Publicação
Diabetes gestacional
| Resumo: | A Diabetes Gestacional pode ser explicada pela Hipótese de Pederson, Freinkel, Metzger e Barker, como um conflito entre dois sistemas, materno e fetal, no qual hiperglicémia materna conduz a hiperinsulinémia e adipogénese fetais, sobretudo no terceiro trimestre da gestação. Os potenciais alvos mecanísticos da resistência à insulina serão o IRS-1, a PI3K, o GLUT-4, os PPARs e a PC-1. E como marcadores surgirão a progesterona, os recetores de prolactina, os micro-RNAs como o 326, e citocinas como TNF-alfa, leptina, adiponectina e IL-6. Os principais fatores de risco serão o peso antes e durante a gestação, a dieta, a idade materna, uma DG prévia, a PCOS e a etnicidade. As complicações podem advir de três parâmetros: hiperglicémia materna, hiperglicémia e hiperinsulinémia fetais. Esses levam à produção de AGEs que potenciarão pré-eclâmpsia, a formação de ROS que despoletará alterações congénitas, e a promoção do anabolismo que culminará na macrossomia e adiposidade, podendo ainda findar em lesões microcirculatórias e hipóxia. E, mais grave ainda, na angústia respiratória do recém-nascido. O tratamento pode ser comportamental baseado-se numa dieta de baixo índice glicémico, recomendando-se um regime mediterrânico pois promove um bom consumo de polifenóis e PUFAs. Completando com exercício físico o sucesso rondará entre os 75 a 80% dos casos. Farmacologicamente a primeira linha poderá ser a insulina ou a metformina. A insulina permite o melhor controlo glicémico, não atravessa a placenta e logo não promove imprinting metabólico. Já a metformina, evita a hipoglicémia e macrossomia neonatais, além de possibilitar melhor controlo de peso. Como segunda linha, existe a glibenclamida que é inferior em eficácia e segurança. Durante a gestação, além da glicémia deve-se vigiar a proteinúria e o ganho de peso, e a partir de testes antenatais decidir-se se se deve induzir o parto antes das 39 semanas. Recomendar-se-á cesariana se o peso fetal for superior a 4,5kg. Após a gravidez, deve-se seguir a utente, observando a HbA1c e promovendo o bom estilo de vida que reduz a incidência de diabetes em 35%. A DG é um marcador de doença cardiovascular e, como tal, essa família deve ser acompanhada pelo sistema nacional de saúde. |
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| Autores principais: | Santos, Pedro Miguel da Silva |
| Assunto: | Adipogénese Controlo de peso vs insulina vs metformina Imprinting metabólico Inflamação sistémica Unidades materna e feto-placentária Mestrado integrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Diabetes Gestacional pode ser explicada pela Hipótese de Pederson, Freinkel, Metzger e Barker, como um conflito entre dois sistemas, materno e fetal, no qual hiperglicémia materna conduz a hiperinsulinémia e adipogénese fetais, sobretudo no terceiro trimestre da gestação. Os potenciais alvos mecanísticos da resistência à insulina serão o IRS-1, a PI3K, o GLUT-4, os PPARs e a PC-1. E como marcadores surgirão a progesterona, os recetores de prolactina, os micro-RNAs como o 326, e citocinas como TNF-alfa, leptina, adiponectina e IL-6. Os principais fatores de risco serão o peso antes e durante a gestação, a dieta, a idade materna, uma DG prévia, a PCOS e a etnicidade. As complicações podem advir de três parâmetros: hiperglicémia materna, hiperglicémia e hiperinsulinémia fetais. Esses levam à produção de AGEs que potenciarão pré-eclâmpsia, a formação de ROS que despoletará alterações congénitas, e a promoção do anabolismo que culminará na macrossomia e adiposidade, podendo ainda findar em lesões microcirculatórias e hipóxia. E, mais grave ainda, na angústia respiratória do recém-nascido. O tratamento pode ser comportamental baseado-se numa dieta de baixo índice glicémico, recomendando-se um regime mediterrânico pois promove um bom consumo de polifenóis e PUFAs. Completando com exercício físico o sucesso rondará entre os 75 a 80% dos casos. Farmacologicamente a primeira linha poderá ser a insulina ou a metformina. A insulina permite o melhor controlo glicémico, não atravessa a placenta e logo não promove imprinting metabólico. Já a metformina, evita a hipoglicémia e macrossomia neonatais, além de possibilitar melhor controlo de peso. Como segunda linha, existe a glibenclamida que é inferior em eficácia e segurança. Durante a gestação, além da glicémia deve-se vigiar a proteinúria e o ganho de peso, e a partir de testes antenatais decidir-se se se deve induzir o parto antes das 39 semanas. Recomendar-se-á cesariana se o peso fetal for superior a 4,5kg. Após a gravidez, deve-se seguir a utente, observando a HbA1c e promovendo o bom estilo de vida que reduz a incidência de diabetes em 35%. A DG é um marcador de doença cardiovascular e, como tal, essa família deve ser acompanhada pelo sistema nacional de saúde. |
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