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Adesão à terapêutica anti-retrovírica - VIH: determinação dos principais fatores associados à não-adesão à terapêutica e caracterização dos diferentes perfis de doentes

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Resumo:Introdução: O tratamento anti-retovírico tem contribuído significativamente para a redução da morbilidade e mortalidade em indivíduos infetados pelo VIH, principalmente, a partir de 1996, com a introdução da terapia anti-retroviral combinada (TARc). Todavia, o sucesso do regime terapêutico está fortemente dependente de uma adesão (preferencialmente) ótima. A maioria dos estudos efetuados até à data, aceita como ponto ótimo de coorte, o uso correto de, pelo menos, 95% das doses prescritas. São vários os métodos e recursos já utilizados para avaliar a adesão à terapêutica anti-retrovírica (TAR). Objetivos: O presente estudo procura estimar a prevalência da não-adesão à terapêutica anti-retrovírica, através de questionários efetuados aos doentes e relacionar a não-adesão com características socio-demográficas, biomédicas e psicossociais em adultos infetados com VIH-1. Consequentemente, procura-se caracterizar os diferentes perfis de doentes. Métodos: Foi conduzido um estudo prospetivo, através de uma amostra sistemática de adultos infetados com VIH-1 aos quais foi prescrita a TARc e seguidos no Hospital de Santa Maria, com, pelo menos, uma consulta médica no período de 3 meses (maio-julho 2011). Os doentes foram, posteriormente, entrevistados numa outra consulta médica, num período até 6 meses. A adesão à terapêutica foi avaliada através do questionário Adults AIDS Clinical Trials Group Adherence questionnaire (AACTG). Os factores relacionados com o doente foram avaliados através de um questionário específico, o qual inclui o Questionário da Perceção da Doença (IPQ-R), o Questionário de Crenças sobre a medicação e as escalas de Satisfação com o Suporte Social e a de Depressão, Ansiedade e Stress. Os doentes foram classificados como não aderentes se apresentavam, pelo menos, uma falha na toma da medicação no último fim de semana, nos 4 dias anteriores do questionário ou nos últimos 30 dias que antecederam o mesmo. Foi utilizado um modelo de regressão logística para identificar os fatores associados à não-adesão. O nível de significância utilizado foi de α=0,05. Posteriormente, foi utilizada a técnica multivariada de Análise de Correspondências Múltiplas com o mesmo objetivo. Resultados: De 306 doentes que se apresentaram na consulta do período de 3 meses após o início da terapêutica, 198 (64,7%) mostraram-se elegíveis no consulta inicial, respondendo ao questionário na totalidade e, de entre estes, 177 completaram o questionário na consulta de seguimento. Os participantes apresentaram uma idade de 48,4+/-10,1 anos, 76,3% homens e encontravam-se na terapêutica à 122,1 +/- 63,95 meses. 86 doentes (48,6%) foram classificados como não aderentes. Foram incluídos no modelo de regressão logística 177 participantes. O nível de ansiedade, o facto do indivíduo morar sozinho, o controlo do tratamento, a situação clínica no momento da entrevista, as preocupações em relação aos fármacos e o facto do participante ser binge drinker mostraram-se independentemente associados à não-adesão (p≤0,05). Conclusões: A não adesão à TARc é altamente prevalente nesta amostra de adultos infetados com VIH-1. Foram identificadas variáveis relacionadas com a não-adesão, pelo que deverão ser alvo de controlo de forma a prevenir o desenvolvimento da resistência a terapêutica.
Autores principais:Marques, João Carlos Proença
Assunto:Infeção VIH /SIDA Regressão logística Análise de correspondências múltiplas Adesão à terapêutica anti-retrovírica Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: O tratamento anti-retovírico tem contribuído significativamente para a redução da morbilidade e mortalidade em indivíduos infetados pelo VIH, principalmente, a partir de 1996, com a introdução da terapia anti-retroviral combinada (TARc). Todavia, o sucesso do regime terapêutico está fortemente dependente de uma adesão (preferencialmente) ótima. A maioria dos estudos efetuados até à data, aceita como ponto ótimo de coorte, o uso correto de, pelo menos, 95% das doses prescritas. São vários os métodos e recursos já utilizados para avaliar a adesão à terapêutica anti-retrovírica (TAR). Objetivos: O presente estudo procura estimar a prevalência da não-adesão à terapêutica anti-retrovírica, através de questionários efetuados aos doentes e relacionar a não-adesão com características socio-demográficas, biomédicas e psicossociais em adultos infetados com VIH-1. Consequentemente, procura-se caracterizar os diferentes perfis de doentes. Métodos: Foi conduzido um estudo prospetivo, através de uma amostra sistemática de adultos infetados com VIH-1 aos quais foi prescrita a TARc e seguidos no Hospital de Santa Maria, com, pelo menos, uma consulta médica no período de 3 meses (maio-julho 2011). Os doentes foram, posteriormente, entrevistados numa outra consulta médica, num período até 6 meses. A adesão à terapêutica foi avaliada através do questionário Adults AIDS Clinical Trials Group Adherence questionnaire (AACTG). Os factores relacionados com o doente foram avaliados através de um questionário específico, o qual inclui o Questionário da Perceção da Doença (IPQ-R), o Questionário de Crenças sobre a medicação e as escalas de Satisfação com o Suporte Social e a de Depressão, Ansiedade e Stress. Os doentes foram classificados como não aderentes se apresentavam, pelo menos, uma falha na toma da medicação no último fim de semana, nos 4 dias anteriores do questionário ou nos últimos 30 dias que antecederam o mesmo. Foi utilizado um modelo de regressão logística para identificar os fatores associados à não-adesão. O nível de significância utilizado foi de α=0,05. Posteriormente, foi utilizada a técnica multivariada de Análise de Correspondências Múltiplas com o mesmo objetivo. Resultados: De 306 doentes que se apresentaram na consulta do período de 3 meses após o início da terapêutica, 198 (64,7%) mostraram-se elegíveis no consulta inicial, respondendo ao questionário na totalidade e, de entre estes, 177 completaram o questionário na consulta de seguimento. Os participantes apresentaram uma idade de 48,4+/-10,1 anos, 76,3% homens e encontravam-se na terapêutica à 122,1 +/- 63,95 meses. 86 doentes (48,6%) foram classificados como não aderentes. Foram incluídos no modelo de regressão logística 177 participantes. O nível de ansiedade, o facto do indivíduo morar sozinho, o controlo do tratamento, a situação clínica no momento da entrevista, as preocupações em relação aos fármacos e o facto do participante ser binge drinker mostraram-se independentemente associados à não-adesão (p≤0,05). Conclusões: A não adesão à TARc é altamente prevalente nesta amostra de adultos infetados com VIH-1. Foram identificadas variáveis relacionadas com a não-adesão, pelo que deverão ser alvo de controlo de forma a prevenir o desenvolvimento da resistência a terapêutica.