Publicação
Identificação e quantificação de novas substâncias psicoativas em material apreendido em Portugal
| Resumo: | O presente trabalho foi desenvolvido no âmbito da colaboração entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e o Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária (LPC-PJ), com vista ao estudo das novas substâncias psicoativas (NSP). As NSP são substâncias não abrangidas pelas Convenções das Nações Unidas sobre os Estupefacientes e Substâncias Psicotrópicas, mas que podem colocar riscos sociais ou para a saúde. O aparecimento destas substâncias levou à formação de um fenómeno que se vem difundindo a uma taxa sem precedentes, representando um desafio em constante evolução que acarreta graves riscos para a saúde em geral. As catinonas sintéticas são o segundo maior grupo de NSP monitorizadas pelo Observatório Europeu de Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), estando quimicamente relacionadas com a catinona, um estimulante psicoativo que ocorre na planta Khat (Catha edulis). Contrariamente ao que acontece para as drogas clássicas, são escassos os estudos sobre a identificação e quantificação de catinonas sintéticas, sendo que o rápido surgimento de novas moléculas, bem como a sua propagação no mercado ilícito, dificulta o trabalho dos analistas, não existindo por vezes técnicas que permitam uma resposta tão rápida quanto desejável. Nesse sentido, no âmbito de uma ação pró-ativa, surgiu a importância da validação de um método de quantificação de catinonas sintéticas, que não são consideradas “de consumo mais frequente” ao abrigo da Portaria n.º 94/96, de 26 de Março, pelo que atualmente não são quantificadas. No entanto, tendo em conta a sua crescente difusão passarão, muito provavelmente, no futuro, a ser consideradas “de consumo mais frequente” e, consequentemente, terão que ser quantificadas. O método desenvolvido teve como base o procedimento de rotina do LPC-PJ aplicado para quantificação das substâncias ilícitas descritas na referida Portaria. Deste modo, foi desenvolvida uma metodologia de GC-FID para aplicação na quantificação das 3 catinonas sintéticas: mefedrona, metilona e MDPV (3,4-metilenodioxipirovalerona). A seleção foi feita em virtude de estas 3 substâncias terem sido recentemente consideradas drogas ilícitas e introduzidas na legislação portuguesa sobre drogas (Decreto-Lei n.º 15/93, de 22 de Janeiro). A validação englobou duas fases de extrema importância: a calibração do método e a estimativa da incerteza associada ao resultado. Para tal, foi necessário sintetizar a metilona, e caracterizar as 3 substâncias em estudo com recurso a diversas técnicas analíticas (GC-MS, GC-FID, RMN), assim como 21 outros padrões de catinonas sintéticas, e 5 outras substâncias, que poderiam funcionar como possíveis interferentes da metodologia em desenvolvimento, resultando num total de 450 análises. De modo a facilitar a aplicação da abordagem utilizada para estimar a incerteza global associada ao resultado, foram implementadas 3 folhas de cálculo, uma para cada catinona em estudo, tendo por base o método numérico de Kragten. Por último foi verificada a compatibilidade metrológica da metodologia em desenvolvimento e a sua aplicação a 4 amostras reais de material proveniente de uma “SmartShop”. Os resultados mostraram que o método é simples, rápido, eficaz e de custos reduzidos, originando resultados com um grau de incerteza baixo, permitindo a quantificação das catinonas sintéticas selecionadas em amostras de material apreendido em Portugal, quando não existem interferentes, estando a metodologia pronta a ser aplicada nos trabalhos de rotina do LPC-PJ. De salientar que neste trabalho foram ainda identificadas substâncias de abuso em material apreendido em Portugal para a resolução de casos judiciais. Neste âmbito, foram analisadas 57 amostras de diversas matrizes (pós, matrizes herbais, comprimidos, soluções líquidas, microselos e autocolantes, resíduos de comida, animais, vinho e torrões de açúcar), através de diversas metodologias analíticas (testes colorimétricos, TLC, CC, GC-MS, GC-FID, RMN, MS e FTIR), que permitiram a identificação de 26 substâncias psicoativas, evidenciando a complementaridade das várias técnicas, com vista à identificação inequívoca e a uma correta monitorização das substâncias. |
|---|---|
| Autores principais: | Sequeira, Margarida Maria Maniés |
