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Diários da pandemia : estudo longitudinal sobre experiências de conjugalidade, intimidade e desejo em casais portugueses

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Resumo:Em março de 2020, foi decretado Estado de Emergência em Portugal devido à pandemia de Covid-19, com o consequente confinamento obrigatório. Desde o início da pandemia a literatura científica tem vindo a evidenciar um maior risco de perturbação mental na população geral. Relações de casal satisfeitas estão associadas a uma maior proteção da saúde física e mental dos indivíduos. Por outro lado, indivíduos insatisfeitos com a sua relação encontram-se em maior risco de apresentar menores condições de saúde, pelo que as relações de casal têm a dupla possibilidade de ser um fator protetor ou um fator de risco para a saúde mental dos indivíduos durante a pandemia. Há ainda pouca investigação qualitativa exploratória acerca da experiência de casais coabitantes durante o confinamento. Assim, os objetivos desta investigação passam por compreender de que forma as alterações impostas pelo surto de Covid-19 e a experiência de stress associada à pandemia influenciaram a satisfação conjugal sentida por casais portugueses e por procurar identificar quais foram as principais estratégias desenvolvidas no quotidiano dos casais para mitigar o impacto da pandemia e aumentar o ajustamento na relação. Sete casais heterossexuais (N=14), com e sem filhos, gravaram 3 diários sonoros por semana ao longo de quatro semanas em confinamento. Os resultados evidenciam uma associação entre a experiência de confinamento e relatos de maior stress, principalmente associados ao teletrabalho e às restrições de movimentação. Os casais referem, no entanto, aplicar com sucesso estratégias e ativar recursos que promovem o Coping Diádico, sendo este um grande fator protetor da satisfação conjugal ao longo da pandemia. Os resultados são contrastados com literatura internacional na área da conjugalidade, bem como ancorados na literatura mais recente acerca da experiência de casais durante a pandemia. São ainda discutidas as implicações para a prática, nomeadamente no que toca à prática clínica com casais.
Autores principais:Valentim, Ana Rita Rodrigues dos Reis
Assunto:Conjugalidade Satisfação conjugal Covid 19 Intimidade Casais Dissertações de mestrado - 2021
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em março de 2020, foi decretado Estado de Emergência em Portugal devido à pandemia de Covid-19, com o consequente confinamento obrigatório. Desde o início da pandemia a literatura científica tem vindo a evidenciar um maior risco de perturbação mental na população geral. Relações de casal satisfeitas estão associadas a uma maior proteção da saúde física e mental dos indivíduos. Por outro lado, indivíduos insatisfeitos com a sua relação encontram-se em maior risco de apresentar menores condições de saúde, pelo que as relações de casal têm a dupla possibilidade de ser um fator protetor ou um fator de risco para a saúde mental dos indivíduos durante a pandemia. Há ainda pouca investigação qualitativa exploratória acerca da experiência de casais coabitantes durante o confinamento. Assim, os objetivos desta investigação passam por compreender de que forma as alterações impostas pelo surto de Covid-19 e a experiência de stress associada à pandemia influenciaram a satisfação conjugal sentida por casais portugueses e por procurar identificar quais foram as principais estratégias desenvolvidas no quotidiano dos casais para mitigar o impacto da pandemia e aumentar o ajustamento na relação. Sete casais heterossexuais (N=14), com e sem filhos, gravaram 3 diários sonoros por semana ao longo de quatro semanas em confinamento. Os resultados evidenciam uma associação entre a experiência de confinamento e relatos de maior stress, principalmente associados ao teletrabalho e às restrições de movimentação. Os casais referem, no entanto, aplicar com sucesso estratégias e ativar recursos que promovem o Coping Diádico, sendo este um grande fator protetor da satisfação conjugal ao longo da pandemia. Os resultados são contrastados com literatura internacional na área da conjugalidade, bem como ancorados na literatura mais recente acerca da experiência de casais durante a pandemia. São ainda discutidas as implicações para a prática, nomeadamente no que toca à prática clínica com casais.