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Turismo e desenvolvimento sustentáveis : Cabo Verde-pós-colonial

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Cabo Verde, sendo um PEI, arquipelágico e relativamente isolado no Atlântico médio, por estar geograficamente localizado na costa ocidental da África, sob a influência do Sahel, dotado de parcos recursos naturais, financeiros e humanos, aprendeu, ao longo dos mais de cinco séculos e meio da sua curta história, a encontrar, exogenamente, a solução (de recurso) para os seus críticos problemas de vulnerabilidade endógena. Graças a este exigente perfil herdado e, posteriormente, reconstruído, os caboverdianos aprenderam a fazer da fraqueza força. Assim, em trinta e três dos seus quarenta e cinco anos de construção “autónoma” do seu próprio destino, Cabo Verde conseguiu, a graduação de um país inviável para um PDM – País de Rendimento Médio, tendo, ainda, no seio da “Ambição 2030”, a expetativa de chegar a PD – País Desenvolvido. Esta rápida ascensão deste PEI1, por muitos considerada como um autêntico milagre, foi largamente alicerçada pelo seu setor turístico, uma das referências na Macaronésia. Pelos efeitos diretos, indiretos e induzidos associados, o turismo foi, naturalmente, eleito pelos sucessivos governos da segunda república, como sendo o motor do desenvolvimento nacional, tendo experimentado um crescimento exponencial, transformando-se, corolariamente, no centro de gravitação de toda uma economia, de toda uma sociedade, responsabilizando-se, segundo BCV (2020) e INE-CV (2020), autonomamente, por 25% de toda a riqueza nacional e 9% da totalidade dos empregos gerados em 2019. Sendo, segundo o Travel & Tourism Competitiveness Report de 2019, o 88.º destino turístico mais competitivo do mundo, 6.º a nível da África e o 1.º no contexto da CEDEAO, Cabo Verde é, paradoxalmente, confrontada com uma teia de gritantes problemas intra e intersetoriais, os quais, vêm abrir um necessário debate sobre uma hipotética dicotomia entre a competitividade e a sustentabilidade do país, do setor turístico e dos agentes económicos. É na sede deste desafiante debate entre o curto, o médio e o longo prazos que reside a fundamentação e a metodologia para a presente investigação científica, procurando, ao longo dos quatro capítulos desta tese, através da revisão de literatura, estudos comparados no horizonte 1991-2020, mormente na Macaronésia, inquéritos por questionário e entrevistas, convidar especialistas, políticos, operadores, visitantes e visitados, para uma análise conjunta, objetivando identificar os pontos fortes e fracos que serviram de alicerce na edificação deste emergente destino turístico, bem como as oportunidades e ameaças potenciais que, emanando, do atual modelo de desenvolvimento turístico cabo-verdiano, possam garantir, a este PEI, o necessário foco local para cumprir os ambiciosos ODS.
Autores principais:Monteiro, José Luís Mascarenhas
Assunto:Turismo Cabo Verde Competitividade Sustentabilidade Desenvolvimento Tourism Cape Verde Competitiveness Sustainability Development
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Cabo Verde, sendo um PEI, arquipelágico e relativamente isolado no Atlântico médio, por estar geograficamente localizado na costa ocidental da África, sob a influência do Sahel, dotado de parcos recursos naturais, financeiros e humanos, aprendeu, ao longo dos mais de cinco séculos e meio da sua curta história, a encontrar, exogenamente, a solução (de recurso) para os seus críticos problemas de vulnerabilidade endógena. Graças a este exigente perfil herdado e, posteriormente, reconstruído, os caboverdianos aprenderam a fazer da fraqueza força. Assim, em trinta e três dos seus quarenta e cinco anos de construção “autónoma” do seu próprio destino, Cabo Verde conseguiu, a graduação de um país inviável para um PDM – País de Rendimento Médio, tendo, ainda, no seio da “Ambição 2030”, a expetativa de chegar a PD – País Desenvolvido. Esta rápida ascensão deste PEI1, por muitos considerada como um autêntico milagre, foi largamente alicerçada pelo seu setor turístico, uma das referências na Macaronésia. Pelos efeitos diretos, indiretos e induzidos associados, o turismo foi, naturalmente, eleito pelos sucessivos governos da segunda república, como sendo o motor do desenvolvimento nacional, tendo experimentado um crescimento exponencial, transformando-se, corolariamente, no centro de gravitação de toda uma economia, de toda uma sociedade, responsabilizando-se, segundo BCV (2020) e INE-CV (2020), autonomamente, por 25% de toda a riqueza nacional e 9% da totalidade dos empregos gerados em 2019. Sendo, segundo o Travel & Tourism Competitiveness Report de 2019, o 88.º destino turístico mais competitivo do mundo, 6.º a nível da África e o 1.º no contexto da CEDEAO, Cabo Verde é, paradoxalmente, confrontada com uma teia de gritantes problemas intra e intersetoriais, os quais, vêm abrir um necessário debate sobre uma hipotética dicotomia entre a competitividade e a sustentabilidade do país, do setor turístico e dos agentes económicos. É na sede deste desafiante debate entre o curto, o médio e o longo prazos que reside a fundamentação e a metodologia para a presente investigação científica, procurando, ao longo dos quatro capítulos desta tese, através da revisão de literatura, estudos comparados no horizonte 1991-2020, mormente na Macaronésia, inquéritos por questionário e entrevistas, convidar especialistas, políticos, operadores, visitantes e visitados, para uma análise conjunta, objetivando identificar os pontos fortes e fracos que serviram de alicerce na edificação deste emergente destino turístico, bem como as oportunidades e ameaças potenciais que, emanando, do atual modelo de desenvolvimento turístico cabo-verdiano, possam garantir, a este PEI, o necessário foco local para cumprir os ambiciosos ODS.