| Assunto: | NSP Catinonas sintéticas Quantificação GC-FID Validação Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente trabalho foi desenvolvido no âmbito da colaboração entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e o Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária (LPC-PJ), com vista ao estudo das novas substâncias psicoativas (NSP). As NSP são substâncias não abrangidas pelas Convenções das Nações Unidas sobre os Estupefacientes e Substâncias Psicotrópicas, mas que podem colocar riscos sociais ou para a saúde. O aparecimento destas substâncias levou à formação de um fenómeno que se vem difundindo a uma taxa sem precedentes, representando um desafio em constante evolução que acarreta graves riscos para a saúde em geral. As catinonas sintéticas são o segundo maior grupo de NSP monitorizadas pelo Observatório Europeu de Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), estando quimicamente relacionadas com a catinona, um estimulante psicoativo que ocorre na planta Khat (Catha edulis). Contrariamente ao que acontece para as drogas clássicas, são escassos os estudos sobre a identificação e quantificação de catinonas sintéticas, sendo que o rápido surgimento de novas moléculas, bem como a sua propagação no mercado ilícito, dificulta o trabalho dos analistas, não existindo por vezes técnicas que permitam uma resposta tão rápida quanto desejável. Nesse sentido, no âmbito de uma ação pró-ativa, surgiu a importância da validação de um método de quantificação de catinonas sintéticas, que não são consideradas “de consumo mais frequente” ao abrigo da Portaria n.º 94/96, de 26 de Março, pelo que atualmente não são quantificadas. No entanto, tendo em conta a sua crescente difusão passarão, muito provavelmente, no futuro, a ser consideradas “de consumo mais frequente” e, consequentemente, terão que ser quantificadas. O método desenvolvido teve como base o procedimento de rotina do LPC-PJ aplicado para quantificação das substâncias ilícitas descritas na referida Portaria. Deste modo, foi desenvolvida uma metodologia de GC-FID para aplicação na quantificação das 3 catinonas sintéticas: mefedrona, metilona e MDPV (3,4-metilenodioxipirovalerona). A seleção foi feita em virtude de estas 3 substâncias terem sido recentemente consideradas drogas ilícitas e introduzidas na legislação portuguesa sobre drogas (Decreto-Lei n.º 15/93, de 22 de Janeiro). A validação englobou duas fases de extrema importância: a calibração do método e a estimativa da incerteza associada ao resultado. Para tal, foi necessário sintetizar a metilona, e caracterizar as 3 substâncias em estudo com recurso a diversas técnicas analíticas (GC-MS, GC-FID, RMN), assim como 21 outros padrões de catinonas sintéticas, e 5 outras substâncias, que poderiam funcionar como possíveis interferentes da metodologia em desenvolvimento, resultando num total de 450 análises. De modo a facilitar a aplicação da abordagem utilizada para estimar a incerteza global associada ao resultado, foram implementadas 3 folhas de cálculo, uma para cada catinona em estudo, tendo por base o método numérico de Kragten. Por último foi verificada a compatibilidade metrológica da metodologia em desenvolvimento e a sua aplicação a 4 amostras reais de material proveniente de uma “SmartShop”. Os resultados mostraram que o método é simples, rápido, eficaz e de custos reduzidos, originando resultados com um grau de incerteza baixo, permitindo a quantificação das catinonas sintéticas selecionadas em amostras de material apreendido em Portugal, quando não existem interferentes, estando a metodologia pronta a ser aplicada nos trabalhos de rotina do LPC-PJ. De salientar que neste trabalho foram ainda identificadas substâncias de abuso em material apreendido em Portugal para a resolução de casos judiciais. Neste âmbito, foram analisadas 57 amostras de diversas matrizes (pós, matrizes herbais, comprimidos, soluções líquidas, microselos e autocolantes, resíduos de comida, animais, vinho e torrões de açúcar), através de diversas metodologias analíticas (testes colorimétricos, TLC, CC, GC-MS, GC-FID, RMN, MS e FTIR), que permitiram a identificação de 26 substâncias psicoativas, evidenciando a complementaridade das várias técnicas, com vista à identificação inequívoca e a uma correta monitorização das substâncias. |
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