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Fígado gordo não-alcoólico e a infeção por VIH

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Resumo:O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) continua a ser um problema a nível de mundial, existindo cerca de 37.6 milhões de pessoas infetadas em 2020. Atualmente, há um esforço para a prevenção, diagnóstico e tratamento precoce com terapêutica antirretroviral combinada (TARc) que se traduz numa redução da mortalidade. Contudo, tem-se verificado um aumento de morbimortalidade por outras etiologias não diretamente relacionadas com o VIH, nomeadamente o Fígado Gordo Não-Alcoólico (FGNA). O FGNA surge como patologia de interesse, principalmente após o aparecimento de uma terapêutica eficaz para a Hepatite C. Nesta população, a sua prevalência é de 35%, muito superior aos 25% da população em geral. Para esta discrepância, contribuem os mecanismos inerentes à população em que se destacam os componentes do Síndrome Metabólico. Para além destes, a própria infeção por VIH é fator de risco que leva a um estado pró-inflamatório e de fibrose permanente e a uma a disfunção da barreira endotelial. Apesar dos elementos da TARc estarem cada vez menos hepatotóxicos, estes ainda estão associados a um risco aumentado de desenvolvimento e progressão de FGNA, principalmente os Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa e os Inibidores da Protease, através de mecanismos de disfunção celular e de alterações metabólicas ainda não totalmente esclarecidos. O gold standard para o diagnóstico de FGNA é a Biopsia Hepática. Contudo, deve preferir-se uma abordagem inicial por métodos imagiológicos não invasivos ou por métodos bioquímicos/scores de variáveis combinadas que permitem estratificar o grau e prognóstico da doença. Na abordagem terapêutica, a abordagem primordial é a alteração dos estilos de vida. Para além disso, os elementos constituintes da TARc devem ser cuidadosamente selecionados. Em estudo, encontram-se fármacos dirigidos para o FGNA que, no futuro, talvez possam ser utilizados nesta na população VIH.
Autores principais:Saraiva, Patrícia Portela de Oliveira Mota
Assunto:Fígado gordo não-alcoólico Vírus da imunodeficiência humana Terapêutica antirretroviral combinada Síndrome metabólico Obesidade
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) continua a ser um problema a nível de mundial, existindo cerca de 37.6 milhões de pessoas infetadas em 2020. Atualmente, há um esforço para a prevenção, diagnóstico e tratamento precoce com terapêutica antirretroviral combinada (TARc) que se traduz numa redução da mortalidade. Contudo, tem-se verificado um aumento de morbimortalidade por outras etiologias não diretamente relacionadas com o VIH, nomeadamente o Fígado Gordo Não-Alcoólico (FGNA). O FGNA surge como patologia de interesse, principalmente após o aparecimento de uma terapêutica eficaz para a Hepatite C. Nesta população, a sua prevalência é de 35%, muito superior aos 25% da população em geral. Para esta discrepância, contribuem os mecanismos inerentes à população em que se destacam os componentes do Síndrome Metabólico. Para além destes, a própria infeção por VIH é fator de risco que leva a um estado pró-inflamatório e de fibrose permanente e a uma a disfunção da barreira endotelial. Apesar dos elementos da TARc estarem cada vez menos hepatotóxicos, estes ainda estão associados a um risco aumentado de desenvolvimento e progressão de FGNA, principalmente os Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa e os Inibidores da Protease, através de mecanismos de disfunção celular e de alterações metabólicas ainda não totalmente esclarecidos. O gold standard para o diagnóstico de FGNA é a Biopsia Hepática. Contudo, deve preferir-se uma abordagem inicial por métodos imagiológicos não invasivos ou por métodos bioquímicos/scores de variáveis combinadas que permitem estratificar o grau e prognóstico da doença. Na abordagem terapêutica, a abordagem primordial é a alteração dos estilos de vida. Para além disso, os elementos constituintes da TARc devem ser cuidadosamente selecionados. Em estudo, encontram-se fármacos dirigidos para o FGNA que, no futuro, talvez possam ser utilizados nesta na população VIH.