Publicação
Discinesia paroxística em cães : estudo de 7 casos clínicos
| Resumo: | Os distúrbios do movimento são um conjunto de apresentações neurológicas heterogéneas, que podem dar origem a manifestações dramáticas, e são, por vezes, sub-diagnosticadas. Estes distúrbios podem ser hipocinésicos, quando resultam em lentidão nos movimentos realizados, ou hipercinésicos, quando existe um excesso de movimentos gerados involuntariamente. As discinesias paroxísticas enquadram-se nos distúrbios do movimento hipercinésicos e são caracterizadas por episódios de movimentos involuntários e posturas anormais que não são acompanhados de perda de consciência, período pós-ictal, nem, na maioria das vezes, de sinais autonómicos. Em medicina veterinária, são classificadas em hereditárias, ou presumidamente hereditárias, e em adquiridas, de acordo com a sua etiologia. Este estudo pretendeu realizar uma análise descritiva de sete cães, observados na clínica Referência Veterinária, com o diagnóstico presumido de discinesia paroxística. A análise descritiva permitiu caracterizar os casos de acordo com a terminologia e classificação mais recente, compará-los com as discinesias paroxísticas caninas descritas na literatura, defender o seu diagnóstico presumido e diferenciá-las de ataques epiléticos, um dos seus principais diagnósticos diferenciais. Os episódios de discinesia paroxística caracterizaram-se por rigidez generalizada, movimentos involuntários de flexão e extensão dos membros e distonia do tronco e pescoço. Não foram acompanhados de perda de consciência e a sua duração variou de vários segundos a trinta minutos. Relativamente à sua etiologia, a discinesia paroxística foi classificada em dois casos como presumidamente hereditária (29 %) e num caso como adquirida (14 %), não tendo sido possível classificar os restantes (57 %). De acordo com a classificação utilizada em medicina humana, todos os casos foram compatíveis com uma discinesia paroxística não cinesigénica. Nos animais nos quais se obteve dados sobre a progressão da doença (86 %), a sua evolução foi positiva (86 %), com cinco casos a responder a tratamento médico (71 %) e um à introdução de uma dieta isenta de glúten (14 %). Em conclusão, as discinesias paroxísticas caninas, apesar de raras e de permanecerem pouco compreendidas, são cada vez mais reconhecidas em consultas de Neurologia. O seu diagnóstico é, na maioria das vezes, presumido e baseado na observação dos episódios e exclusão de diagnósticos diferenciais. Ainda assim, o conhecimento sobre esta doença tem crescido nos últimos anos, sendo provável que a terminologia aplicada e os sistemas de classificação evoluam |
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| Autores principais: | Carrilho, Alexandra Machado |
| Assunto: | Distúrbios do movimento Discinesia paroxística Movimentos involuntários Cão Movement disorders Paroxysmal dyskinesia Involuntary movements Dog |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os distúrbios do movimento são um conjunto de apresentações neurológicas heterogéneas, que podem dar origem a manifestações dramáticas, e são, por vezes, sub-diagnosticadas. Estes distúrbios podem ser hipocinésicos, quando resultam em lentidão nos movimentos realizados, ou hipercinésicos, quando existe um excesso de movimentos gerados involuntariamente. As discinesias paroxísticas enquadram-se nos distúrbios do movimento hipercinésicos e são caracterizadas por episódios de movimentos involuntários e posturas anormais que não são acompanhados de perda de consciência, período pós-ictal, nem, na maioria das vezes, de sinais autonómicos. Em medicina veterinária, são classificadas em hereditárias, ou presumidamente hereditárias, e em adquiridas, de acordo com a sua etiologia. Este estudo pretendeu realizar uma análise descritiva de sete cães, observados na clínica Referência Veterinária, com o diagnóstico presumido de discinesia paroxística. A análise descritiva permitiu caracterizar os casos de acordo com a terminologia e classificação mais recente, compará-los com as discinesias paroxísticas caninas descritas na literatura, defender o seu diagnóstico presumido e diferenciá-las de ataques epiléticos, um dos seus principais diagnósticos diferenciais. Os episódios de discinesia paroxística caracterizaram-se por rigidez generalizada, movimentos involuntários de flexão e extensão dos membros e distonia do tronco e pescoço. Não foram acompanhados de perda de consciência e a sua duração variou de vários segundos a trinta minutos. Relativamente à sua etiologia, a discinesia paroxística foi classificada em dois casos como presumidamente hereditária (29 %) e num caso como adquirida (14 %), não tendo sido possível classificar os restantes (57 %). De acordo com a classificação utilizada em medicina humana, todos os casos foram compatíveis com uma discinesia paroxística não cinesigénica. Nos animais nos quais se obteve dados sobre a progressão da doença (86 %), a sua evolução foi positiva (86 %), com cinco casos a responder a tratamento médico (71 %) e um à introdução de uma dieta isenta de glúten (14 %). Em conclusão, as discinesias paroxísticas caninas, apesar de raras e de permanecerem pouco compreendidas, são cada vez mais reconhecidas em consultas de Neurologia. O seu diagnóstico é, na maioria das vezes, presumido e baseado na observação dos episódios e exclusão de diagnósticos diferenciais. Ainda assim, o conhecimento sobre esta doença tem crescido nos últimos anos, sendo provável que a terminologia aplicada e os sistemas de classificação evoluam |
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