Publicação
As plantas enteógenas em terapêutica
| Resumo: | As plantas enteógenas têm sido utilizadas tradicionalmente por culturas indígenas para fins religiosos e medicinais devido às suas propriedades psicadélicas, possuindo metabolitos secundários capazes de induzir estados alterados de consciência. O estudo científico destas plantas tem crescido nas últimas décadas, revelando os seus potenciais benefícios terapêuticos, especialmente no tratamento de distúrbios do foro psicológico. A presente monografia tem como objetivo averiguar se as plantas enteógenas podem ser utilizadas em terapêutica moderna. Para atingir estes objetivos, foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed e Web of Science focando-se temporalmente nos últimos 14 anos (2010 até ao presente), seguindo a metodologia PRISMA. Os resultados obtidos permitiram a identificação de 16 artigos científicos, visando as espécies enteógenas com maior número de artigos disponíveis. Nomeadamente, Mitragyna speciosa, folha, Tabernanthe iboga, raiz, Peganum harmala, semente, Banisteriopsis caapi, casca e caule e Psychotria viridis, folha, constituindo a mistura das duas últimas a preparação à base de plantas denominada “ayahuasca”. Verificou-se que as plantas estudadas apresentam potencial terapêutico, reforçado pelos estudos científicos realizados, principalmente no tratamento da dependência de substâncias como álcool, morfina e outros opióides, e no tratamento de distúrbios psicológicos como depressão e ansiedade. A ayahuasca (Psychotria viridis, folha e Banisteriopsis caapi, casca e caule) mostrou-se eficaz na redução da ansiedade e no tratamento da depressão resistente, enquanto que Mitragyna speciosa, folha apresentou propriedades analgésicas e antinociceptivas comparáveis às dos opióides convencionais, mas com menor potencial de dependência. Já Peganum harmala, semente mostrou ter potencial neuroprotetor e inibidor da monoamina oxidase. Tabernanthe iboga, raiz, demonstrou capacidade de reduzir os sintomas de abstinência e a compulsão por substâncias aditivas. Constatou-se uma evidente escassez de estudos em humanos, além da existência de várias barreiras legais e culturais, o que provoca vários obstáculos aos avanços da investigação do uso terapêutico destas plantas. Em suma, as espécies enteógenas demonstram ter potencial terapêutico para a medicina moderna oferecendo alternativas promissoras para o tratamento de dependências a substâncias como álcool, morfina e codeína, transtornos mentais e de outras condições de saúde, sendo no entanto necessários mais estudos científicos que garantam a sua segurança, qualidade e eficácia. |
|---|---|
| Autores principais: | Correia, João Maria Meireles Simões Chorão |
| Assunto: | Enteógenos Ayahuasca Tabernanthe iboga Mitragyna speciosa Peganum harmala Mestrado integrado - 2024 |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As plantas enteógenas têm sido utilizadas tradicionalmente por culturas indígenas para fins religiosos e medicinais devido às suas propriedades psicadélicas, possuindo metabolitos secundários capazes de induzir estados alterados de consciência. O estudo científico destas plantas tem crescido nas últimas décadas, revelando os seus potenciais benefícios terapêuticos, especialmente no tratamento de distúrbios do foro psicológico. A presente monografia tem como objetivo averiguar se as plantas enteógenas podem ser utilizadas em terapêutica moderna. Para atingir estes objetivos, foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed e Web of Science focando-se temporalmente nos últimos 14 anos (2010 até ao presente), seguindo a metodologia PRISMA. Os resultados obtidos permitiram a identificação de 16 artigos científicos, visando as espécies enteógenas com maior número de artigos disponíveis. Nomeadamente, Mitragyna speciosa, folha, Tabernanthe iboga, raiz, Peganum harmala, semente, Banisteriopsis caapi, casca e caule e Psychotria viridis, folha, constituindo a mistura das duas últimas a preparação à base de plantas denominada “ayahuasca”. Verificou-se que as plantas estudadas apresentam potencial terapêutico, reforçado pelos estudos científicos realizados, principalmente no tratamento da dependência de substâncias como álcool, morfina e outros opióides, e no tratamento de distúrbios psicológicos como depressão e ansiedade. A ayahuasca (Psychotria viridis, folha e Banisteriopsis caapi, casca e caule) mostrou-se eficaz na redução da ansiedade e no tratamento da depressão resistente, enquanto que Mitragyna speciosa, folha apresentou propriedades analgésicas e antinociceptivas comparáveis às dos opióides convencionais, mas com menor potencial de dependência. Já Peganum harmala, semente mostrou ter potencial neuroprotetor e inibidor da monoamina oxidase. Tabernanthe iboga, raiz, demonstrou capacidade de reduzir os sintomas de abstinência e a compulsão por substâncias aditivas. Constatou-se uma evidente escassez de estudos em humanos, além da existência de várias barreiras legais e culturais, o que provoca vários obstáculos aos avanços da investigação do uso terapêutico destas plantas. Em suma, as espécies enteógenas demonstram ter potencial terapêutico para a medicina moderna oferecendo alternativas promissoras para o tratamento de dependências a substâncias como álcool, morfina e codeína, transtornos mentais e de outras condições de saúde, sendo no entanto necessários mais estudos científicos que garantam a sua segurança, qualidade e eficácia. |
|---|