Publicação
Formação e práticas dos enfermeiros para o atendimento das pessoas idosas : estudo exploratório realizado em instituições que cuidam de pessoas idosas
| Resumo: | A Saúde como "qualidade da existência, que exprime a força vital, criadora de formas e de normas que se renovam ao ultrapassar pontos criticos, como o nascimento, as doenças, os acidentes e a morte" (Honoré, 1992, p.l32), coloca-se no centro de um debate que poderíamos designar de axiomático, quer ao nível da consciência do cidadão, quer ao nível da "condução da coisa pública", a Política. E natural, quase inquestionável, que, para o Homem do nosso tempo, a Saúde assuma a forma e significado de "completo bem-estar", mercê de desenvolvimentos técnicos e científicos consideráveis. Tão inquestionável com a realidade anterior, é a de que a Saúde, sofrimento e doença são conceitos inter- relacionados na vida das pessoas em todas as idades, com tendência para o aumento de disfunções e de incapacidades com o passar dos anos. • A cisão das idades e as definições de práticas legítimas que se lhes associam suportam o aparecimento de instituições e de agentes especializados cujas respostas se associam a períodos determinados da vida como a infância, a primeira infância, a velhice. A "invenção" das idades, especificamente a invenção da "terceira e quarta idade" (Lenoir, 1979) reflecte formas de intervir, de encarregar-se das pessoas idosas, no limite, de fazer a análise da transformação dos modos de solidariedade. Longe do determinismo evangélico de que "pobres e velhos sempre os tereis convosco", grandes dúvidas persistem quanto à evolução do processo de envelhecimento e ao significado numérico que os idosos terão na sociedade. Mas, se analisarmos bem, todas apresentam repercussões ao nível da saúde, do bem-estar do homem nas últimas fases da vida, o que implica um debate sério "na procura de uma política de saúde, em que os custos, a ética e o direito a morrer com dignidade sejam apreciados em conjunto" (Nazareth, 1994). Esta premissa tem dificultado encarar a realidade de que, ao nível social e de saúde, cada vez haverá mais gente com idades avançadas que irá pedir ajuda para viver melhor. Trata-se da substituição (ou cumulatividade?) do "viver mais", para o qual, a intervenção na modificação dos factores extrínsecos do envelhecimento, a exploração do potencial genético da longevidade na ausência de incapacidades (Gray et al,1985), serão determinantes num atendimento humanizado. A Enfermagem tem como finalidade ajudar os indivíduos e os grupos a aproveitarem ao máximo as suas capacidades funcionais, qualquer que seja o seu estado de saúde e a sua 13 idade. Sempre teve a seu cargo os cuidados prestados às pessoas idosas, mesmo quando praticados pelas mulheres de virtude: cuidados que restituem ao homem a sua vida e a sua morte, desde o nascimento sem violência ..até à morte escolhida..., cuidados mobilizadores de forças de vida. ..tanto dos que os recebem, como dos que os prestam ..(Collière, 1989) Os Enfermeiros sempre estiveram envolvidos nos cuidados às pessoas idosas, determinando-se o seu papel, mais pelo que deles se espera, do que por aquilo que caracteriza profissionalmente a prática de cuidados aos idosos. (...) |
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| Autores principais: | Costa, Maria Arminda S. Mendes, 1949- |
| Assunto: | Teses de mestrado - 1994 Psicologia da saúde Enfermagem Gerontologia Geriatria Formação |
| Ano: | 1994 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Saúde como "qualidade da existência, que exprime a força vital, criadora de formas e de normas que se renovam ao ultrapassar pontos criticos, como o nascimento, as doenças, os acidentes e a morte" (Honoré, 1992, p.l32), coloca-se no centro de um debate que poderíamos designar de axiomático, quer ao nível da consciência do cidadão, quer ao nível da "condução da coisa pública", a Política. E natural, quase inquestionável, que, para o Homem do nosso tempo, a Saúde assuma a forma e significado de "completo bem-estar", mercê de desenvolvimentos técnicos e científicos consideráveis. Tão inquestionável com a realidade anterior, é a de que a Saúde, sofrimento e doença são conceitos inter- relacionados na vida das pessoas em todas as idades, com tendência para o aumento de disfunções e de incapacidades com o passar dos anos. • A cisão das idades e as definições de práticas legítimas que se lhes associam suportam o aparecimento de instituições e de agentes especializados cujas respostas se associam a períodos determinados da vida como a infância, a primeira infância, a velhice. A "invenção" das idades, especificamente a invenção da "terceira e quarta idade" (Lenoir, 1979) reflecte formas de intervir, de encarregar-se das pessoas idosas, no limite, de fazer a análise da transformação dos modos de solidariedade. Longe do determinismo evangélico de que "pobres e velhos sempre os tereis convosco", grandes dúvidas persistem quanto à evolução do processo de envelhecimento e ao significado numérico que os idosos terão na sociedade. Mas, se analisarmos bem, todas apresentam repercussões ao nível da saúde, do bem-estar do homem nas últimas fases da vida, o que implica um debate sério "na procura de uma política de saúde, em que os custos, a ética e o direito a morrer com dignidade sejam apreciados em conjunto" (Nazareth, 1994). Esta premissa tem dificultado encarar a realidade de que, ao nível social e de saúde, cada vez haverá mais gente com idades avançadas que irá pedir ajuda para viver melhor. Trata-se da substituição (ou cumulatividade?) do "viver mais", para o qual, a intervenção na modificação dos factores extrínsecos do envelhecimento, a exploração do potencial genético da longevidade na ausência de incapacidades (Gray et al,1985), serão determinantes num atendimento humanizado. A Enfermagem tem como finalidade ajudar os indivíduos e os grupos a aproveitarem ao máximo as suas capacidades funcionais, qualquer que seja o seu estado de saúde e a sua 13 idade. Sempre teve a seu cargo os cuidados prestados às pessoas idosas, mesmo quando praticados pelas mulheres de virtude: cuidados que restituem ao homem a sua vida e a sua morte, desde o nascimento sem violência ..até à morte escolhida..., cuidados mobilizadores de forças de vida. ..tanto dos que os recebem, como dos que os prestam ..(Collière, 1989) Os Enfermeiros sempre estiveram envolvidos nos cuidados às pessoas idosas, determinando-se o seu papel, mais pelo que deles se espera, do que por aquilo que caracteriza profissionalmente a prática de cuidados aos idosos. (...) |
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