Publicação
Un peu d'ici, un peu d'ailleurs : analogie, dichotomie et hybride dans le paysage
| Resumo: | No meu trabalho de pintura, crio situações em que vários elementos sugerem ambiguidades sob a forma de dicotomias, tal como a presença dum objeto, ou dum espaço, que entra em contradição com a paisagem, ou o ambiente onde se encontra. Por exemplo: caixas de correio na entrada dum cemitério, ou um castelo miniatura no meio dum canteiro de obras. Essas dicotomias servem para quebrar a relação de familiaridade e de proximidade com o que já existe e criar situações paradoxais, fora do comum, tanto estranhas como extraordinárias. O objetivo de confrontar elementos que, à primeira vista, não são compatíveis, é mostrar que pode haver ligações visuais entre objetos que se opõem completamente e, com isso, abrir novas significações. Este trabalho de investigação consiste em apresentar e explorar textualmente os assuntos que se encontram na minha pintura, de um modo ancorado na história da arte, no pensamento estético, na cultura geral e nos factos sociais e de atualidade, apoiando-me sobre obras atuais como outras mais antigas (do Böcklin até Julio Larraz passando por Giorgio de Chirico). Desejo apresentar a paisagem como um espaço de encontro onde se juntam duas situações diferentes (ou mais): dum lado a urbanização (a arquitetura, a modernidade, o industrial) e do outro a natureza, ou ainda a arqueologia. Graças ao cruzamento desses diferentes mundos que convivem no mesmo espaço, nascem objetos híbridos. A analogia é um processo básico de pensamento usado para comparar e apontar uma semelhança entre duas coisas de natureza ou de função diferente. O poder da metáfora que vem duma analogia visual ou conceptual evoca múltiplos significados a partir da mesma imagem. Na parte filosófica, literária ou poética, o uso da imagem é uma ferramenta de comparação, como Platão quando faz a analogia do sol e do bem. Em contrapartida, a mesma figura pode conter vários significados e pode causar várias interpretações e isso mesmo nos objetos mais banais do quotidiano: uma caneta que tem forma duma bomba, ou um saca-rolhas que tem forma dum corpo humano. E, no caso contrário, uma sensação semelhante ou um sentido comum também podem ter para várias figuras, contendo analogias. Por exemplo: as caveiras, as covas e os corvos são três elementos de natureza diferente e, contudo, são culturalmente ligados ao tema da morte. Pinto espaços e objetos reversíveis, ou seja, que pretendem ser uma coisa, mas que também podem ser outra coisa. Numa definição mais global, a analogia é uma lógica de pensamento que acaba por separar dois conceitos distintos. No caso específico desta tese os conceitos principais são a dicotomia e o híbrido: A dicotomia é de ordem da divisão, ou da comparação, é um contraste, uma colisão entre dois antagonistas que diferem nas suas formas, natureza e função. E o híbrido representa uma fusão de duas entidades ou dois espaços diferentes para criar um produto, um corpo, uma nova criação. |
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| Autores principais: | Le Guay, Tristan Edouard Thadée |
| Assunto: | Pintura Paisagem urbana Dicotomia Analogia Hibridismo Colagens Imaginário Surrealismo Primitivismo Arte bruta Antropomorfismo |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | francês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | No meu trabalho de pintura, crio situações em que vários elementos sugerem ambiguidades sob a forma de dicotomias, tal como a presença dum objeto, ou dum espaço, que entra em contradição com a paisagem, ou o ambiente onde se encontra. Por exemplo: caixas de correio na entrada dum cemitério, ou um castelo miniatura no meio dum canteiro de obras. Essas dicotomias servem para quebrar a relação de familiaridade e de proximidade com o que já existe e criar situações paradoxais, fora do comum, tanto estranhas como extraordinárias. O objetivo de confrontar elementos que, à primeira vista, não são compatíveis, é mostrar que pode haver ligações visuais entre objetos que se opõem completamente e, com isso, abrir novas significações. Este trabalho de investigação consiste em apresentar e explorar textualmente os assuntos que se encontram na minha pintura, de um modo ancorado na história da arte, no pensamento estético, na cultura geral e nos factos sociais e de atualidade, apoiando-me sobre obras atuais como outras mais antigas (do Böcklin até Julio Larraz passando por Giorgio de Chirico). Desejo apresentar a paisagem como um espaço de encontro onde se juntam duas situações diferentes (ou mais): dum lado a urbanização (a arquitetura, a modernidade, o industrial) e do outro a natureza, ou ainda a arqueologia. Graças ao cruzamento desses diferentes mundos que convivem no mesmo espaço, nascem objetos híbridos. A analogia é um processo básico de pensamento usado para comparar e apontar uma semelhança entre duas coisas de natureza ou de função diferente. O poder da metáfora que vem duma analogia visual ou conceptual evoca múltiplos significados a partir da mesma imagem. Na parte filosófica, literária ou poética, o uso da imagem é uma ferramenta de comparação, como Platão quando faz a analogia do sol e do bem. Em contrapartida, a mesma figura pode conter vários significados e pode causar várias interpretações e isso mesmo nos objetos mais banais do quotidiano: uma caneta que tem forma duma bomba, ou um saca-rolhas que tem forma dum corpo humano. E, no caso contrário, uma sensação semelhante ou um sentido comum também podem ter para várias figuras, contendo analogias. Por exemplo: as caveiras, as covas e os corvos são três elementos de natureza diferente e, contudo, são culturalmente ligados ao tema da morte. Pinto espaços e objetos reversíveis, ou seja, que pretendem ser uma coisa, mas que também podem ser outra coisa. Numa definição mais global, a analogia é uma lógica de pensamento que acaba por separar dois conceitos distintos. No caso específico desta tese os conceitos principais são a dicotomia e o híbrido: A dicotomia é de ordem da divisão, ou da comparação, é um contraste, uma colisão entre dois antagonistas que diferem nas suas formas, natureza e função. E o híbrido representa uma fusão de duas entidades ou dois espaços diferentes para criar um produto, um corpo, uma nova criação. |
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