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Figura Huius mundi : figuras líricas da temporalidade na poesia de E. Dickinson

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A partir da leitura de um amplo leque de poemas de Emily Dickinson, este trabalho visa discutir e corroborar algumas teses fundamentais: 1) A experiência temporal é aporética, cognitivamente fracturada pela contradição entre as suas dimensões tão complementarmente necessárias quão incompatíveis (nomeadamente a contradição entre duração e sucessão, entre contínuo e descontínuo; a clivagem entre aqui e agora e a consequente indeterminabilidade teorética da presença no quadro da experiência perceptiva). 2) Este seu estatuto aporético inviabiliza uma descrição teorética da experiência temporal como um todo, tornando necessária uma abordagem expressivo-interpretativa que se produz como um discurso figural sobre o tempo de cariz plural e não totalizador, cuja primeira relevante atestação se encontra nas epístolas paulinas. 3) Na pluralidade de registos figurais que focalizam a experiência temporal, um papel insubstituível deve ser reconhecido à figuralidade lírica. Reconstruindo esta forma de discurso como uma modalidade de expor a experiência interior por meio da experiência exterior, de articular o intencional por meio do perceptivo, pode ser evidenciada a sua eficácia em interceptar e expor os aspectos sincrónicos-perceptivos da experiência temporal e a sua contraditoriedade. O registo lírico combina-se assim com os outros registos figurais (reflexivo-fenomenológico, cosmológico-científico, narrativo, dramático, hermenêuticoperformativo) de processamento expressivo-interpretativo da experiência temporal, sem lhes poder ser assimilado.
Autores principais:Bartolomei, Teresa
Assunto:Dickinson, Emily, 1830-1886 - Crítica e interpretação Poesia americana - séc.19 - História e crítica Tempo - Na literatura Teses de doutoramento - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A partir da leitura de um amplo leque de poemas de Emily Dickinson, este trabalho visa discutir e corroborar algumas teses fundamentais: 1) A experiência temporal é aporética, cognitivamente fracturada pela contradição entre as suas dimensões tão complementarmente necessárias quão incompatíveis (nomeadamente a contradição entre duração e sucessão, entre contínuo e descontínuo; a clivagem entre aqui e agora e a consequente indeterminabilidade teorética da presença no quadro da experiência perceptiva). 2) Este seu estatuto aporético inviabiliza uma descrição teorética da experiência temporal como um todo, tornando necessária uma abordagem expressivo-interpretativa que se produz como um discurso figural sobre o tempo de cariz plural e não totalizador, cuja primeira relevante atestação se encontra nas epístolas paulinas. 3) Na pluralidade de registos figurais que focalizam a experiência temporal, um papel insubstituível deve ser reconhecido à figuralidade lírica. Reconstruindo esta forma de discurso como uma modalidade de expor a experiência interior por meio da experiência exterior, de articular o intencional por meio do perceptivo, pode ser evidenciada a sua eficácia em interceptar e expor os aspectos sincrónicos-perceptivos da experiência temporal e a sua contraditoriedade. O registo lírico combina-se assim com os outros registos figurais (reflexivo-fenomenológico, cosmológico-científico, narrativo, dramático, hermenêuticoperformativo) de processamento expressivo-interpretativo da experiência temporal, sem lhes poder ser assimilado.