Publicação

Esteatohepatite e fibrose hepática associada a disfunção metabólica (MASH) : aplicação de algoritmos de diagnóstico

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A Doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica consiste num espetro de patologias e na causa mais comum de doença hepática crónica. Com prevalência de 30% na população adulta, esta designação compreende a Esteatohepatite associada à disfunção metabólica, caraterizada pela acumulação excessiva de lípidos no fígado, associada a inflamação e lesão celular, com possível evolução para fibrose hepática, cirrose e carcinoma hepatocelular. Fatores genéticos, dietéticos e alterações no metabolismo lipídico e glucídico contribuem para a resistência à insulina e desenvolvimento de fibrose hepática, fator determinante no prognóstico da doença. Pretendeu-se estudar a aplicação de algoritmos não invasivos de rastreio na identificação e estratificação do risco de fibrose hepática em indivíduos de risco bem como aferir uma possível correlação entre resistência à insulina e fibrose hepática em utentes pré-diabéticos. Foi realizado um estudo retrospetivo observacional numa coorte de utentes (n=646), com idades entre 35-65 anos, seguidos em ambulatório numa clínica portuguesa entre 2021-2024. Os utentes apresentavam transaminases elevadas e foram estratificados com base na glicemia de jejum em pré-diabéticos e diabéticos. O índice de fibrose FIB-4 tem alto valor preditivo negativo e divide-se em três categorias: baixo risco (<1,3), risco intermédio (>1,3 <2,67) e elevado risco (>2,67). O índice TyG foi calculado em utentes pré-diabéticos com dados de triglicéridos disponíveis (n=45) e avaliada a correlação com FIB-4. Dos 646 utentes, 35,8% apresentaram FIB-4 <1,3, 49% com FIB-4>1,3< 2,67, e 15,2% com FIB-4 > 2,67. Houve taxa semelhante de FIB-4 >1,3 entre pré-diabéticos e diabéticos (63,2% e 65,2%) e uma maior prevalência de FIB-4 >2,67 nos pré-diabéticos (16,2%) em comparação com os diabéticos (14,2%). Estes resultados demonstram a utilidade do rastreio na identificação de utentes em risco de fibrose hepática que necessitam de referenciação. Já a correlação entre FIB-4 e TyG nos pré-diabéticos estudados foi fraca (r=0,26935), sugerindo uma associação limitada entre resistência à insulina e fibrose hepática nesta amostra. Este resultado entre TyG e FIB-4 sugere então que a resistência à insulina não é um fator preditor isolado para fibrose hepática nesta amostra. Estudos subsequentes com dados complementares e outros biomarcadores são necessários na identificação de doentes em risco.
Autores principais:Serôdio,Gonçalo Alexandre Setúbal
Assunto:204219213 MASLD MASH Fibrose hepática Score FIB-4 Índice TyG Teses de mestrado -2025
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica consiste num espetro de patologias e na causa mais comum de doença hepática crónica. Com prevalência de 30% na população adulta, esta designação compreende a Esteatohepatite associada à disfunção metabólica, caraterizada pela acumulação excessiva de lípidos no fígado, associada a inflamação e lesão celular, com possível evolução para fibrose hepática, cirrose e carcinoma hepatocelular. Fatores genéticos, dietéticos e alterações no metabolismo lipídico e glucídico contribuem para a resistência à insulina e desenvolvimento de fibrose hepática, fator determinante no prognóstico da doença. Pretendeu-se estudar a aplicação de algoritmos não invasivos de rastreio na identificação e estratificação do risco de fibrose hepática em indivíduos de risco bem como aferir uma possível correlação entre resistência à insulina e fibrose hepática em utentes pré-diabéticos. Foi realizado um estudo retrospetivo observacional numa coorte de utentes (n=646), com idades entre 35-65 anos, seguidos em ambulatório numa clínica portuguesa entre 2021-2024. Os utentes apresentavam transaminases elevadas e foram estratificados com base na glicemia de jejum em pré-diabéticos e diabéticos. O índice de fibrose FIB-4 tem alto valor preditivo negativo e divide-se em três categorias: baixo risco (<1,3), risco intermédio (>1,3 <2,67) e elevado risco (>2,67). O índice TyG foi calculado em utentes pré-diabéticos com dados de triglicéridos disponíveis (n=45) e avaliada a correlação com FIB-4. Dos 646 utentes, 35,8% apresentaram FIB-4 <1,3, 49% com FIB-4>1,3< 2,67, e 15,2% com FIB-4 > 2,67. Houve taxa semelhante de FIB-4 >1,3 entre pré-diabéticos e diabéticos (63,2% e 65,2%) e uma maior prevalência de FIB-4 >2,67 nos pré-diabéticos (16,2%) em comparação com os diabéticos (14,2%). Estes resultados demonstram a utilidade do rastreio na identificação de utentes em risco de fibrose hepática que necessitam de referenciação. Já a correlação entre FIB-4 e TyG nos pré-diabéticos estudados foi fraca (r=0,26935), sugerindo uma associação limitada entre resistência à insulina e fibrose hepática nesta amostra. Este resultado entre TyG e FIB-4 sugere então que a resistência à insulina não é um fator preditor isolado para fibrose hepática nesta amostra. Estudos subsequentes com dados complementares e outros biomarcadores são necessários na identificação de doentes em risco.