Publicação
Famílias em risco e perigo – Perspetivas e vivências de técnicos sobre recuperação familiar
| Resumo: | A parentalidade de risco e perigo é indissociável de um funcionamento familiar marcadamente disfuncional e encontra-se frequentemente relacionada com contextos familiares em situação de desvantagem económica e social. Estas famílias são frequentemente direcionadas para programas interventivos que visam desenvolver competências parentais, alterar padrões de disfuncionalidade e reduzir a probabilidade de abuso e/ou negligência, primando pela preservação da criança em meio natural de vida. Apesar da vasta literatura sobre intervenções centradas na família, são escassos os estudos qualitativos, em particular, os centrados na compreensão da recuperação familiar embora constituam uma fonte fundamental de informação e reflexão para os serviços de proteção da criança. O presente estudo, exploratório e seguindo uma abordagem metodológica qualitativa, foi concebido com o intuito de aprofundar o conhecimento científico acerca do conceito de recuperação familiar, segundo o entendimento dos técnicos que trabalham com estas famílias. Neste sentido, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a 24 técnicos das Equipas de Intervenção Familiar da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que trabalham com famílias em risco e/ou perigo. Os dados recolhidos foram posteriormente analisados através de uma Análise Temática, com recurso ao programa de análise de dados qualitativos, NVivo. Os resultados sugerem que os técnicos associam a recuperação familiar ao processo de mudança das famílias, caraterizado por continuidade e não-linearidade e ocorrendo passo a passo. Este processo é marcado sobretudo pela redução ou eliminação de vulnerabilidades, risco e perigo, pela autonomização das famílias e pelo ajustamento e bem-estar das crianças. Existem múltiplos fatores que influenciam a recuperação das famílias, sendo particularmente sublinhados os fatores familiares e do sistema de intervenção. Constituem indicadores centrais de não recuperação a ausência de mudanças ao longo do tempo, a baixa motivação para a mudança e a fraca capacidade reflexiva das famílias. Apesar da emocionalidade negativa associada ao trabalho com as famílias em risco e perigo, os profissionais revelam uma atitude positiva marcada pela convicção nas potencialidades das famílias e na sua recuperação. O presente estudo poderá constituir uma fonte útil de informação e reflexão para os profissionais e serviços de promoção e proteção das crianças. |
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| Autores principais: | Santos, Mariana Valério |
| Assunto: | Intervenção Processo de mudança Desigualdade socioeconómica - Portugal Famílias em risco Dissertações de mestrado - 2022 |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A parentalidade de risco e perigo é indissociável de um funcionamento familiar marcadamente disfuncional e encontra-se frequentemente relacionada com contextos familiares em situação de desvantagem económica e social. Estas famílias são frequentemente direcionadas para programas interventivos que visam desenvolver competências parentais, alterar padrões de disfuncionalidade e reduzir a probabilidade de abuso e/ou negligência, primando pela preservação da criança em meio natural de vida. Apesar da vasta literatura sobre intervenções centradas na família, são escassos os estudos qualitativos, em particular, os centrados na compreensão da recuperação familiar embora constituam uma fonte fundamental de informação e reflexão para os serviços de proteção da criança. O presente estudo, exploratório e seguindo uma abordagem metodológica qualitativa, foi concebido com o intuito de aprofundar o conhecimento científico acerca do conceito de recuperação familiar, segundo o entendimento dos técnicos que trabalham com estas famílias. Neste sentido, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a 24 técnicos das Equipas de Intervenção Familiar da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que trabalham com famílias em risco e/ou perigo. Os dados recolhidos foram posteriormente analisados através de uma Análise Temática, com recurso ao programa de análise de dados qualitativos, NVivo. Os resultados sugerem que os técnicos associam a recuperação familiar ao processo de mudança das famílias, caraterizado por continuidade e não-linearidade e ocorrendo passo a passo. Este processo é marcado sobretudo pela redução ou eliminação de vulnerabilidades, risco e perigo, pela autonomização das famílias e pelo ajustamento e bem-estar das crianças. Existem múltiplos fatores que influenciam a recuperação das famílias, sendo particularmente sublinhados os fatores familiares e do sistema de intervenção. Constituem indicadores centrais de não recuperação a ausência de mudanças ao longo do tempo, a baixa motivação para a mudança e a fraca capacidade reflexiva das famílias. Apesar da emocionalidade negativa associada ao trabalho com as famílias em risco e perigo, os profissionais revelam uma atitude positiva marcada pela convicção nas potencialidades das famílias e na sua recuperação. O presente estudo poderá constituir uma fonte útil de informação e reflexão para os profissionais e serviços de promoção e proteção das crianças. |
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