Publicação
Representações simbólicas do mosteiro cisterciense medieval: teologias bíblicas e antropologias mediterrânicas
| Resumo: | O trabalho que se apresenta enquadra a investigação levada a cabo no âmbito da História e Cultura das Religiões, com o objectivo de estruturar um modelo de interpretação que contribua para a compreensão da representação simbólica do mosteiro cisterciense como metáfora da Jerusalém celeste. O mosteiro cisterciense é paradigma de uma interpretação da vida monástica que só pode ser vivida num determinado espaço, que tem a função de antecipar o Reino de Deus. Porque o Reino de Deus não é deste mundo, a ele apenas os mortos acedem. Esta verdade do dogma cristão conduz à interpretação do mosteiro como sepulcro de homens-vivos, que se voluntariaram para nele entrar através de um processo que é o da morte mística. A investigação, cujos resultados agora se apresentam, centrou-se na identificação dos marcadores que, na longa duração do processo histórico, contribuíram e estruturaram esta concepção de monaquismo. No Capítulo I, apresenta-se a filiação desta concepção numa determinada antropologia da morte, de cariz profundamente mediterrânico, estruturada sobre as mesmas categorias conceptuais que, independentemente do tempo e dos lugares, identificam a relação do homem com a morte e com o sagrado, desde a Pré-História até ao Cristianismo. É aqui que se estruturam e definem os marcadores fundamentais que a síntese cristã universalizará numa versão que é a da glorificação da morte. O Capítulo II apresenta o Túmulo e o Templo como os dois edifícios conceptuais que o homem ergueu para, na sua relação com a divindade, enfrentar o mistério da (Não)Morte, e que, na sua representação esquemática, estabeleceram o arquétipo da representação simbólica da arquitectura sagrada, que culminou com o mosteiro ideal segundo a planta de Saint Gall. No Capítulo III, o mosteiro estrutura-se finalmente como edifício espiritual, construído sobre a teologia do deserto que é a teologia da morte para o mundo. Bernardo de Claraval é, sobre uma vastíssima pleíade de pensadores, o teólogo da versão medieval desta teologia que, aplicada no seu mosteiro de Claraval, faz dele a segunda Jerusalém de que falam REPRESENTAÇÕES SIMBÓLICAS DO MOSTEIRO CISTERCIENSE MEDIEVAL Teologias bíblicas e antropologias mediterrânicas Ezequiel e o Apocalipse de João. Segundo esta concepção bernardina, Claraval é, verdadeiramente, o Reino de Deus, o seu monte santo, a que só os vivos que experimentaram a morte podem aceder. É a cidade das doze portas que guarda as fontes da regeneração e da vida. Morrer, encerrado no mosteiro cisterciense, é viver, ressuscitado, na metáfora do Reino dos Céus. |
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| Autores principais: | Costeira, Maria Isabel Guimarães |
| Assunto: | Cisterenses - Vida espiritual Arquitectura cisterense - Idade Média Simbolismo na arquitectura Vida religiosa e monástica - Idade Média Teses de mestrado - 2012 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O trabalho que se apresenta enquadra a investigação levada a cabo no âmbito da História e Cultura das Religiões, com o objectivo de estruturar um modelo de interpretação que contribua para a compreensão da representação simbólica do mosteiro cisterciense como metáfora da Jerusalém celeste. O mosteiro cisterciense é paradigma de uma interpretação da vida monástica que só pode ser vivida num determinado espaço, que tem a função de antecipar o Reino de Deus. Porque o Reino de Deus não é deste mundo, a ele apenas os mortos acedem. Esta verdade do dogma cristão conduz à interpretação do mosteiro como sepulcro de homens-vivos, que se voluntariaram para nele entrar através de um processo que é o da morte mística. A investigação, cujos resultados agora se apresentam, centrou-se na identificação dos marcadores que, na longa duração do processo histórico, contribuíram e estruturaram esta concepção de monaquismo. No Capítulo I, apresenta-se a filiação desta concepção numa determinada antropologia da morte, de cariz profundamente mediterrânico, estruturada sobre as mesmas categorias conceptuais que, independentemente do tempo e dos lugares, identificam a relação do homem com a morte e com o sagrado, desde a Pré-História até ao Cristianismo. É aqui que se estruturam e definem os marcadores fundamentais que a síntese cristã universalizará numa versão que é a da glorificação da morte. O Capítulo II apresenta o Túmulo e o Templo como os dois edifícios conceptuais que o homem ergueu para, na sua relação com a divindade, enfrentar o mistério da (Não)Morte, e que, na sua representação esquemática, estabeleceram o arquétipo da representação simbólica da arquitectura sagrada, que culminou com o mosteiro ideal segundo a planta de Saint Gall. No Capítulo III, o mosteiro estrutura-se finalmente como edifício espiritual, construído sobre a teologia do deserto que é a teologia da morte para o mundo. Bernardo de Claraval é, sobre uma vastíssima pleíade de pensadores, o teólogo da versão medieval desta teologia que, aplicada no seu mosteiro de Claraval, faz dele a segunda Jerusalém de que falam REPRESENTAÇÕES SIMBÓLICAS DO MOSTEIRO CISTERCIENSE MEDIEVAL Teologias bíblicas e antropologias mediterrânicas Ezequiel e o Apocalipse de João. Segundo esta concepção bernardina, Claraval é, verdadeiramente, o Reino de Deus, o seu monte santo, a que só os vivos que experimentaram a morte podem aceder. É a cidade das doze portas que guarda as fontes da regeneração e da vida. Morrer, encerrado no mosteiro cisterciense, é viver, ressuscitado, na metáfora do Reino dos Céus. |
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