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O papel da endoscopia de contacto no cancro oral

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O Cancro oral é um desafio na prática clínica, sendo com frequência diagnosticado em estadios tardios. Dado o seu caráter localmente invasivo e multifocal, pode requerer abordagens terapêuticas com graves danos funcionais e estéticos para o doente. Por sua vez, a lesões prémalignas da cavidade oral são uma janela de oportunidade, pois têm um elevado potencial de malignização, e se detetadas atempadamente poder-se-á evitar a transformação maligna. Aliado ao facto de os fatores de risco para este cancro estarem bem estabelecidos, é possível a implementação de rastreio oportunístico, focado nas pessoas de alto-risco, tendo-se verificado em estudos recentes que o mesmo é custo-benéfico, em diferentes partes do mundo. De forma a ajudar na identificação precoce deste cancro, promovendo um tratamento atempado, surgem técnicas de visualização microscópicas. A Endoscopia de Contacto permite em ambiente de consulta e sem anestesia, observar in vivo e in situ as alterações microvasculares e celulares superficiais da mucosa oral, tendo um enorme potencial para o estudo das lesões epiteliais da cavidade oral e da orofaringe. Esta técnica, que foi introduzida e desenvolvida na área de ORL no Serviço de ORL do Hospital de Santa Maria/ Faculdade de Medicina de Lisboa pelos Profs Mário Andrea e Óscar Dias, traz diversos benefícios e elevados valores de sensibilidade e especificidade, especialmente quando combinada com outras técnicas, como a NBI (narrow band imaging) ou a SPIES (Storz professional image enhancement system). De acordo com a literatura atual, os grandes objetivos são caracterizar a patologia oral e ajudar a guiar as zonas que devem realizar biópsia, mas há autores que chegam mesmo a sugerir que a técnica da Endoscopia de Contacto possa substituir a biópsia excisional, como método de eleição no diagnóstico das lesões pré-malignas e malignas da cavidade oral. A aceitação deste conceito preconiza o desenvolvimento da técnica de Endoscopia de Contacto na cavidade oral, pois os resultados parecem ser promissores. Na realização desta revisão bibliográfica não sistemática recorreu-se à pesquisa no PubMed de artigos e na leitura de livros e outros documentos com datas entre 1995 e 2018, tendo-se posteriormente alargado a pesquisa para artigos mais antigos, abordando a história da técnica.
Autores principais:Silvestre, Miguel Jorge Trigo
Assunto:Endoscopia de contacto Cancro oral Lesões pré-malignas Mucosa oral Otorrinolaringologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O Cancro oral é um desafio na prática clínica, sendo com frequência diagnosticado em estadios tardios. Dado o seu caráter localmente invasivo e multifocal, pode requerer abordagens terapêuticas com graves danos funcionais e estéticos para o doente. Por sua vez, a lesões prémalignas da cavidade oral são uma janela de oportunidade, pois têm um elevado potencial de malignização, e se detetadas atempadamente poder-se-á evitar a transformação maligna. Aliado ao facto de os fatores de risco para este cancro estarem bem estabelecidos, é possível a implementação de rastreio oportunístico, focado nas pessoas de alto-risco, tendo-se verificado em estudos recentes que o mesmo é custo-benéfico, em diferentes partes do mundo. De forma a ajudar na identificação precoce deste cancro, promovendo um tratamento atempado, surgem técnicas de visualização microscópicas. A Endoscopia de Contacto permite em ambiente de consulta e sem anestesia, observar in vivo e in situ as alterações microvasculares e celulares superficiais da mucosa oral, tendo um enorme potencial para o estudo das lesões epiteliais da cavidade oral e da orofaringe. Esta técnica, que foi introduzida e desenvolvida na área de ORL no Serviço de ORL do Hospital de Santa Maria/ Faculdade de Medicina de Lisboa pelos Profs Mário Andrea e Óscar Dias, traz diversos benefícios e elevados valores de sensibilidade e especificidade, especialmente quando combinada com outras técnicas, como a NBI (narrow band imaging) ou a SPIES (Storz professional image enhancement system). De acordo com a literatura atual, os grandes objetivos são caracterizar a patologia oral e ajudar a guiar as zonas que devem realizar biópsia, mas há autores que chegam mesmo a sugerir que a técnica da Endoscopia de Contacto possa substituir a biópsia excisional, como método de eleição no diagnóstico das lesões pré-malignas e malignas da cavidade oral. A aceitação deste conceito preconiza o desenvolvimento da técnica de Endoscopia de Contacto na cavidade oral, pois os resultados parecem ser promissores. Na realização desta revisão bibliográfica não sistemática recorreu-se à pesquisa no PubMed de artigos e na leitura de livros e outros documentos com datas entre 1995 e 2018, tendo-se posteriormente alargado a pesquisa para artigos mais antigos, abordando a história da técnica.