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Acidente vascular cerebral isquémico e o rácio CD4/CD8 em indivíduos VIH positivos : um estudo retrospetivo no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O objetivo deste estudo é determinar o eventual impacto da infeção por vírus da imunodeficiência humana (VIH) na ocorrência do acidente vascular cerebral isquémico (AVCi), avaliando ainda a im-portância circunstancial do rácio entre as subpopulações linfocitárias T CD4+ e T CD8+ (rácio CD4/CD8) no desenvolvimento deste evento. Tipo de estudo Estudo observacional, retrospetivo, realizado no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) Métodos Foi analisada uma população de 6.446 indivíduos com o diagnóstico principal de AVCi após inter-namento no CHULN, entre 1 de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2016, tendo sido definidas duas subpopulações:  Grupo 1: indivíduos não infetados por VIH (VIH–), considerado o grupo controlo: n = 6.395;  Grupo 2: indivíduos portadores deste vírus (VIH+): n = 51. O Grupo 2 foi ainda dividido em subgrupos de acordo com o rácio CD4/CD8 (< 0,4; 0,4 a 1; ≥ 1). Foram realizados testes t à igualdade de médias e utilizados modelos lineares generalizados para testar os efeitos conjuntos das variáveis em análise. Resultados A idade média de ocorrência do AVCi no Grupo 2 foi de menos 12,2 anos (p < 0,001) face ao Grupo 1. Nesta coorte, os indivíduos do Grupo 2 apresentaram menor incidência de hipertensão arterial (p = 0,002), dislipidémia (p = 0,007) e diabetes mellitus (p = 0,004) em relação aos doentes do Grupo 1. Foi realizada uma análise de variância multicritério (ajustada para o rácio CD4/CD8, idade, sexo, hipertensão arterial, dislipidémia e diabetes mellitus) que confirmou a associação independente entre um rácio CD4/CD8 baixo e a idade precoce do AVCi no Grupo 2, cerca de 9,3 anos mais cedo no subgrupo com um rácio CD4/CD8 < 0,4 em comparação com o subgrupo de rácio normalizado, CD4/CD8 ≥ 1 (p = 0,0366). Para além da idade, não se observaram correlações para as restantes vari-áveis entre os 3 subgrupos deste rácio. Conclusões A ocorrência de AVCi na população VIH+ antecede em cerca de 12 anos a idade média destes eventos na população VIH–, apesar desta última apresentar maior incidência dos fatores de risco tradi-cionais para este evento. Na subpopulação VIH+, o rácio CD4/CD8 encontra-se associado de forma independente com a idade de ocorrência do AVCi, sendo os indivíduos que evidenciaram um rácio CD4/CD8 < 0,4 os que apresentam um maior risco de ocorrência de AVCi em idades mais precoces (menos 9,3 anos face aos indivíduos com rácio ≥ 1). Estes resultados podem sugerir que uma normalização do rácio poderá retardar a ocorrência do AVCi no tempo de vida destes indivíduos.
Autores principais:Moreira, Sara França
Assunto:AVC isquémico VIH Rácio CD4/CD8 Imunossenescência
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objetivo deste estudo é determinar o eventual impacto da infeção por vírus da imunodeficiência humana (VIH) na ocorrência do acidente vascular cerebral isquémico (AVCi), avaliando ainda a im-portância circunstancial do rácio entre as subpopulações linfocitárias T CD4+ e T CD8+ (rácio CD4/CD8) no desenvolvimento deste evento. Tipo de estudo Estudo observacional, retrospetivo, realizado no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) Métodos Foi analisada uma população de 6.446 indivíduos com o diagnóstico principal de AVCi após inter-namento no CHULN, entre 1 de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2016, tendo sido definidas duas subpopulações:  Grupo 1: indivíduos não infetados por VIH (VIH–), considerado o grupo controlo: n = 6.395;  Grupo 2: indivíduos portadores deste vírus (VIH+): n = 51. O Grupo 2 foi ainda dividido em subgrupos de acordo com o rácio CD4/CD8 (< 0,4; 0,4 a 1; ≥ 1). Foram realizados testes t à igualdade de médias e utilizados modelos lineares generalizados para testar os efeitos conjuntos das variáveis em análise. Resultados A idade média de ocorrência do AVCi no Grupo 2 foi de menos 12,2 anos (p < 0,001) face ao Grupo 1. Nesta coorte, os indivíduos do Grupo 2 apresentaram menor incidência de hipertensão arterial (p = 0,002), dislipidémia (p = 0,007) e diabetes mellitus (p = 0,004) em relação aos doentes do Grupo 1. Foi realizada uma análise de variância multicritério (ajustada para o rácio CD4/CD8, idade, sexo, hipertensão arterial, dislipidémia e diabetes mellitus) que confirmou a associação independente entre um rácio CD4/CD8 baixo e a idade precoce do AVCi no Grupo 2, cerca de 9,3 anos mais cedo no subgrupo com um rácio CD4/CD8 < 0,4 em comparação com o subgrupo de rácio normalizado, CD4/CD8 ≥ 1 (p = 0,0366). Para além da idade, não se observaram correlações para as restantes vari-áveis entre os 3 subgrupos deste rácio. Conclusões A ocorrência de AVCi na população VIH+ antecede em cerca de 12 anos a idade média destes eventos na população VIH–, apesar desta última apresentar maior incidência dos fatores de risco tradi-cionais para este evento. Na subpopulação VIH+, o rácio CD4/CD8 encontra-se associado de forma independente com a idade de ocorrência do AVCi, sendo os indivíduos que evidenciaram um rácio CD4/CD8 < 0,4 os que apresentam um maior risco de ocorrência de AVCi em idades mais precoces (menos 9,3 anos face aos indivíduos com rácio ≥ 1). Estes resultados podem sugerir que uma normalização do rácio poderá retardar a ocorrência do AVCi no tempo de vida destes indivíduos.