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Novas metodologias aplicadas ao estudo da epidemiologia da sarna sarcóptica em carnívoros silvestres

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Resumo:A sarna sarcóptica, provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, é uma doença cutânea que afeta várias populações de carnívoros silvestres. Em algumas populações de raposa (Vulpes vulpes) a sarna originou consideráveis declínios populacionais. No lobo (Canis lupus), apesar de a sarna não ser diretamente responsável por elevada mortalidade, os animais afetados sofrem de alterações fisiológicas e comportamentais. A população lupina portuguesa divide-se em subpopulações fragmentadas e está confinada à região norte do país, pelo que esta doença poderá originar efeitos populacionais mais significativos. Com o presente trabalho pretendeu-se, i) desenvolver um novo método de monitorização não-invasiva através da deteção molecular de S. scabiei em amostras fecais de lobo ii) descrever a epidemiologia da sarna sarcóptica em carnívoros silvestres (lobo e raposa) da região Noroeste de Portugal entre 1997 e 2019, combinando dados resultantes da análise laboratorial, utilizando métodos sorológicos para identificação de anticorpos específicos, métodos moleculares para deteção de DNA de Sarcoptes sp. em amostras fecais não-invasivas e métodos de observação direta para deteção de Sarcoptes sp. em digestões de pele alopécica, bem como dados de campo constituídos por foto-armadilhas de populações selvagens; iii) validar e avaliar o desempenho do método molecular não-invasivo através de modelos multi-evento de captura-recaptura. Foi possível identificar S. scabiei por microscopia em 8/14 (57%, IC95% 32,6-78,6%) amostras de lobo e em 5/6 (83%, IC95% 43,7-97%) amostras de raposa. Na sorologia, 28/81 amostras foram positivas (prevalência predita de 45,4%, IC95% 30,3-60,5%). Nos métodos moleculares, foi detetado DNA de S. scabiei em 71/843 amostras fecais de lobo (prevalência predita de 7,2%, IC95% 5,0-9,4%). Nas foto-armadilhas, 11/72 (15%, IC95% 8,8-25,3%) deteções de lobos e 33/369 (9%, IC95% 6,4-12,3%) de raposas apresentavam lesões compatíveis com sarna. A combinação destes métodos permitiu um estudo epidemiológico mais completo da sarna sarcóptica. Observou-se um período de alta prevalência em 2006-2009, com um pico no ano 2008 por sorologia (94,8%), enquanto que nos métodos moleculares, o pico ocorreu no ano 2009 (11,7%). Através das foto-armadilhas, a alopécia foi predominante entre fevereiro e julho e observaram-se alterações no padrão de atividade. Através do modelo multi-evento foi estimado que lobos com sarna apresentam uma mortalidade 18,4% (IC95% -15,2-49,6%) superior à dos lobos não infetados (não significativa) e foi estimada uma sensibilidade de 34,0% (IC95% 15,9-58,4%) e uma especificidade de 100% para o novo método desenvolvido.
Autores principais:Rousseau, Julieta Fernandes
Assunto:Carnivora Sarcoptes scabiei PCR Sorologia Foto-armadilhas Carnivora Sarcoptes scabiei PCR Serology Camera trapping
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A sarna sarcóptica, provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, é uma doença cutânea que afeta várias populações de carnívoros silvestres. Em algumas populações de raposa (Vulpes vulpes) a sarna originou consideráveis declínios populacionais. No lobo (Canis lupus), apesar de a sarna não ser diretamente responsável por elevada mortalidade, os animais afetados sofrem de alterações fisiológicas e comportamentais. A população lupina portuguesa divide-se em subpopulações fragmentadas e está confinada à região norte do país, pelo que esta doença poderá originar efeitos populacionais mais significativos. Com o presente trabalho pretendeu-se, i) desenvolver um novo método de monitorização não-invasiva através da deteção molecular de S. scabiei em amostras fecais de lobo ii) descrever a epidemiologia da sarna sarcóptica em carnívoros silvestres (lobo e raposa) da região Noroeste de Portugal entre 1997 e 2019, combinando dados resultantes da análise laboratorial, utilizando métodos sorológicos para identificação de anticorpos específicos, métodos moleculares para deteção de DNA de Sarcoptes sp. em amostras fecais não-invasivas e métodos de observação direta para deteção de Sarcoptes sp. em digestões de pele alopécica, bem como dados de campo constituídos por foto-armadilhas de populações selvagens; iii) validar e avaliar o desempenho do método molecular não-invasivo através de modelos multi-evento de captura-recaptura. Foi possível identificar S. scabiei por microscopia em 8/14 (57%, IC95% 32,6-78,6%) amostras de lobo e em 5/6 (83%, IC95% 43,7-97%) amostras de raposa. Na sorologia, 28/81 amostras foram positivas (prevalência predita de 45,4%, IC95% 30,3-60,5%). Nos métodos moleculares, foi detetado DNA de S. scabiei em 71/843 amostras fecais de lobo (prevalência predita de 7,2%, IC95% 5,0-9,4%). Nas foto-armadilhas, 11/72 (15%, IC95% 8,8-25,3%) deteções de lobos e 33/369 (9%, IC95% 6,4-12,3%) de raposas apresentavam lesões compatíveis com sarna. A combinação destes métodos permitiu um estudo epidemiológico mais completo da sarna sarcóptica. Observou-se um período de alta prevalência em 2006-2009, com um pico no ano 2008 por sorologia (94,8%), enquanto que nos métodos moleculares, o pico ocorreu no ano 2009 (11,7%). Através das foto-armadilhas, a alopécia foi predominante entre fevereiro e julho e observaram-se alterações no padrão de atividade. Através do modelo multi-evento foi estimado que lobos com sarna apresentam uma mortalidade 18,4% (IC95% -15,2-49,6%) superior à dos lobos não infetados (não significativa) e foi estimada uma sensibilidade de 34,0% (IC95% 15,9-58,4%) e uma especificidade de 100% para o novo método desenvolvido.