conjugar e ajustar o tratamento de forma individualizada.