Publicação

Amílcar Cabral e o Marxismo : dos anos de Lisboa à liderança do movimento de libertação durante a Guerra Fria (1948-1973)

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese discute a relação de Amílcar Cabral (1924-1973) com o marxismo, desde os anos de estudante em Lisboa até a liderança do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Objetivou-se compreender como o seu interesse pelo marxismo interagiu com o desenvolvimento do seu ideário nacionalista, nos anos de estudante e engenheiro agrônomo (1948- 1960). Na fase de dirigente do PAIGC (1960-1973), quisemos compreender o posicionamento de Cabral perante a Guerra Fria. Cabral utilizava instrumental marxista nas suas elaborações, e tinha a União Soviética como a sua principal aliada; ao mesmo tempo, não se definia como marxista ou não marxista, buscava apoio no mundo capitalista e evitava envolver-se com disputas ideológicas não diretamente ligadas à luta do PAIGC. Como explicar e interpretar este posicionamento? As fontes utilizadas foram cartas, estudos agrários, artigos na imprensa, bem como discursos políticos proferidos em países socialistas, em países capitalistas, em fóruns internacionais e no PAIGC. Concluímos que Cabral envolve-se com o marxismo antes de ter definido um projeto de independência para a Guiné e Cabo Verde, numa altura em que se interessava pelos problemas da humanidade, especialmente pela situação dos negros e do continente africano, e em que ainda nutria sentimentos de pertença à identidade portuguesa. Ao entregar-se à luta anticolonial, continua a teorizar com instrumental marxista, o que é explicado não apenas pelo apoio recebido do bloco socialista, mas pelas suas convicções pessoais. A não assunção de definições ideológicas por Cabral deve ser entendida mais como uma estratégia política do que como um traço da sua personalidade. Por sua vez, a postura de não alinhamento do PAIGC foi conseguida graças à habilidade diplomática de Cabral, ao seu bom relacionamento com a União Soviética e à prudência diante dos limites impostos pela Guerra Fria.
Autores principais:Dias, Luciana Bastos
Assunto:Cabral, Amílcar, 1924-1973 - Pensamento político e social Cabral, Amílcar, 1924-1973 - E o marxismo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde Guerra Fria Marxismo - África Nacionalismo - Guiné-Bissau Guiné-Bissau - Política e governo - séc.20 Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese discute a relação de Amílcar Cabral (1924-1973) com o marxismo, desde os anos de estudante em Lisboa até a liderança do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Objetivou-se compreender como o seu interesse pelo marxismo interagiu com o desenvolvimento do seu ideário nacionalista, nos anos de estudante e engenheiro agrônomo (1948- 1960). Na fase de dirigente do PAIGC (1960-1973), quisemos compreender o posicionamento de Cabral perante a Guerra Fria. Cabral utilizava instrumental marxista nas suas elaborações, e tinha a União Soviética como a sua principal aliada; ao mesmo tempo, não se definia como marxista ou não marxista, buscava apoio no mundo capitalista e evitava envolver-se com disputas ideológicas não diretamente ligadas à luta do PAIGC. Como explicar e interpretar este posicionamento? As fontes utilizadas foram cartas, estudos agrários, artigos na imprensa, bem como discursos políticos proferidos em países socialistas, em países capitalistas, em fóruns internacionais e no PAIGC. Concluímos que Cabral envolve-se com o marxismo antes de ter definido um projeto de independência para a Guiné e Cabo Verde, numa altura em que se interessava pelos problemas da humanidade, especialmente pela situação dos negros e do continente africano, e em que ainda nutria sentimentos de pertença à identidade portuguesa. Ao entregar-se à luta anticolonial, continua a teorizar com instrumental marxista, o que é explicado não apenas pelo apoio recebido do bloco socialista, mas pelas suas convicções pessoais. A não assunção de definições ideológicas por Cabral deve ser entendida mais como uma estratégia política do que como um traço da sua personalidade. Por sua vez, a postura de não alinhamento do PAIGC foi conseguida graças à habilidade diplomática de Cabral, ao seu bom relacionamento com a União Soviética e à prudência diante dos limites impostos pela Guerra Fria.