Publicação
Home hospitalization in palliative care : impact on health service utilization, patient safety, end-of-life care, and survival outcomes
| Resumo: | Introdução: Cuidados paliativos são cuidados de saúde holísticos que procuram melhorar a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias/cuidadores que enfrentam doenças avançadas, progressivas e incuráveis, através da prevenção e alívio do sofrimento. Além disso, uma grande percentagem destes doentes e cuidadores demonstra preferência por cuidados paliativos domiciliários e cuidados de fim de vida, sublinhando a importância da hospitalização domiciliária na resposta às necessidades dos doentes que necessitam de cuidados paliativos. A hospitalização domiciliária é um modelo de cuidados alternativo que visa aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde e atender à crescente população de pacientes. Este modelo facilita o acesso aos cuidados de saúde, mitigando complicações associadas à hospitalização tradicional e promovendo um ambiente psicossocial familiar e mais favorável ao apoio ao doente, valorizando o papel integral dos familiares/cuidadores. Objetivos: Este estudo reviu sistematicamente a literatura para avaliar o papel da hospitalização domiciliária em cuidados paliativos, com foco nas readmissões hospitalares, tempo de internamento, segurança e satisfação do paciente e cuidador, local de morte e sobrevida global. Métodos: Esta revisão sistemática foi desenvolvida seguindo as diretrizes da “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and meta-Analysis”. Executou-se uma pesquisa sistemática nas bases de dados da PubMed, Scopus e Web of Science entre Janeiro de 2013 e Dezembro de 2023. Participantes: pacientes de qualquer idade ou sexo, com diagnóstico de cancro avançado, metastático ou incurável ou demência avançada. Intervenção: hospitalização domiciliária. Estudos com intervenções em cuidados paliativos, analisando pelo menos um dos desfechos propostos. Comparador: cuidados habituais. Desfechos: readmissões hospitalares, tempo de internamento, local de morte e sobrevida global, segurança e satisfação do paciente e cuidador. Desenho: Antecipando um número reduzido de estudos randomizados controlados, estudos com outro tipo de desenhos também foram incluídos. Todos os resultados correspondentes a cada um dos desfechos foram documentados e as medidas de efeito foram aceites como apresentadas pelos autores de cada estudo. O risco de viés foi avaliado com recurso a ferramentas da Cochrane (Rob2 e ROBINS-I). Dado o esperado número reduzido de estudos e a elevada heterogeneidade entre eles, tomou-se a decisão de não realizar uma análise de meta- regressão. Resultados: Foram incluídos seis estudos da Dinamarca, França, Espanha e Israel. Um total de 843 participantes (696 adultos e 147 crianças) recebeu cuidados paliativos num modelo de hospitalização domiciliária. O risco global de viés foi moderado a alto. A hospitalização domiciliária reduziu as readmissões hospitalares em quatro estudos, evitando novas hospitalizações em 42,2% a 91% dos pacientes. No entanto, um estudo registou um aumento do número de readmissões em doentes com neoplasia do pulmão em estadio avançado e outro não verificou diferença significativa entre a intervenção e o controlo. Num estudo, pacientes acima dos 70 anos e com mais de 3 locais com metástases foram mais frequentemente hospitalizados. Noutro estudo, doentes com alta da unidade de cuidados paliativos ao invés do departamento de oncologia e visitas frequentes pelo médico de família tiveram mais readmissões. Dois estudos avaliaram o tempo de internamento. Um reportou uma mediana de 19 dias (variação: 1-105 dias) de hospitalização e outro indicou que a intervenção resultou numa carga hospitalar cumulativa de 1353 dias, poupando potencialmente 14% de dias de internamento. A sobrevida global mediana variou de 28 dias a 11,2 meses em dois estudos. A percentagem de participantes que morreram durante o período de intervenção foi de 2,5% e 20% em dois estudos. Um estudo foi desenvolvido com dados de pacientes falecidos, impossibilitando a avaliação da sobrevida. Além disso, um status de desempenho do “Eastern Cooperative Oncology Group” de 0 ou 1 no momento do diagnóstico e “nunca ter fumado” foram ambos associados a maior sobrevida. Três estudos reportaram que a maioria dos pacientes morreu no domicílio (52,2% a 75%). Morar sozinho e a presença de menores em casa foram fatores associados a morte no hospital. Os cuidadores relataram sentir-se seguros e satisfeitos com a hospitalização domiciliária em dois estudos, experienciando uma redução da sobrecarga. Num estudo, os pacientes também relataram sentir-se seguros e preferir continuar a ser tratados em casa. Conclusões: A hospitalização domiciliária surge como um modelo alternativo promissor de prestação de cuidados paliativos fora do ambiente hospitalar, como demonstrado nesta revisão sistemática. Os resultados apontam para o potencial da hospitalização domiciliária na redução do número de readmissões hospitalares, evitando novas hospitalizações numa proporção significativa de doentes e na melhoria da satisfação dos pacientes e cuidadores, reduzindo a carga sobre o cuidador. Além disso, a preferência dos doentes em morrer no domicílio foi facilitada pela implementação da hospitalização domiciliária. Apesar da heterogeneidade nos desenhos e resultados dos estudos, a hospitalização domiciliária alinha-se com as preferências do paciente e do cuidador, melhorando a qualidade dos cuidados de fim de vida. Mais pesquisas padronizadas são necessárias para otimizar a implementação da hospitalização domiciliária. |
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| Autores principais: | Costa, Beatriz Farinha |
