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A mudança da prática pedagógica por introdução de uma inovação curricular no 2º ciclo

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Resumo:A função principal da escola é produzir saber e cultura, para além de um espaço de integração social e de redução das desigualdades, em que a participação individual e colectiva ajudam a construir a autonomia e a cidadania. Com a obrigação da frequência da escola, esta passou a ser um percurso comum a todas as crianças e jovens, lugar de aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências e muitas vezes a única referência estruturada nas suas vidas. Mais do que a qualquer outra instituição é pedido à escola que dê resposta a todos os problemas que vão surgindo no dia a dia. Se por um lado isto acontece, por outro lado é comum ouvirmos dizer que a escola não prepara convenientemente as crianças e os jovens que a frequentam. De quem será a culpa? Estará o currículo escolar adaptado ás necessidades do presente ou será no desenvolvimento do currículo que as dificuldades se encontram? Muitos autores apontam para que a mudança da escola assente sobretudo numa dinâmica protagonizada pelos agentes de desenvolvimento do currículo, uma vez que a evolução do conhecimento tem, de um modo geral, sido seguida na proposta de conteúdos. Mudar a escola (e também a sala de aula), é uma das tarefas mais inovadoras, principalmente se desejarmos uma mudança efectiva no campo das práticas (Pacheco, 2000). Desde sempre nos incomodaram os pequenos passos dados por nós, professores, para acompanhar verdadeiramente os alunos, para fazer com eles percursos significativos de descoberta pessoal, que abram janelas para o conhecimento e compreensão do mundo em que vivemos. Ao longo da nossa carreira fomos fazendo algumas experiências na sala de aula, na Área Escola e na Sala de Estudo, que assentavam sobretudo na mudança de práticas. Os resultados foram animadores e alimentaram o nosso interesse por conhecer mais sobre as razões que levam os professores a mudar a sua prática. Mas por onde começar? Foi então que, uma razão circunstancial tomou forma, mesmo ao nosso lado: a escola onde trabalhávamos participou numa experiência de alteração curricular, no ano lectivo 1998/99 resultante da apresentação de um projecto de Gestão Flexível do Currículo, para o 5°ano de escolaridade. A administração central propôs uma nova área curricular, de frequência obrigatória, não disciplinar, chamada Estudo Acompanhado, que apostava no desenvolvimento de competências transversais e no reforço de aprendizagens nucleares, através de estratégias diferenciadas que acompanhassem os alunos com vista a aprendizagens significativas. Estava descoberto o começo!... O ponto de partida deste estudo. Delimitou-se então o problema, para cujo esclarecimento se pretendia contribuir e que pode sintetizar-se na seguinte pergunta: até que ponto uma inovação curricular proposta pela administração central pode ser factor de evolução das práticas dos professores? Esta investigação teve os seguintes objectivos: Objectivo geral: Contribuir para a compreensão das razões que levam os professores a mudar a sua prática. Objectivos operativos: - Identificar as razões que levam os professores à mudança; Identificar, descrever e analisar as percepções dos professores acerca dos processos de mudança; - Identificar os indicadores da mudança operada nos professores; - Verificar e analisar as relações existentes entre o discurso dos professores e as opiniões dos aluno; - Perceber se uma alteração curricular proposta pela administração central pode ser factor de evolução das práticas dos professores? As preocupações surgidas para o aperfeiçoamento da nossa prática pedagógica, levaram-nos a um estudo para o qual foi necessário adoptar a posição do investigador, já ensaiada timidamente numa experiência de investigação-acção. Não nos assumimos, claramente, como teóricos desta área, mas como práticos interventivos que gostariam de conhecer mais profundamente o fenómeno pedagógico e contribuir para a divulgação do que se vai percebendo. Assim, o nosso empenhamento incidiu sobre os aspectos práticos do estudo, numa tentativa de interpretação do real.
