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Validação cultural para português de uma escala numérica de efeitos adversos de opióides

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Resumo:A dor é um sintoma muito frequente em doentes oncológicos. Os opióides são fundamentais no alívio da dor. Optimizar a prescrição melhora a qualidade de assistência médica. Objectivo: validar o instrumento Numerical Opioid Side Effect (NOSE) para Português em doentes oncológicos num programa de cuidados paliativos com base num hospital. Métodos: o NOSE foi aplicado a 50 doentes consecutivos com neoplasias avançadas (25 em regime de ambulatório e 25 hospitalizados), entre Fevereiro e Maio de 2011, no Hospital de Santa Maria. O NOSE é uma escala numérica de sintomas composta por dez itens referidos pelo doente, considerando quatro grupos de sintomas físicos e psicológicos / efeitos adversos dos opiódes: gastrointestinais, neuropsiquiátricos, urinários e outros. A análise estatística foi feita usando o SPSS, versão 19. A validade de critério foi realizada correlacionando a NOSE com o Edmontom Symptom Assessment System (ESAS). A validade descriminativa foi avaliada comparando os resultados na NOSE de 2 grupos criados a partir da classificação na escala de Performance Status do Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG: ECOG<4 e ECOG=4). Resultados: A média da dor referida foi 5.85 (95% CI = 5.04-6.65). Os efeitos adversos mais prevalentes foram: NOSE 2 (média 5.7) – fadiga, sonolência, dificuldade em concentrar-se, alucinações e/ou apatia; NOSE 6 (média 5.7) – boca seca; e NOSE 1 (média 4.2) – náuseas, vómitos e/ou perda de apetite. O teste de normalidade para o NOSE pelo Shapiro-Wilk foi 0.42, com uma curva de distribuição normal do score NOSE. A consistência interna: alfa de Chronbach 0.38. A validade de critéro mostrou uma boa correlação com o ESAS: coeficiente de Pearson 0.71. Os doentes com pior performance status (ECOG=4) obtiveram scores do NOSE significativamente mais elevados (t student -3.4, p=0,001). Conclusão: Os resultados sugerem que o NOSE é um instrumento útil. Para aumentar a sua consistência interna sugere-se que se desdobrem os itens com perguntas múltiplas da escala (items 1, 2, 7 e 9) para se obter uma melhor forma de documentar os efeitos adversos dos opióides.
Autores principais:Fonseca, Marina Pereira Duque, 1958-
Assunto:Analgésicos opióides Dor crónica Doentes em cuidados paliativos Instrumentos de efeitos adversos Monitorização da prescrição Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A dor é um sintoma muito frequente em doentes oncológicos. Os opióides são fundamentais no alívio da dor. Optimizar a prescrição melhora a qualidade de assistência médica. Objectivo: validar o instrumento Numerical Opioid Side Effect (NOSE) para Português em doentes oncológicos num programa de cuidados paliativos com base num hospital. Métodos: o NOSE foi aplicado a 50 doentes consecutivos com neoplasias avançadas (25 em regime de ambulatório e 25 hospitalizados), entre Fevereiro e Maio de 2011, no Hospital de Santa Maria. O NOSE é uma escala numérica de sintomas composta por dez itens referidos pelo doente, considerando quatro grupos de sintomas físicos e psicológicos / efeitos adversos dos opiódes: gastrointestinais, neuropsiquiátricos, urinários e outros. A análise estatística foi feita usando o SPSS, versão 19. A validade de critério foi realizada correlacionando a NOSE com o Edmontom Symptom Assessment System (ESAS). A validade descriminativa foi avaliada comparando os resultados na NOSE de 2 grupos criados a partir da classificação na escala de Performance Status do Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG: ECOG<4 e ECOG=4). Resultados: A média da dor referida foi 5.85 (95% CI = 5.04-6.65). Os efeitos adversos mais prevalentes foram: NOSE 2 (média 5.7) – fadiga, sonolência, dificuldade em concentrar-se, alucinações e/ou apatia; NOSE 6 (média 5.7) – boca seca; e NOSE 1 (média 4.2) – náuseas, vómitos e/ou perda de apetite. O teste de normalidade para o NOSE pelo Shapiro-Wilk foi 0.42, com uma curva de distribuição normal do score NOSE. A consistência interna: alfa de Chronbach 0.38. A validade de critéro mostrou uma boa correlação com o ESAS: coeficiente de Pearson 0.71. Os doentes com pior performance status (ECOG=4) obtiveram scores do NOSE significativamente mais elevados (t student -3.4, p=0,001). Conclusão: Os resultados sugerem que o NOSE é um instrumento útil. Para aumentar a sua consistência interna sugere-se que se desdobrem os itens com perguntas múltiplas da escala (items 1, 2, 7 e 9) para se obter uma melhor forma de documentar os efeitos adversos dos opióides.