| Assunto: | Cuidados paliativos Readmissão do paciente Satisfação do paciente Segurança do paciente Serviços hospitalares de assistência domiciliar Taxa de sobrevivência Tempo de internamento |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: Cuidados paliativos são cuidados de saúde holísticos que procuram melhorar a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias/cuidadores que enfrentam doenças avançadas, progressivas e incuráveis, através da prevenção e alívio do sofrimento. Além disso, uma grande percentagem destes doentes e cuidadores demonstra preferência por cuidados paliativos domiciliários e cuidados de fim de vida, sublinhando a importância da hospitalização domiciliária na resposta às necessidades dos doentes que necessitam de cuidados paliativos. A hospitalização domiciliária é um modelo de cuidados alternativo que visa aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde e atender à crescente população de pacientes. Este modelo facilita o acesso aos cuidados de saúde, mitigando complicações associadas à hospitalização tradicional e promovendo um ambiente psicossocial familiar e mais favorável ao apoio ao doente, valorizando o papel integral dos familiares/cuidadores. Objetivos: Este estudo reviu sistematicamente a literatura para avaliar o papel da hospitalização domiciliária em cuidados paliativos, com foco nas readmissões hospitalares, tempo de internamento, segurança e satisfação do paciente e cuidador, local de morte e sobrevida global. Métodos: Esta revisão sistemática foi desenvolvida seguindo as diretrizes da “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and meta-Analysis”. Executou-se uma pesquisa sistemática nas bases de dados da PubMed, Scopus e Web of Science entre Janeiro de 2013 e Dezembro de 2023. Participantes: pacientes de qualquer idade ou sexo, com diagnóstico de cancro avançado, metastático ou incurável ou demência avançada. Intervenção: hospitalização domiciliária. Estudos com intervenções em cuidados paliativos, analisando pelo menos um dos desfechos propostos. Comparador: cuidados habituais. Desfechos: readmissões hospitalares, tempo de internamento, local de morte e sobrevida global, segurança e satisfação do paciente e cuidador. Desenho: Antecipando um número reduzido de estudos randomizados controlados, estudos com outro tipo de desenhos também foram incluídos. Todos os resultados correspondentes a cada um dos desfechos foram documentados e as medidas de efeito foram aceites como apresentadas pelos autores de cada estudo. O risco de viés foi avaliado com recurso a ferramentas da Cochrane (Rob2 e ROBINS-I). Dado o esperado número reduzido de estudos e a elevada heterogeneidade entre eles, tomou-se a decisão de não realizar uma análise de meta- regressão. Resultados: Foram incluídos seis estudos da Dinamarca, França, Espanha e Israel. Um total de 843 participantes (696 adultos e 147 crianças) recebeu cuidados paliativos num modelo de hospitalização domiciliária. O risco global de viés foi moderado a alto. A hospitalização domiciliária reduziu as readmissões hospitalares em quatro estudos, evitando novas hospitalizações em 42,2% a 91% dos pacientes. No entanto, um estudo registou um aumento do número de readmissões em doentes com neoplasia do pulmão em estadio avançado e outro não verificou diferença significativa entre a intervenção e o controlo. Num estudo, pacientes acima dos 70 anos e com mais de 3 locais com metástases foram mais frequentemente hospitalizados. Noutro estudo, doentes com alta da unidade de cuidados paliativos ao invés do departamento de oncologia e visitas frequentes pelo médico de família tiveram mais readmissões. Dois estudos avaliaram o tempo de internamento. Um reportou uma mediana de 19 dias (variação: 1-105 dias) de hospitalização e outro indicou que a intervenção resultou numa carga hospitalar cumulativa de 1353 dias, poupando potencialmente 14% de dias de internamento. A sobrevida global mediana variou de 28 dias a 11,2 meses em dois estudos. A percentagem de participantes que morreram durante o período de intervenção foi de 2,5% e 20% em dois estudos. Um estudo foi desenvolvido com dados de pacientes falecidos, impossibilitando a avaliação da sobrevida. Além disso, um status de desempenho do “Eastern Cooperative Oncology Group” de 0 ou 1 no momento do diagnóstico e “nunca ter fumado” foram ambos associados a maior sobrevida. Três estudos reportaram que a maioria dos pacientes morreu no domicílio (52,2% a 75%). Morar sozinho e a presença de menores em casa foram fatores associados a morte no hospital. Os cuidadores relataram sentir-se seguros e satisfeitos com a hospitalização domiciliária em dois estudos, experienciando uma redução da sobrecarga. Num estudo, os pacientes também relataram sentir-se seguros e preferir continuar a ser tratados em casa. Conclusões: A hospitalização domiciliária surge como um modelo alternativo promissor de prestação de cuidados paliativos fora do ambiente hospitalar, como demonstrado nesta revisão sistemática. Os resultados apontam para o potencial da hospitalização domiciliária na redução do número de readmissões hospitalares, evitando novas hospitalizações numa proporção significativa de doentes e na melhoria da satisfação dos pacientes e cuidadores, reduzindo a carga sobre o cuidador. Além disso, a preferência dos doentes em morrer no domicílio foi facilitada pela implementação da hospitalização domiciliária. Apesar da heterogeneidade nos desenhos e resultados dos estudos, a hospitalização domiciliária alinha-se com as preferências do paciente e do cuidador, melhorando a qualidade dos cuidados de fim de vida. Mais pesquisas padronizadas são necessárias para otimizar a implementação da hospitalização domiciliária. |
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