Autores principais:Serafim, Maria da Conceição Catarino Leonardo Limas, 1946-
Assunto:Teses de mestrado - 2002 Inovação curricular Prática pedagógica Ensino básico (2º ciclo)
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A função principal da escola é produzir saber e cultura, para além de um espaço de integração social e de redução das desigualdades, em que a participação individual e colectiva ajudam a construir a autonomia e a cidadania. Com a obrigação da frequência da escola, esta passou a ser um percurso comum a todas as crianças e jovens, lugar de aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências e muitas vezes a única referência estruturada nas suas vidas. Mais do que a qualquer outra instituição é pedido à escola que dê resposta a todos os problemas que vão surgindo no dia a dia. Se por um lado isto acontece, por outro lado é comum ouvirmos dizer que a escola não prepara convenientemente as crianças e os jovens que a frequentam. De quem será a culpa? Estará o currículo escolar adaptado ás necessidades do presente ou será no desenvolvimento do currículo que as dificuldades se encontram? Muitos autores apontam para que a mudança da escola assente sobretudo numa dinâmica protagonizada pelos agentes de desenvolvimento do currículo, uma vez que a evolução do conhecimento tem, de um modo geral, sido seguida na proposta de conteúdos. Mudar a escola (e também a sala de aula), é uma das tarefas mais inovadoras, principalmente se desejarmos uma mudança efectiva no campo das práticas (Pacheco, 2000). Desde sempre nos incomodaram os pequenos passos dados por nós, professores, para acompanhar verdadeiramente os alunos, para fazer com eles percursos significativos de descoberta pessoal, que abram janelas para o conhecimento e compreensão do mundo em que vivemos. Ao longo da nossa carreira fomos fazendo algumas experiências na sala de aula, na Área Escola e na Sala de Estudo, que assentavam sobretudo na mudança de práticas. Os resultados foram animadores e alimentaram o nosso interesse por conhecer mais sobre as razões que levam os professores a mudar a sua prática. Mas por onde começar? Foi então que, uma razão circunstancial tomou forma, mesmo ao nosso lado: a escola onde trabalhávamos participou numa experiência de alteração curricular, no ano lectivo 1998/99 resultante da apresentação de um projecto de Gestão Flexível do Currículo, para o 5°ano de escolaridade. A administração central propôs uma nova área curricular, de frequência obrigatória, não disciplinar, chamada Estudo Acompanhado, que apostava no desenvolvimento de competências transversais e no reforço de aprendizagens nucleares, através de estratégias diferenciadas que acompanhassem os alunos com vista a aprendizagens significativas. Estava descoberto o começo!... O ponto de partida deste estudo. Delimitou-se então o problema, para cujo esclarecimento se pretendia contribuir e que pode sintetizar-se na seguinte pergunta: até que ponto uma inovação curricular proposta pela administração central pode ser factor de evolução das práticas dos professores? Esta investigação teve os seguintes objectivos: Objectivo geral: Contribuir para a compreensão das razões que levam os professores a mudar a sua prática. Objectivos operativos: - Identificar as razões que levam os professores à mudança; Identificar, descrever e analisar as percepções dos professores acerca dos processos de mudança; - Identificar os indicadores da mudança operada nos professores; - Verificar e analisar as relações existentes entre o discurso dos professores e as opiniões dos aluno; - Perceber se uma alteração curricular proposta pela administração central pode ser factor de evolução das práticas dos professores? As preocupações surgidas para o aperfeiçoamento da nossa prática pedagógica, levaram-nos a um estudo para o qual foi necessário adoptar a posição do investigador, já ensaiada timidamente numa experiência de investigação-acção. Não nos assumimos, claramente, como teóricos desta área, mas como práticos interventivos que gostariam de conhecer mais profundamente o fenómeno pedagógico e contribuir para a divulgação do que se vai percebendo. Assim, o nosso empenhamento incidiu sobre os aspectos práticos do estudo, numa tentativa de interpretação do real.