Publicação
Evolução da resistência in vivo aos inibidores da transcriptase reversa em mães multíparas infectadas pelo vírus da Imunodeficiênca Humana tipo 1 que cumpriram regimes terapêuticos para prevenção da transmissão do vírus aos seus filhos
| Resumo: | A transmissão mãe-filho (TMF) é a principal causa de infecção por HIV-1 em crianças nascidas de mães infectadas nos países em vias de desenvolvimento. A elevada diversidade genética do HIV-1 tem um impacto negativo na eficácia do tratamento. A identificação de mutações no gene pol do HIV-1 descrita na literatura sugere que a resistência a alguns anti-retrovíricos pode ocorrer rapidamente, principalmente em situações de baixa adesão à terapêutica. O presente estudo pretendeu caracterizar a diversidade genética da região da transcriptase reversa (RT) do gene pol numa população de mães multíparas infectadas por HIV-1, avaliar a proporção de mutações de resistência aos inibidores da transcriptase reversa (RTI) em função dos regimes de terapia anti-retrovírica (TAR) de prevenção da TMF administrados entre 1999 e 2008. Um grupo de 68 amostras colhidas pós parto a 34 mães multíparas infectadas por HIV-1 foram submetidas a amplificação de uma região da RT por nested PCR, seguindo-se a sequenciação dos produtos amplificados e classificação molecular das sequências obtidas por análise filogenética. A proporção de mães que cumpriram TAR de prevenção da TMF aumentou de 85,3% (1ª gravidez) para 94,1% (2ª gravidez). A prevenção em regime de terapia tripla (TT) ocorreu em 66,2% dos casos, a terapia dupla (TD) em 8,8% dos casos (administrada apenas até 2003) e a prevenção por HAART em 14,7% dos casos (administrada só depois de 2005). Associados à ausência de prevenção foram diagnosticados 2 casos de TMF do HIV-1. Foi obtida uma sensibilidade de 97% para a amplificação da região RT e um sucesso de 89,4% na sequenciação das amostras amplificadas. A classificação das sequências revelou uma prevalência de 42,4% do subtipo G, de 28,8% do subtipo B, de 13,6% do subtipo C, de 3,4% do subtipo A, de 1,7% do subtipo D, e ainda, foram identificadas duas formas recombinadas CRF02_AG e CRF14_BG/CRF02_AG. Observou-se um aumento na proporção de mutações de resistência aos RTI de 32,1% para 38,7%, partindo do grupo de 1as amostras (1º filho) para o grupo de 2as amostras (2º filho) analisadas. As mutações M184V e L74V (associadas a elevados níveis de resistência aos NRTI) e as mutações K103N, Y181C e Y188L (associadas a elevados níveis de resistência aos NNRTI) foram identificadas no grupo de sequências analisadas. Foram encontradas mutações de resistência aos RTI (T215Y, K219Q e V179D) em mães que não transmitiram o vírus e não fizeram prevenção da TMF. De um modo geral, constatou-se maior prevalência de mutações associadas aos NRTI, nomeadamente ao AZT. A avaliação da proporção de mutações de resistência aos RTI revelou um incremento na sua proporção e diversidade, a partir do grupo de sequências associadas a regimes de TD para o grupo de sequências associadas a regimes de TT. Contrariamente ao descrito na literatura, uma percentagem significativa de mutações de resistência de 22,2% foi encontrada no grupo de sequências derivadas de mães que cumpriram prevenção da TMF por HAART. Estudos de maior amostragem e alargados a outras regiões genómicas do HIV-1 podem conduzir a uma melhor avaliação clinica sobre a influência de mutações de resistência na eficácia dos regimes terapêuticos para tratamento e prevenção da TMF e também melhorar a classificação dos vírus. |
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| Autores principais: | Espinheira, Ana Filipa Moreira, 1989- |
| Assunto: | HIV-1 Resistência aos antivirais Transmissão mãe-filho Teses de Mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A transmissão mãe-filho (TMF) é a principal causa de infecção por HIV-1 em crianças nascidas de mães infectadas nos países em vias de desenvolvimento. A elevada diversidade genética do HIV-1 tem um impacto negativo na eficácia do tratamento. A identificação de mutações no gene pol do HIV-1 descrita na literatura sugere que a resistência a alguns anti-retrovíricos pode ocorrer rapidamente, principalmente em situações de baixa adesão à terapêutica. O presente estudo pretendeu caracterizar a diversidade genética da região da transcriptase reversa (RT) do gene pol numa população de mães multíparas infectadas por HIV-1, avaliar a proporção de mutações de resistência aos inibidores da transcriptase reversa (RTI) em função dos regimes de terapia anti-retrovírica (TAR) de prevenção da TMF administrados entre 1999 e 2008. Um grupo de 68 amostras colhidas pós parto a 34 mães multíparas infectadas por HIV-1 foram submetidas a amplificação de uma região da RT por nested PCR, seguindo-se a sequenciação dos produtos amplificados e classificação molecular das sequências obtidas por análise filogenética. A proporção de mães que cumpriram TAR de prevenção da TMF aumentou de 85,3% (1ª gravidez) para 94,1% (2ª gravidez). A prevenção em regime de terapia tripla (TT) ocorreu em 66,2% dos casos, a terapia dupla (TD) em 8,8% dos casos (administrada apenas até 2003) e a prevenção por HAART em 14,7% dos casos (administrada só depois de 2005). Associados à ausência de prevenção foram diagnosticados 2 casos de TMF do HIV-1. Foi obtida uma sensibilidade de 97% para a amplificação da região RT e um sucesso de 89,4% na sequenciação das amostras amplificadas. A classificação das sequências revelou uma prevalência de 42,4% do subtipo G, de 28,8% do subtipo B, de 13,6% do subtipo C, de 3,4% do subtipo A, de 1,7% do subtipo D, e ainda, foram identificadas duas formas recombinadas CRF02_AG e CRF14_BG/CRF02_AG. Observou-se um aumento na proporção de mutações de resistência aos RTI de 32,1% para 38,7%, partindo do grupo de 1as amostras (1º filho) para o grupo de 2as amostras (2º filho) analisadas. As mutações M184V e L74V (associadas a elevados níveis de resistência aos NRTI) e as mutações K103N, Y181C e Y188L (associadas a elevados níveis de resistência aos NNRTI) foram identificadas no grupo de sequências analisadas. Foram encontradas mutações de resistência aos RTI (T215Y, K219Q e V179D) em mães que não transmitiram o vírus e não fizeram prevenção da TMF. De um modo geral, constatou-se maior prevalência de mutações associadas aos NRTI, nomeadamente ao AZT. A avaliação da proporção de mutações de resistência aos RTI revelou um incremento na sua proporção e diversidade, a partir do grupo de sequências associadas a regimes de TD para o grupo de sequências associadas a regimes de TT. Contrariamente ao descrito na literatura, uma percentagem significativa de mutações de resistência de 22,2% foi encontrada no grupo de sequências derivadas de mães que cumpriram prevenção da TMF por HAART. Estudos de maior amostragem e alargados a outras regiões genómicas do HIV-1 podem conduzir a uma melhor avaliação clinica sobre a influência de mutações de resistência na eficácia dos regimes terapêuticos para tratamento e prevenção da TMF e também melhorar a classificação dos vírus. |
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