Publicação
A organização hierárquica do conhecimento semântico em pacientes com afasia : o papel da partilha de atributos e função executiva
| Resumo: | Vários estudos têm sido realizados sobre a organização hierárquica da memória semântica pela análise de défices semânticos em pacientes com vários distúrbios neurológicos, tais como pacientes com demência semântica e pacientes com afasia devido a acidente vascular cerebral (AVC) e com défices executivos. Os pacientes com demência semântica apresentam uma degradação do conhecimento semântico com prevalência do conhecimento sobreordenado (ex. animal, veículo) e maior comprometimento do conhecimento de nível básico (ex. elefante, camião). Os pacientes com afasia revelam um desempenho oposto com prevalência do conhecimento de nível básico. Estes últimos casos têm destacado a contribuição de processos executivos para a cognição semântica, nomeadamente para dirigir e controlar a ativação semântica de forma apropriada. Estes dois tipos de défices semânticos, parecem poder ser explicados pela partilha de atributos (Marques, 2011, 2012). Esta dimensão pode explicar a vantagem do nível sobreordenado na demência semântica pois estes conceitos reúnem um maior número absoluto de exemplares que partilham uma característica particular, tornando-os mais resistentes à degradação do conceito. Ao mesmo tempo, em termos relativos, os atributos são menos partilhados por membros de conceitos sobreordenados. Tal exige um maior controlo executivo, o que pode explicar melhor o desempenho no processamento de nível básico do que sobreordenado nos pacientes com afasia. O presente estudo avalia esta última hipótese. Para o efeito avaliaram-se pacientes com Afasia (AVC) e défices executivos, testando o seu desempenho numa tarefa de verificação de frases onde se variou o nível hierárquico dos conceitos (sobreordenado, básico) e o nível de partilha de atributos (pouco partilhado, muito partilhado). Os resultados mostraram que as frases que contêm atributos mais partilhados foram processadas mais rapidamente e com mais precisão do que as frases que envolvem atributos menos partilhados. Mais ainda, esta diferença foi mais evidente nos pacientes relativamente aos controlos. Estes resultados sugerem que défices na função executiva comprometem o processamento de atributos menos partilhados e que por sua vez levam a défices sobreordenados verificados nos pacientes com afasia e défices executivos. |
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| Autores principais: | Martins, Maria Eugénia Canhão, 1985- |
| Assunto: | Memória semântica Afasia Teses de mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Vários estudos têm sido realizados sobre a organização hierárquica da memória semântica pela análise de défices semânticos em pacientes com vários distúrbios neurológicos, tais como pacientes com demência semântica e pacientes com afasia devido a acidente vascular cerebral (AVC) e com défices executivos. Os pacientes com demência semântica apresentam uma degradação do conhecimento semântico com prevalência do conhecimento sobreordenado (ex. animal, veículo) e maior comprometimento do conhecimento de nível básico (ex. elefante, camião). Os pacientes com afasia revelam um desempenho oposto com prevalência do conhecimento de nível básico. Estes últimos casos têm destacado a contribuição de processos executivos para a cognição semântica, nomeadamente para dirigir e controlar a ativação semântica de forma apropriada. Estes dois tipos de défices semânticos, parecem poder ser explicados pela partilha de atributos (Marques, 2011, 2012). Esta dimensão pode explicar a vantagem do nível sobreordenado na demência semântica pois estes conceitos reúnem um maior número absoluto de exemplares que partilham uma característica particular, tornando-os mais resistentes à degradação do conceito. Ao mesmo tempo, em termos relativos, os atributos são menos partilhados por membros de conceitos sobreordenados. Tal exige um maior controlo executivo, o que pode explicar melhor o desempenho no processamento de nível básico do que sobreordenado nos pacientes com afasia. O presente estudo avalia esta última hipótese. Para o efeito avaliaram-se pacientes com Afasia (AVC) e défices executivos, testando o seu desempenho numa tarefa de verificação de frases onde se variou o nível hierárquico dos conceitos (sobreordenado, básico) e o nível de partilha de atributos (pouco partilhado, muito partilhado). Os resultados mostraram que as frases que contêm atributos mais partilhados foram processadas mais rapidamente e com mais precisão do que as frases que envolvem atributos menos partilhados. Mais ainda, esta diferença foi mais evidente nos pacientes relativamente aos controlos. Estes resultados sugerem que défices na função executiva comprometem o processamento de atributos menos partilhados e que por sua vez levam a défices sobreordenados verificados nos pacientes com afasia e défices executivos. |
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