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Análise da sobrevivência de doentes com cancro em Angola de 2014 a 2018

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O desenvolvimento económico, a transição epidemiológica e demográfica são três motores de mudança do padrão de doenças em Angola caracterizado pela persistência de um peso elevado de doenças transmissíveis associado ao peso crescente de doenças crónicas. Entre estas, o cancro passou a ser um problema de saúde pública importante. O conhecimento da epidemiologia do cancro, suas determinantes e fatores de risco, é fundamental para a planificação e implementação de intervenções preventivas e de controle. Considerando a necessidade de contribuir para a produção de evidências científicas, decidiu-se realizar um estudo longitudinal retrospetivo com objetivo de estudar a sobrevivência de doentes com diagnóstico de um dos cinco cancros mais frequentes registados no Instituto angolano de Controlo do Câncer entre 2014 e 2018, bem como identificar os fatores associados à sobrevivência para cada tipo de cancro. Este estudo incide sobre uma amostra de 3012 doentes, representando 47,2% do total de cancros registados na base de dados do IACC durante o mesmo período; dos quais 1233 com cancro da mama, 1102 com cancro do colo do útero, 260 com cancro da próstata, 235 com sarcoma de Kaposi e 182 com cancro da pele não melanoma. Foi registado um total de 649 mortes (21%), entre os quais 59% ocorreram no Banco de Urgências. O método Kaplan-Meier foi utilizado para analisar a relação entre o tempo de diagnóstico e a ocorrência de mortes, a Regressão de Cox foi aplicada para determinar as variáveis preditoras mais importantes dos riscos associados as mortes. O número de casos diagnosticados de novo por ano referente aos 5 cancros alvos do estudo, aumentou progressivamente de 429 casos em 2014 para 761 casos em 2018, refletindo um peso cada vez maior dos problemas oncológicos. A idade média dos doentes na fase de diagnóstico foi de 49,6 anos sendo 82,5 % do sexo feminino. 73,8% eram provenientes da província de Luanda de um total de 18 províncias que integram o país. A maioria dos doentes (51,2%) foram diagnosticados nos estadios III e IV. Os índices de sobrevivência foram de 79,4% para o cancro da mama, 73,7% para o cancro do colo do útero, 78,8% para o cancro da próstata, 89,8% para sarcoma de Kaposi e 85,7% para o cancro da pele não melanoma. Para nível de significância < 0.5, a morfologia (p=0.005) e o estadio clínico (p=001) do cancro da mama revelaram-se significativos; em relação ao colo do útero apenas a variável estadio clínico (p=0.001) se mostrou significativa. Para o cancro da próstata o PSA (p= 0.46) foi significativo. Para o sarcoma de Kaposi e da pele não melanoma as variáveis não foram significativas.
Autores principais:Sambo, Luísa Massoka Fernando Cambuta
Assunto:Cancro Mama Colo do útero Próstata Sarcoma de Kaposi Pele não melanoma Perfil epidemiológico Fatores de prognóstico Sobrevivência Teses de mestrado - 2022
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O desenvolvimento económico, a transição epidemiológica e demográfica são três motores de mudança do padrão de doenças em Angola caracterizado pela persistência de um peso elevado de doenças transmissíveis associado ao peso crescente de doenças crónicas. Entre estas, o cancro passou a ser um problema de saúde pública importante. O conhecimento da epidemiologia do cancro, suas determinantes e fatores de risco, é fundamental para a planificação e implementação de intervenções preventivas e de controle. Considerando a necessidade de contribuir para a produção de evidências científicas, decidiu-se realizar um estudo longitudinal retrospetivo com objetivo de estudar a sobrevivência de doentes com diagnóstico de um dos cinco cancros mais frequentes registados no Instituto angolano de Controlo do Câncer entre 2014 e 2018, bem como identificar os fatores associados à sobrevivência para cada tipo de cancro. Este estudo incide sobre uma amostra de 3012 doentes, representando 47,2% do total de cancros registados na base de dados do IACC durante o mesmo período; dos quais 1233 com cancro da mama, 1102 com cancro do colo do útero, 260 com cancro da próstata, 235 com sarcoma de Kaposi e 182 com cancro da pele não melanoma. Foi registado um total de 649 mortes (21%), entre os quais 59% ocorreram no Banco de Urgências. O método Kaplan-Meier foi utilizado para analisar a relação entre o tempo de diagnóstico e a ocorrência de mortes, a Regressão de Cox foi aplicada para determinar as variáveis preditoras mais importantes dos riscos associados as mortes. O número de casos diagnosticados de novo por ano referente aos 5 cancros alvos do estudo, aumentou progressivamente de 429 casos em 2014 para 761 casos em 2018, refletindo um peso cada vez maior dos problemas oncológicos. A idade média dos doentes na fase de diagnóstico foi de 49,6 anos sendo 82,5 % do sexo feminino. 73,8% eram provenientes da província de Luanda de um total de 18 províncias que integram o país. A maioria dos doentes (51,2%) foram diagnosticados nos estadios III e IV. Os índices de sobrevivência foram de 79,4% para o cancro da mama, 73,7% para o cancro do colo do útero, 78,8% para o cancro da próstata, 89,8% para sarcoma de Kaposi e 85,7% para o cancro da pele não melanoma. Para nível de significância < 0.5, a morfologia (p=0.005) e o estadio clínico (p=001) do cancro da mama revelaram-se significativos; em relação ao colo do útero apenas a variável estadio clínico (p=0.001) se mostrou significativa. Para o cancro da próstata o PSA (p= 0.46) foi significativo. Para o sarcoma de Kaposi e da pele não melanoma as variáveis não foram significativas.