Publicação
Apresentação clínica e abordagem terapêutica na Síndrome de Takotsubo
| Resumo: | Introdução: A Síndrome de Takotsubo caracteriza-se por disfunção sistólica aguda e reversível do ventrículo esquerdo, usualmente restrita a uma região específica, comummente o ápex, traduzindo-se em sinais e sintomas que sugerem uma síndrome coronária aguda, sem que exista, no entanto, obstrução coronária causal. Apesar da fisiopatologia não estar esclarecida, existe evidência que atribui um papel central ao eixo neurocardíaco. A abordagem terapêutica não é consensual. Métodos: Procedeu-se à caracterização dos doentes internados no Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria/CHLN com o diagnóstico de Síndrome de Takotsubo entre 2008 e 2017. Foi conduzido um levantamento de variáveis relacionadas com a apresentação clínica, antecedentes, exames complementares, terapêutica e seguimento, que foram sujeitas a processamento estatístico. Os doentes selecionados foram estratificados retrospetivamente quanto ao risco de mortalidade intrahospitalar de acordo com o score desenvolvido pela Sociedade Europeia de Cardiologia. Resultados: Foram incluídos 50 doentes, com idade média de 67,6 anos, 88% do sexo feminino; 72% foram admitidos nos últimos 5 anos e na mesma percentagem foi identificado pelo menos um fator precipitante; 70% preenchiam critérios de alto risco. O tempo de internamento foi de 10 ± 5,8 dias, sem diferenças entre os grupos de alto vs baixo risco; 67% foram medicados de novo com beta-bloqueante, inibidor da enzima conversora da angiotensina ou ambos e a 11% foram prescritos de novo fármacos da classe dos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos; 14% dos doentes faleceram (86% dos quais após a alta), todos eles de alto risco. No entanto, o número de consultas de Cardiologia no primeiro ano foi superior nos doentes de baixo risco. Conclusões: De acordo com os resultados da casuística apresentada, o número de casos diagnosticados parece estar a aumentar. A estratificação de risco poderá ser uma ferramenta útil para a tomada de decisão em relação a alta hospitalar e planeamento do seguimento após esta. |
|---|---|
| Autores principais: | Figueiredo, Maria do Pilar Burillo Simões de Baião |
| Assunto: | Síndrome de Takotsubo Apresentação Terapêutica Seguimento Cardiologia |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A Síndrome de Takotsubo caracteriza-se por disfunção sistólica aguda e reversível do ventrículo esquerdo, usualmente restrita a uma região específica, comummente o ápex, traduzindo-se em sinais e sintomas que sugerem uma síndrome coronária aguda, sem que exista, no entanto, obstrução coronária causal. Apesar da fisiopatologia não estar esclarecida, existe evidência que atribui um papel central ao eixo neurocardíaco. A abordagem terapêutica não é consensual. Métodos: Procedeu-se à caracterização dos doentes internados no Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria/CHLN com o diagnóstico de Síndrome de Takotsubo entre 2008 e 2017. Foi conduzido um levantamento de variáveis relacionadas com a apresentação clínica, antecedentes, exames complementares, terapêutica e seguimento, que foram sujeitas a processamento estatístico. Os doentes selecionados foram estratificados retrospetivamente quanto ao risco de mortalidade intrahospitalar de acordo com o score desenvolvido pela Sociedade Europeia de Cardiologia. Resultados: Foram incluídos 50 doentes, com idade média de 67,6 anos, 88% do sexo feminino; 72% foram admitidos nos últimos 5 anos e na mesma percentagem foi identificado pelo menos um fator precipitante; 70% preenchiam critérios de alto risco. O tempo de internamento foi de 10 ± 5,8 dias, sem diferenças entre os grupos de alto vs baixo risco; 67% foram medicados de novo com beta-bloqueante, inibidor da enzima conversora da angiotensina ou ambos e a 11% foram prescritos de novo fármacos da classe dos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos; 14% dos doentes faleceram (86% dos quais após a alta), todos eles de alto risco. No entanto, o número de consultas de Cardiologia no primeiro ano foi superior nos doentes de baixo risco. Conclusões: De acordo com os resultados da casuística apresentada, o número de casos diagnosticados parece estar a aumentar. A estratificação de risco poderá ser uma ferramenta útil para a tomada de decisão em relação a alta hospitalar e planeamento do seguimento após esta. |
|---|