Publicação
Futebol, trabalho e associativismo nos bairros operários de Lisboa: as origens do Oriental (1911-1946)
| Resumo: | Ao longo do século XX, o desenvolvimento urbano de Lisboa e o crescimento da sua indústria estimularam a criação de uma nova classe trabalhadora, largamente oriunda do interior do país. No seu processo de adaptação ao novo espaço urbano, a um novo quotidiano laboral e a novas relações de sociabilidade, as associações desportivas desempenharam um papel importante. A relação entre crescimento urbano, desenvolvimento industrial e associativismo desportivo, porém, tem sido praticamente ignorada pela historiografia portuguesa. Por esta razão, propomos um novo foco para estas instituições desportivas no estudo desses processos, utilizando a área de Marvila e Beato, em Lisboa, e os seus três clubes mais marcantes, como laboratório para o período de 1911 a 1946 – nomeadamente, Chelas, Marvilense e Fósforos, que se fundiram para criação do Clube Oriental de Lisboa no final desta cronologia. Os clubes de futebol dos bairros operários mediaram e condicionaram as relações laborais, substituíram-se ao Estado em dimensões essenciais (da promoção das práticas físicas à educação) e promoveram a identificação da população com o espaço físico e “imaginado” do bairro, tornando-se uma importante base para a formação de sociabilidades e criação ou reforço das identidades sociais. Mas também foram, particularmente nos contextos operários, espaços de negociação de poder, sendo promovidos por industriais ou empresários para ter alguma influência sobre os trabalhadores, procurados pelos trabalhadores para estes terem o seu espaço nas dinâmicas sociais da comunidade, por movimentos políticos em busca de redes de influência e por um Estado vigilante face ao pensamento subversivo (em particular, no Estado Novo). Procuramos, aqui, retratar a multidimensionalidade dos clubes na vida e no quotidiano dos bairros, estando eles também no centro do confronto de diferentes conceções de desporto e do acesso universal ao mesmo. |
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| Autores principais: | Silva, João Carlos Nascimento Santana da |
| Assunto: | Futebol Associativismo Indústria Cultura operária Lisboa |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Ao longo do século XX, o desenvolvimento urbano de Lisboa e o crescimento da sua indústria estimularam a criação de uma nova classe trabalhadora, largamente oriunda do interior do país. No seu processo de adaptação ao novo espaço urbano, a um novo quotidiano laboral e a novas relações de sociabilidade, as associações desportivas desempenharam um papel importante. A relação entre crescimento urbano, desenvolvimento industrial e associativismo desportivo, porém, tem sido praticamente ignorada pela historiografia portuguesa. Por esta razão, propomos um novo foco para estas instituições desportivas no estudo desses processos, utilizando a área de Marvila e Beato, em Lisboa, e os seus três clubes mais marcantes, como laboratório para o período de 1911 a 1946 – nomeadamente, Chelas, Marvilense e Fósforos, que se fundiram para criação do Clube Oriental de Lisboa no final desta cronologia. Os clubes de futebol dos bairros operários mediaram e condicionaram as relações laborais, substituíram-se ao Estado em dimensões essenciais (da promoção das práticas físicas à educação) e promoveram a identificação da população com o espaço físico e “imaginado” do bairro, tornando-se uma importante base para a formação de sociabilidades e criação ou reforço das identidades sociais. Mas também foram, particularmente nos contextos operários, espaços de negociação de poder, sendo promovidos por industriais ou empresários para ter alguma influência sobre os trabalhadores, procurados pelos trabalhadores para estes terem o seu espaço nas dinâmicas sociais da comunidade, por movimentos políticos em busca de redes de influência e por um Estado vigilante face ao pensamento subversivo (em particular, no Estado Novo). Procuramos, aqui, retratar a multidimensionalidade dos clubes na vida e no quotidiano dos bairros, estando eles também no centro do confronto de diferentes conceções de desporto e do acesso universal ao mesmo. |
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