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Associação da resposta ao omeprazole segundo o polimorfismo CYP2C19 e o cancro do estômago

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos últimos anos tem-se verificado um aumento da prescrição e da utilização prolongada de inibidores da bomba de protões (IBPs). Paralelamente, inúmeros trabalhos têm descrito um aumento da incidência de efeitos adversos e uma forte associação entre o uso de IBPs e o cancro do estômago. Além disso, o genótipo do CYP2C19 é também considerado um dos fatores que determinam a suscetibilidade ao cancro. Esta revisão integrativa da literatura pretende compreender a importância do metabolismo do omeprazole na etiologia do cancro do estômago, assim como sinalizar prováveis grupos de risco baseados nos polimorfismos do CYP2C19. Os objetivos deste trabalho foram: 1) esclarecer o potencial impacto do uso prolongado de inibidores da bomba de protões na incidência do cancro do estômago, 2) verificar se a resposta aos IBPs mediada pelo CYP2C19 é fator de risco para cancro gástrico e 3) avaliar a compreensão atual do processo desencadeado pela H. pylori e pela microbiota gástrica na presença de alterações da acidez gástrica, no cancro do estômago. Para tal, foi efetuada uma pesquisa estruturada e sistematizada em plataformas como a Pubmed, a Web of Science, a Cochrane Library e a Science Direct. Foram incluídos 88 artigos e realizada uma análise metodológica de 26 estudos científicos. Este trabalho permite concluir que o papel do CYP2C19 na associação ao cancro do estômago, pode não se limitar à resposta ao tratamento de erradicação da HP com omeprazole. O impacto da supressão da acidez gástrica nos níveis de gastrina e na disbiose do microbioma gástrico, principalmente no que se refere à carga de carcinogénicos em circulação, parecem ser os mecanismos mais prováveis que relacionam a resposta ao omeprazole e a carcinogénese gástrica, segundo os polimorfismos CYP2C19. Esta associação é reforçada em regiões geográficas com aumento da incidência de cancro do estômago, como nos países asiáticos, onde predominam indívíduos metabolizadores lentos (ML) do CYP2C19. A comunidade médica deve estar alerta e consciencializada para a importância da biotransformação dos IBPs em conformidade com as características fenotípicas individuais e os riscos da sua utilização indevida.
Autores principais:Baptista, Marta Ribeiro Teles Antunes
Assunto:Inibidores da bomba de protões Omeprazole CYP2C19 Cancro do estômago
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos últimos anos tem-se verificado um aumento da prescrição e da utilização prolongada de inibidores da bomba de protões (IBPs). Paralelamente, inúmeros trabalhos têm descrito um aumento da incidência de efeitos adversos e uma forte associação entre o uso de IBPs e o cancro do estômago. Além disso, o genótipo do CYP2C19 é também considerado um dos fatores que determinam a suscetibilidade ao cancro. Esta revisão integrativa da literatura pretende compreender a importância do metabolismo do omeprazole na etiologia do cancro do estômago, assim como sinalizar prováveis grupos de risco baseados nos polimorfismos do CYP2C19. Os objetivos deste trabalho foram: 1) esclarecer o potencial impacto do uso prolongado de inibidores da bomba de protões na incidência do cancro do estômago, 2) verificar se a resposta aos IBPs mediada pelo CYP2C19 é fator de risco para cancro gástrico e 3) avaliar a compreensão atual do processo desencadeado pela H. pylori e pela microbiota gástrica na presença de alterações da acidez gástrica, no cancro do estômago. Para tal, foi efetuada uma pesquisa estruturada e sistematizada em plataformas como a Pubmed, a Web of Science, a Cochrane Library e a Science Direct. Foram incluídos 88 artigos e realizada uma análise metodológica de 26 estudos científicos. Este trabalho permite concluir que o papel do CYP2C19 na associação ao cancro do estômago, pode não se limitar à resposta ao tratamento de erradicação da HP com omeprazole. O impacto da supressão da acidez gástrica nos níveis de gastrina e na disbiose do microbioma gástrico, principalmente no que se refere à carga de carcinogénicos em circulação, parecem ser os mecanismos mais prováveis que relacionam a resposta ao omeprazole e a carcinogénese gástrica, segundo os polimorfismos CYP2C19. Esta associação é reforçada em regiões geográficas com aumento da incidência de cancro do estômago, como nos países asiáticos, onde predominam indívíduos metabolizadores lentos (ML) do CYP2C19. A comunidade médica deve estar alerta e consciencializada para a importância da biotransformação dos IBPs em conformidade com as características fenotípicas individuais e os riscos da sua utilização indevida.