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Fenótipos diferentes de uma neoplasia comum : carcinoma metaplásico da mama com diferenciação condróide

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O carcinoma metaplásico da mama (CMM) engloba um grupo heterogéneo de lesões malignas da mama caracterizadas pela presença de uma mistura de componentes de origem epitelial e sarcomatosa. A ocorrência rara, a extrema variabilidade morfológica e o diferente perfil evolutivo dificultam o seu diagnóstico e tratamento. Assim, no presente trabalho faz-se uma revisão da literatura sobre a clínica e a biopatologia do CMM e efetua-se um estudo descritivo de 5 casos de CMM com diferenciação condróide (CMMc), selecionados a partir de um conjunto de 40 casos de CMM diagnosticados e tratados no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Lisboa (IPO) no período compreendido entre 2004 e 2015. Os resultados obtidos mostram que o CMMc tanto ocorreu em mulheres pósmenopáusicas (3 casos) como em pacientes em idade fértil (2 casos) e que nos 5 casos analisados a neoplasia apresentou-se como um nódulo de grandes dimensões, localizado na mama direita, unifocal e de rápido crescimento, com critérios de malignidade na mamografia. Três pacientes detetaram o tumor no autoexame mamário e numa paciente o diagnóstico foi efetuado através de mamografia. Não se palparam adenopatias axilares em nenhum caso. Ao exame anatomopatológico, três tumores foram descritos como carcinomas de alto grau histológico (G3), dois deles evidenciando áreas de necrose. À altura do diagnóstico, nenhuma paciente apresentava metástases ganglionares e todas se encontravam no estádio II ou III. Quatro casos foram classificados como triplo negativos, tendo sido todos negativos para a sobre-expressão do C-erbB2 (HER2). As 5 pacientes foram submetidas a cirurgia conservadora ou mastectomia radical modificada, seguida de tratamento adjuvante. Duas desenvolveram metástases à distância. A sobrevivência global foi baixa, com a morte de 4 das 5 doentes, e um tempo de evolução da doença relativamente curto. Os 5 casos de CMMc estudados no trabalho presente constituem uma amostra diminuta que não permite apreciar a influência deste subtipo histológico na evolução e desfecho da doença. Apesar disso, os resultados obtidos corroboram de uma forma geral os dados descritos na literatura que mostram que o CMM é um tumor agressivo, associado a fatores prognósticos adversos e com desfecho clínico desfavorável.
Autores principais:Pinho, Inês Sasso Soares de
Assunto:Carcinoma da mama Condróide Metaplásico Transição epitélio mesênquima Triplo negativo Anatomia patológica
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O carcinoma metaplásico da mama (CMM) engloba um grupo heterogéneo de lesões malignas da mama caracterizadas pela presença de uma mistura de componentes de origem epitelial e sarcomatosa. A ocorrência rara, a extrema variabilidade morfológica e o diferente perfil evolutivo dificultam o seu diagnóstico e tratamento. Assim, no presente trabalho faz-se uma revisão da literatura sobre a clínica e a biopatologia do CMM e efetua-se um estudo descritivo de 5 casos de CMM com diferenciação condróide (CMMc), selecionados a partir de um conjunto de 40 casos de CMM diagnosticados e tratados no Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil – Lisboa (IPO) no período compreendido entre 2004 e 2015. Os resultados obtidos mostram que o CMMc tanto ocorreu em mulheres pósmenopáusicas (3 casos) como em pacientes em idade fértil (2 casos) e que nos 5 casos analisados a neoplasia apresentou-se como um nódulo de grandes dimensões, localizado na mama direita, unifocal e de rápido crescimento, com critérios de malignidade na mamografia. Três pacientes detetaram o tumor no autoexame mamário e numa paciente o diagnóstico foi efetuado através de mamografia. Não se palparam adenopatias axilares em nenhum caso. Ao exame anatomopatológico, três tumores foram descritos como carcinomas de alto grau histológico (G3), dois deles evidenciando áreas de necrose. À altura do diagnóstico, nenhuma paciente apresentava metástases ganglionares e todas se encontravam no estádio II ou III. Quatro casos foram classificados como triplo negativos, tendo sido todos negativos para a sobre-expressão do C-erbB2 (HER2). As 5 pacientes foram submetidas a cirurgia conservadora ou mastectomia radical modificada, seguida de tratamento adjuvante. Duas desenvolveram metástases à distância. A sobrevivência global foi baixa, com a morte de 4 das 5 doentes, e um tempo de evolução da doença relativamente curto. Os 5 casos de CMMc estudados no trabalho presente constituem uma amostra diminuta que não permite apreciar a influência deste subtipo histológico na evolução e desfecho da doença. Apesar disso, os resultados obtidos corroboram de uma forma geral os dados descritos na literatura que mostram que o CMM é um tumor agressivo, associado a fatores prognósticos adversos e com desfecho clínico desfavorável.