Publicação
A primeira dança : o papel da intersubjectividade na interacção mãe-bebé
| Resumo: | Introdução - A intersubjectividade é um conceito fundamental na relação mãe-bebé, sendo geralmente estudada do ponto de vista comportamental. A intersubjectividade é uma construção de dois autores, a mãe e o bebé, permitindo que ambos tenham acesso ao mundo interno um do outro. Pela sua importância, a intersubjectividade tem repercussões específicas na qualidade do desenvolvimento tanto daquele que cresce, o bebé, quer no desenvolvimento daquela que faz crescer, a mãe. Objectivos - Estudar a percepção materna da participação do bebé na intersubjectividade que ocorre na relação precoce. Hipótese Geral - A percepção materna da intersubjectividade dá uma contribuição significativa para a explicação da variância estatística das seguintes variáveis: vinculação materna pós-natal, estados emocionais maternos, qualidade da participação materna na interacção mãe-bebé, qualidade da participação do bebé na interacção precoce, percepção materna do apoio social e investimento parental na criança. Instrumentos - Questionário Sociodemográfico e Clínico; Inventário da Percepção Materna da Intersubjectividade do Bebé na Relação Precoce (IPMIBRP; Carrulo & Justo, 2014); Escala de Vinculação Materna Pós-Natal (EVMPN; Condon & Corkindale, 1998; versão Portuguesa de Carrulo & Justo, 2012); Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS; Lovibond & Lovibond, 1995; versão Portuguesa de Pais-Ribeiro, Honrado & Leal, 2004); Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS; Pais-Ribeiro, 1999b), Escalas da Avaliação da Interacção Mãe-Bebé (Field, 1980; versão Portuguesa de Figueiredo & Dias, 2013); Escala de Investimento Parental na Criança (Bradley, Whiteside-Mansell, Brisby & Caldwell, 1997; versão Portuguesa de Gameiro, Martinho, Canavarro & Moura-Ramos, 2008). Participantes - Na adaptação da EVMPN participaram mães (N = 233) de bebés no primeiro ano de vida. Para a criação do IPMIBRP, mães de bebés no primeiro ano de vida participaram num grupo de focos e em entrevistas semiestruturadas. Para uma primeira análise do instrumento, recrutaram-se 62 mães. Numa fase final, participaram (N = 125) mães de bebés com idades compreendidas entre 2 e 9 meses. Para a testagem das hipóteses específicas, foram utilizados os protocolos da amostra de 125 mães. Especificamente para a testagem das hipóteses específicas relacionadas com a qualidade da participação materna e do bebé na interacção precoce, foram recrutadas 61 díades mãe-bebé (entre 2 e 9 meses de idade). Resultados - A percepção materna da intersubjectividade consegue oferecer contributos significativos para a explicação de: a) algumas dimensões da vinculação materna pós-natal; b) algumas dimensões dos estados emocionais maternos; c) apenas uma das dimensões da percepção materna do apoio social e d) todas as dimensões do investimento parental na criança. Pelo contrário, a percepção materna da intersubjectividade não consegue oferecer contributos significativos para a explicação da qualidade da participação materna na interacção mãe-bebé nem para a explicação da participação do bebé na interacção precoce. Conclusão – A percepção materna da intersubjectividade do bebé é um conceito prometedor, no contexto da psicologia da maternidade. No entanto, precisa de ser reavaliado no contexto da interacção precoce de forma a melhorar a sua utilidade preditiva e psicométrica. |
|---|---|
| Autores principais: | Carrulo, Jorge |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução - A intersubjectividade é um conceito fundamental na relação mãe-bebé, sendo geralmente estudada do ponto de vista comportamental. A intersubjectividade é uma construção de dois autores, a mãe e o bebé, permitindo que ambos tenham acesso ao mundo interno um do outro. Pela sua importância, a intersubjectividade tem repercussões específicas na qualidade do desenvolvimento tanto daquele que cresce, o bebé, quer no desenvolvimento daquela que faz crescer, a mãe. Objectivos - Estudar a percepção materna da participação do bebé na intersubjectividade que ocorre na relação precoce. Hipótese Geral - A percepção materna da intersubjectividade dá uma contribuição significativa para a explicação da variância estatística das seguintes variáveis: vinculação materna pós-natal, estados emocionais maternos, qualidade da participação materna na interacção mãe-bebé, qualidade da participação do bebé na interacção precoce, percepção materna do apoio social e investimento parental na criança. Instrumentos - Questionário Sociodemográfico e Clínico; Inventário da Percepção Materna da Intersubjectividade do Bebé na Relação Precoce (IPMIBRP; Carrulo & Justo, 2014); Escala de Vinculação Materna Pós-Natal (EVMPN; Condon & Corkindale, 1998; versão Portuguesa de Carrulo & Justo, 2012); Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS; Lovibond & Lovibond, 1995; versão Portuguesa de Pais-Ribeiro, Honrado & Leal, 2004); Escala de Satisfação com o Suporte Social (ESSS; Pais-Ribeiro, 1999b), Escalas da Avaliação da Interacção Mãe-Bebé (Field, 1980; versão Portuguesa de Figueiredo & Dias, 2013); Escala de Investimento Parental na Criança (Bradley, Whiteside-Mansell, Brisby & Caldwell, 1997; versão Portuguesa de Gameiro, Martinho, Canavarro & Moura-Ramos, 2008). Participantes - Na adaptação da EVMPN participaram mães (N = 233) de bebés no primeiro ano de vida. Para a criação do IPMIBRP, mães de bebés no primeiro ano de vida participaram num grupo de focos e em entrevistas semiestruturadas. Para uma primeira análise do instrumento, recrutaram-se 62 mães. Numa fase final, participaram (N = 125) mães de bebés com idades compreendidas entre 2 e 9 meses. Para a testagem das hipóteses específicas, foram utilizados os protocolos da amostra de 125 mães. Especificamente para a testagem das hipóteses específicas relacionadas com a qualidade da participação materna e do bebé na interacção precoce, foram recrutadas 61 díades mãe-bebé (entre 2 e 9 meses de idade). Resultados - A percepção materna da intersubjectividade consegue oferecer contributos significativos para a explicação de: a) algumas dimensões da vinculação materna pós-natal; b) algumas dimensões dos estados emocionais maternos; c) apenas uma das dimensões da percepção materna do apoio social e d) todas as dimensões do investimento parental na criança. Pelo contrário, a percepção materna da intersubjectividade não consegue oferecer contributos significativos para a explicação da qualidade da participação materna na interacção mãe-bebé nem para a explicação da participação do bebé na interacção precoce. Conclusão – A percepção materna da intersubjectividade do bebé é um conceito prometedor, no contexto da psicologia da maternidade. No entanto, precisa de ser reavaliado no contexto da interacção precoce de forma a melhorar a sua utilidade preditiva e psicométrica. |
|---|