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Peritonite secundária por candida : modelo de predicção e impacto do tratamento empírico

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Resumo:Introdução: O benefício da terapêutica antifúngica empírica em doentes críticos com peritonite secundária é controverso, não existindo claras indicações para a sua utilização. Doentes do sexo feminino, com lesão gastrointestinal alta, antibioterapia prévia e insuficiência cardiovascular perioperatória parecem ter maior risco de peritonite fúngica, pelo que o antifúngico empírico parece ser benéfico. Dada a incerteza neste campo, este estudo teve como objectivo identificar os factores de risco para infecção fúngica na peritonite secundária, bem como o potencial efeito da terapêutica antifúngica empírica. Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo com doentes críticos submetidos a cirurgia gastrointestinal urgente. Colheram-se dados demográficos, microbiológicos e de prescrição terapêutica. Foi efectuada análise estatística descritiva e usada regressão logística para determinar os factores de risco. Resultados: Foram incluídos 411 doentes admitidos após cirurgia gastrointestinal urgente, entre 2013 e 2018, dos quais 234 eram homens (56.9%), com idade média de 68.8 anos (± 15.8). Houve isolamento de fungo em 13.9% dos doentes durante o internamento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), com tempo médio de internamento até ao isolamento de 2.6 dias (± 4,1). 63.2% dos isolamentos foram Candida albicans, seguido por Candida glabrata (15.8%). Administrou-se antifúngico empírico na unidade a 27.3% doentes (n = 112). A mortalidade na UCI, em doentes com e sem isolamento fúngico foi semelhante (19.3% versus 24.0%). Em doentes com deiscência de anastomose (OR: 1.87; p = 0.036), e por cada cirurgia adicional (OR: 1.53; p < 0.001) observou-se um risco acrescido de desenvolver peritonite fúngica. Sexo feminino, idade e local da lesão não se associaram a maior risco de infecção fúngica. Conclusões: A peritonite secundária fúngica em doentes críticos cirúrgicos é determinada por peritonite persistente ou nosocomial, sendo que a terapêutica empírica não se associa a benefício. As recomendações futuras sobre antifúngico na peritonite secundária deverão ter em conta estes dados.
Autores principais:Bernardo, Patrícia Alexandra Macedo
Assunto:Peritonite secundária Candidíase intra-abdominal Peritonite por candida
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: O benefício da terapêutica antifúngica empírica em doentes críticos com peritonite secundária é controverso, não existindo claras indicações para a sua utilização. Doentes do sexo feminino, com lesão gastrointestinal alta, antibioterapia prévia e insuficiência cardiovascular perioperatória parecem ter maior risco de peritonite fúngica, pelo que o antifúngico empírico parece ser benéfico. Dada a incerteza neste campo, este estudo teve como objectivo identificar os factores de risco para infecção fúngica na peritonite secundária, bem como o potencial efeito da terapêutica antifúngica empírica. Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo com doentes críticos submetidos a cirurgia gastrointestinal urgente. Colheram-se dados demográficos, microbiológicos e de prescrição terapêutica. Foi efectuada análise estatística descritiva e usada regressão logística para determinar os factores de risco. Resultados: Foram incluídos 411 doentes admitidos após cirurgia gastrointestinal urgente, entre 2013 e 2018, dos quais 234 eram homens (56.9%), com idade média de 68.8 anos (± 15.8). Houve isolamento de fungo em 13.9% dos doentes durante o internamento na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), com tempo médio de internamento até ao isolamento de 2.6 dias (± 4,1). 63.2% dos isolamentos foram Candida albicans, seguido por Candida glabrata (15.8%). Administrou-se antifúngico empírico na unidade a 27.3% doentes (n = 112). A mortalidade na UCI, em doentes com e sem isolamento fúngico foi semelhante (19.3% versus 24.0%). Em doentes com deiscência de anastomose (OR: 1.87; p = 0.036), e por cada cirurgia adicional (OR: 1.53; p < 0.001) observou-se um risco acrescido de desenvolver peritonite fúngica. Sexo feminino, idade e local da lesão não se associaram a maior risco de infecção fúngica. Conclusões: A peritonite secundária fúngica em doentes críticos cirúrgicos é determinada por peritonite persistente ou nosocomial, sendo que a terapêutica empírica não se associa a benefício. As recomendações futuras sobre antifúngico na peritonite secundária deverão ter em conta estes dados.