Publicação
Neoplasias sinonasais caninas : revisão bibliográfica e estudo de casos
| Resumo: | As neoplasias sinonasais caninas são raras constituindo cerca de 1 a 2% de todas as neoplasias caninas. A maioria dos tumores com origem na cavidade nasal ou seios paranasais são malignos. Os carcinomas representam a maioria das neoplasias sinonasais no cão, sendo o adenocarcinoma o tumor mais comum. Independentemente do tipo histológico, a invasão das estruturas envolventes é extensa e ocorre frequente e rapidamente, com rara metastização sistémica. O diagnóstico é um desafio - as limitações anatómicas são dificilmente contornáveis e as infeções secundárias poderão mascarar o processo. Como a invasão óssea ocorre numa fase precoce do processo, o recurso a cirurgia com intenção curativa é poucas vezes equacionado. Deste modo, o tratamento é direcionado para o controlo da doença local, sendo a radioterapia o tratamento preferencial. Contudo muitas dúvidas persistem sobre o método ideal de estadiamento e o protocolo radioterápico de eleição. Com recurso a radioterapia os tempos de sobrevivência variam entre 8 e 14 meses. Num país em que esta opção não está disponível, o recurso a diferentes estratégias terapêuticas, como a quimioterapia, torna-se essencial para prolongar o tempo e a qualidade de vida de pacientes com neoplasias intranasais. Até à data são escassos os estudos que referem o uso de quimioterapia como abordagem terapêutica única no tratamento das neoplasias sinonasais caninas. Este trabalho tem por objetivo analisar o tempo médio de sobrevivência e as características epidemiológicas de uma população de canídeos diagnosticados com neoplasias sinonasais e tratados com quimioterapia. O estudo engloba dez casos clínicos de neoplasias sinonasais caninas cujo diagnóstico foi confirmado por citologia e/ou histopatologia. Foram incluídos casos cujo tratamento farmacológico consistiu em administrações de doxorrubicina, carboplatina e ciclofosfamida em protocolos combinados ou como agentes quimioterápicos únicos. Os resultados obtidos permitiram verificar que a sobrevivência média dos canídeos em estudo foi de 408 dias (aproximadamente 13,6 meses). Estes resultados são animadores principalmente quando comparados com TMS (tempo médio de sobrevivência) descritos em estudos cujos pacientes não tiveram acesso a qualquer tipo de tratamento. O valor do TMS descrito neste estudo é comparável a valores identificados em alguns dos estudos em que se recorre a radioterapia com intenção curativa, embora calculado com base numa amostra mais pequena e baseado num desenho experimental retrospetivo. Os efeitos secundários associados ao tratamento quimioterápico foram bem tolerados tendo sido resolvidos com tratamento de suporte. Conclui-se que a quimioterapia poderá ser uma alternativa razoável à radioterapia no tratamento de tumores sinonasais em cães quando a mesma não está disponível e poderá prolongar o TMS quando comparado com cães com neoplasias sinonasais não submetidos a tratamento. As características epidemiológicas (género, raça, idade de apresentação, estadiamento e diagnóstico histológico) encontram-se em acordo com estudos anteriores. |
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| Autores principais: | Leal, Sofia Mafalda Ramos |
| Assunto: | Cão Neoplasia Sinonasal Intranasal Dog Tumor Nasosinal |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As neoplasias sinonasais caninas são raras constituindo cerca de 1 a 2% de todas as neoplasias caninas. A maioria dos tumores com origem na cavidade nasal ou seios paranasais são malignos. Os carcinomas representam a maioria das neoplasias sinonasais no cão, sendo o adenocarcinoma o tumor mais comum. Independentemente do tipo histológico, a invasão das estruturas envolventes é extensa e ocorre frequente e rapidamente, com rara metastização sistémica. O diagnóstico é um desafio - as limitações anatómicas são dificilmente contornáveis e as infeções secundárias poderão mascarar o processo. Como a invasão óssea ocorre numa fase precoce do processo, o recurso a cirurgia com intenção curativa é poucas vezes equacionado. Deste modo, o tratamento é direcionado para o controlo da doença local, sendo a radioterapia o tratamento preferencial. Contudo muitas dúvidas persistem sobre o método ideal de estadiamento e o protocolo radioterápico de eleição. Com recurso a radioterapia os tempos de sobrevivência variam entre 8 e 14 meses. Num país em que esta opção não está disponível, o recurso a diferentes estratégias terapêuticas, como a quimioterapia, torna-se essencial para prolongar o tempo e a qualidade de vida de pacientes com neoplasias intranasais. Até à data são escassos os estudos que referem o uso de quimioterapia como abordagem terapêutica única no tratamento das neoplasias sinonasais caninas. Este trabalho tem por objetivo analisar o tempo médio de sobrevivência e as características epidemiológicas de uma população de canídeos diagnosticados com neoplasias sinonasais e tratados com quimioterapia. O estudo engloba dez casos clínicos de neoplasias sinonasais caninas cujo diagnóstico foi confirmado por citologia e/ou histopatologia. Foram incluídos casos cujo tratamento farmacológico consistiu em administrações de doxorrubicina, carboplatina e ciclofosfamida em protocolos combinados ou como agentes quimioterápicos únicos. Os resultados obtidos permitiram verificar que a sobrevivência média dos canídeos em estudo foi de 408 dias (aproximadamente 13,6 meses). Estes resultados são animadores principalmente quando comparados com TMS (tempo médio de sobrevivência) descritos em estudos cujos pacientes não tiveram acesso a qualquer tipo de tratamento. O valor do TMS descrito neste estudo é comparável a valores identificados em alguns dos estudos em que se recorre a radioterapia com intenção curativa, embora calculado com base numa amostra mais pequena e baseado num desenho experimental retrospetivo. Os efeitos secundários associados ao tratamento quimioterápico foram bem tolerados tendo sido resolvidos com tratamento de suporte. Conclui-se que a quimioterapia poderá ser uma alternativa razoável à radioterapia no tratamento de tumores sinonasais em cães quando a mesma não está disponível e poderá prolongar o TMS quando comparado com cães com neoplasias sinonasais não submetidos a tratamento. As características epidemiológicas (género, raça, idade de apresentação, estadiamento e diagnóstico histológico) encontram-se em acordo com estudos anteriores. |
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