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Solidão inacabada: um estudo sobre o amor e o erotismo em Vergílio Ferreira

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Partindo do pressuposto vergiliano de que o erotismo moderno assenta no paradoxo de pretender validar um interdito em que já não acredita pelo aliciante de o poder negar, tenta-se compreender neste trabalho de que forma Vergílio Ferreira tentou reconduzir o apelo erótico a uma dimensão estritamente humana. É assim que na sua obra ficcional o erotismo aparece não já sob o signo da profanação, que pressupõe um valor transcendente a profanar, mas sob o signo da violação. Se ele é ainda antes de mais violência, ele é agora resultado do desespero que toma os indivíduos na impossibilidade de acederem a um «tu» cujo «eu» interior se fecha em intangibilidade, dado que um «eu» é a presença de si a si próprio que não extravasa. Porém, no rescaldo dessa violência que remete o arranque do erotismo para uma solidão irremediável descobre Vergílio Ferreira uma possibilidade de afirmar ainda uma comunhão: precisamente a comunhão de solidões que como solidões se reconhecessem para construir uma aliança sobre a terra. O amor seria assim o que no homem remetesse para um limite que negasse a sua solidão e o instalasse em presença do que o saldaria em perfeição. Nesse limite impossível, defende Vergílio Ferreira, está o máximo que o homem deve aspirar para não deixar de ser homem, agora que verdadeiramente o pode ser na sequência da morte de Deus e seus sucedâneos.
Autores principais:Moita, João
Assunto:Ferreira, Virgílio, 1916-1996 - Crítica e interpretação Amor - Na literatura Erotismo - Na literatura Teses de mestrado - 2013
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Partindo do pressuposto vergiliano de que o erotismo moderno assenta no paradoxo de pretender validar um interdito em que já não acredita pelo aliciante de o poder negar, tenta-se compreender neste trabalho de que forma Vergílio Ferreira tentou reconduzir o apelo erótico a uma dimensão estritamente humana. É assim que na sua obra ficcional o erotismo aparece não já sob o signo da profanação, que pressupõe um valor transcendente a profanar, mas sob o signo da violação. Se ele é ainda antes de mais violência, ele é agora resultado do desespero que toma os indivíduos na impossibilidade de acederem a um «tu» cujo «eu» interior se fecha em intangibilidade, dado que um «eu» é a presença de si a si próprio que não extravasa. Porém, no rescaldo dessa violência que remete o arranque do erotismo para uma solidão irremediável descobre Vergílio Ferreira uma possibilidade de afirmar ainda uma comunhão: precisamente a comunhão de solidões que como solidões se reconhecessem para construir uma aliança sobre a terra. O amor seria assim o que no homem remetesse para um limite que negasse a sua solidão e o instalasse em presença do que o saldaria em perfeição. Nesse limite impossível, defende Vergílio Ferreira, está o máximo que o homem deve aspirar para não deixar de ser homem, agora que verdadeiramente o pode ser na sequência da morte de Deus e seus sucedâneos.