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Proteómica diferencial da polineuropatia amiloidótica familiar: para além da genética

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Resumo:A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é uma doença hereditária e degenerativa autossómica dominante que constitui um paradigma na forma exemplar como tem sido descrita e estudada nas suas múltiplas vertentes, incluindo a abordagem terapêutica. Porém, como consequência de uma aprendizagem cumulativa e de observações fenotípicas que não encontram explicação na simples ocorrência de mutações pontuais na cadeia polipeptídica da Transtirretina (TTR), cada vez mais se sente a necessidade de ruptura do modelo actual de patogénese desta doença, caracterizada pela formação e deposição de fibras amilóides cujo principal componente é a TTR. Virado para criação de um novo paradigma mais abrangente da PAF, o presente trabalho apostou numa abordagem proteómica comparativa entre os vários estados de progressão da Paramiloidose, para o qual utilizou amostras de plasma de indivíduos portadores heterozigóticos da mutação V30M assintomáticos, com manifestações clínicas da PAF e não portadores de mutações conhecidas da TTR. Foram também utilizadas amostras de plasma de pacientes que - por possuírem doença hepática grave - receberam um fígado PAF (DLTs) e de doentes PAF que receberam um fígado wild-type (CTLs). O trabalho desenvolvido mostrou inequivocamente que a relação da TTR wild-type com o mutante V30M (60 vs 40% em circulação) não varia com a progressão da doença, e foi ainda confirmado o envolvimento da glicação na PAF, a qual apresenta um padrão específico que se encontra exclusivamente aumentado em doentes PAF não transplantados e DLTs. Por outro lado, também se observou uma expressão aumentada de um dos enzimas que controla os níveis de metilglioxal intracelulares - um dos principais agentes glicantes in vivo - apenas em indivíduos assintomáticos, razão pela qual os níveis de glicação observados foram mais baixos. Deste trabalho resultou ainda a identificação de um conjunto relevante de proteínas no contexto da PAF. Muitas são interactuantes da TTR no plasma e apresentam funções de interesse, como chaperone molecular, e relacionam-se em vários processos biológicos. A execução deste trabalho permite reforçar o envolvimento de factores não genéticos no modelo de patogenese da PAF.
Autores principais:Silva, Ana Cristina Ribeiro da
Assunto:Polineuropatia amiloidótica familiar Transtirretina V30M Portadores assintomáticos Glicação Teses de mestrado - 2011
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF) é uma doença hereditária e degenerativa autossómica dominante que constitui um paradigma na forma exemplar como tem sido descrita e estudada nas suas múltiplas vertentes, incluindo a abordagem terapêutica. Porém, como consequência de uma aprendizagem cumulativa e de observações fenotípicas que não encontram explicação na simples ocorrência de mutações pontuais na cadeia polipeptídica da Transtirretina (TTR), cada vez mais se sente a necessidade de ruptura do modelo actual de patogénese desta doença, caracterizada pela formação e deposição de fibras amilóides cujo principal componente é a TTR. Virado para criação de um novo paradigma mais abrangente da PAF, o presente trabalho apostou numa abordagem proteómica comparativa entre os vários estados de progressão da Paramiloidose, para o qual utilizou amostras de plasma de indivíduos portadores heterozigóticos da mutação V30M assintomáticos, com manifestações clínicas da PAF e não portadores de mutações conhecidas da TTR. Foram também utilizadas amostras de plasma de pacientes que - por possuírem doença hepática grave - receberam um fígado PAF (DLTs) e de doentes PAF que receberam um fígado wild-type (CTLs). O trabalho desenvolvido mostrou inequivocamente que a relação da TTR wild-type com o mutante V30M (60 vs 40% em circulação) não varia com a progressão da doença, e foi ainda confirmado o envolvimento da glicação na PAF, a qual apresenta um padrão específico que se encontra exclusivamente aumentado em doentes PAF não transplantados e DLTs. Por outro lado, também se observou uma expressão aumentada de um dos enzimas que controla os níveis de metilglioxal intracelulares - um dos principais agentes glicantes in vivo - apenas em indivíduos assintomáticos, razão pela qual os níveis de glicação observados foram mais baixos. Deste trabalho resultou ainda a identificação de um conjunto relevante de proteínas no contexto da PAF. Muitas são interactuantes da TTR no plasma e apresentam funções de interesse, como chaperone molecular, e relacionam-se em vários processos biológicos. A execução deste trabalho permite reforçar o envolvimento de factores não genéticos no modelo de patogenese da PAF.