Publicação
Fear or curiosity: does a shelter help to be courageous?
| Resumo: | O teste de campo aberto (TCA) teve como objetivo inicial relacionar o número de excrementos num espaço aberto com o índice de timidez do animal, a sua atividade locomotora e exploratória. Atualmente, o número de variáveis usadas neste tipo de teste cresceu substancialmente e as suas características são controladas pelo experimentador e ajustadas às espécies e à questão específica, podendo haver assim, uma elevada variabilidade destas. Para além da componente comportamental, também a avaliação hormonal (através de cortisol ou corticoesterona) se tornou num fator a ser levado em conta no estudo do TCA. Uma das diferenças encontradas entre estudos é a presença e ausência de abrigo. Devido a esta diferença, a interpretação dos resultados obtidos a partir do TCA nem sempre é clara. O objetivo deste trabalho foi de determinar a influência da presença/ausência de um abrigo num TCA na ocorrência de comportamentos relacionados com o stress e níveis hormonais em ratinhos selvagens das espécies Mus musculus domesticus e Mus spretus capturados nas zonas de Alenquer, Lisboa e serra de Sintra. Esperava-se que com a presença de um abrigo os níveis de stress diminuíssem e atividade exploratória fosse promovida, em especial na espécie M. spretus, menos habituada a ambientes humanizados e por isso, mais sensível a situações de stress. Os indivíduos pertencentes ao grupo experimental foram expostos ao TCA com e sem abrigo, e o seu comportamento foi registado durante sessões de 10 minutos de duração para cada tratamento. Após cada sessão foi realizada uma colheita de sangue em cada indivíduo, cujo soro foi analisado em relação aos níveis de concentração de cortisol, os dados foram divididos em três grupos: experimental, controlo e baseline. Para a avaliação comportamental, foram escolhidas onze variáveis dependentes: (1) tempo na zona de abrigo/base (2) tempo na zona central, (3) tempo na zona de margem, (4) distância total percorrida, (5) velocidade média, e os comportamentos (6) “ambulation”, (7) “rearing”, (8) “jump”, (9) “grooming”, (10) “manipulation” e (11) “freezing”. Os resultados mostraram que a presença de um abrigo teve impacto significativo nos níveis hormonais e nas ocorrências comportamentais, sendo o valor de cortisol menor quando um abrigo se encontrava presente em ambas as espécies. A espécie M. spretus, foi a que demonstrou maior sensibilidade à presença de um abrigo, pois não apresentou diferenças significativas de valores de cortisol entre o tratamento com abrigo e o grupo de controlo (sem tratamento). Este resultado foi contra o que era esperado pois sendo M. spretus uma espécie de ambientes mais naturais, e menos habituada a presença humana, esperava-se que as diferenças de cortisol fossem significativas. Pelo contrário, a espécie M. m. domesticus, (uma espécie comensal, e por isso, mais habituada a ambientes e presença humana) apresentou valores de cortisol mais elevados. A nível comportamental, o tempo passado na zona de abrigo/base da arena e comportamentos como “grooming” e “freezing” foram significativamente afetados pela presença/ausência de um abrigo. Os resultados indicam que a configuração do TCA tem um impacto importante nos resultados pelo menos, se a espécie em estudo for selvagem. Espera-se portanto, espera-se que este trabalho possa contribuir para reforçar o papel de testes comportamentais como o TCA na conservação de espécies ameaçadas, nomeadamente, na seleção de indivíduos para ações de libertação na natureza ou programas de reprodução. |
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| Autores principais: | Silva, Ricardo Fernandes Batista da |
| Assunto: | Teste de campo aberto Mus Stress Comportamento Cortisol Teses de mestrado - 2019 |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O teste de campo aberto (TCA) teve como objetivo inicial relacionar o número de excrementos num espaço aberto com o índice de timidez do animal, a sua atividade locomotora e exploratória. Atualmente, o número de variáveis usadas neste tipo de teste cresceu substancialmente e as suas características são controladas pelo experimentador e ajustadas às espécies e à questão específica, podendo haver assim, uma elevada variabilidade destas. Para além da componente comportamental, também a avaliação hormonal (através de cortisol ou corticoesterona) se tornou num fator a ser levado em conta no estudo do TCA. Uma das diferenças encontradas entre estudos é a presença e ausência de abrigo. Devido a esta diferença, a interpretação dos resultados obtidos a partir do TCA nem sempre é clara. O objetivo deste trabalho foi de determinar a influência da presença/ausência de um abrigo num TCA na ocorrência de comportamentos relacionados com o stress e níveis hormonais em ratinhos selvagens das espécies Mus musculus domesticus e Mus spretus capturados nas zonas de Alenquer, Lisboa e serra de Sintra. Esperava-se que com a presença de um abrigo os níveis de stress diminuíssem e atividade exploratória fosse promovida, em especial na espécie M. spretus, menos habituada a ambientes humanizados e por isso, mais sensível a situações de stress. Os indivíduos pertencentes ao grupo experimental foram expostos ao TCA com e sem abrigo, e o seu comportamento foi registado durante sessões de 10 minutos de duração para cada tratamento. Após cada sessão foi realizada uma colheita de sangue em cada indivíduo, cujo soro foi analisado em relação aos níveis de concentração de cortisol, os dados foram divididos em três grupos: experimental, controlo e baseline. Para a avaliação comportamental, foram escolhidas onze variáveis dependentes: (1) tempo na zona de abrigo/base (2) tempo na zona central, (3) tempo na zona de margem, (4) distância total percorrida, (5) velocidade média, e os comportamentos (6) “ambulation”, (7) “rearing”, (8) “jump”, (9) “grooming”, (10) “manipulation” e (11) “freezing”. Os resultados mostraram que a presença de um abrigo teve impacto significativo nos níveis hormonais e nas ocorrências comportamentais, sendo o valor de cortisol menor quando um abrigo se encontrava presente em ambas as espécies. A espécie M. spretus, foi a que demonstrou maior sensibilidade à presença de um abrigo, pois não apresentou diferenças significativas de valores de cortisol entre o tratamento com abrigo e o grupo de controlo (sem tratamento). Este resultado foi contra o que era esperado pois sendo M. spretus uma espécie de ambientes mais naturais, e menos habituada a presença humana, esperava-se que as diferenças de cortisol fossem significativas. Pelo contrário, a espécie M. m. domesticus, (uma espécie comensal, e por isso, mais habituada a ambientes e presença humana) apresentou valores de cortisol mais elevados. A nível comportamental, o tempo passado na zona de abrigo/base da arena e comportamentos como “grooming” e “freezing” foram significativamente afetados pela presença/ausência de um abrigo. Os resultados indicam que a configuração do TCA tem um impacto importante nos resultados pelo menos, se a espécie em estudo for selvagem. Espera-se portanto, espera-se que este trabalho possa contribuir para reforçar o papel de testes comportamentais como o TCA na conservação de espécies ameaçadas, nomeadamente, na seleção de indivíduos para ações de libertação na natureza ou programas de reprodução. |
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