Publicação
Burnout profissional em professores portugueses : representações sociais, incidência e preditores
| Resumo: | Os professores encontram-se entre os profissionais sujeitos a níveis mais elevados de stress, sendo igualmente o seu grupo profissional aquele em que os sintomas de exaustão emocional e de despersonalização, próprios do síndroma de burnout, se revelam mais frequentes em alguns países. Com este trabalho procuramos dar um contributo para o estudo do burnout profissional dos professores portugueses, da sua incidência e desenvolvimento ao longo da carreira docente, e da sua compreensão num quadro transacional em que se destacam as variáveis de stress e coping e se propõe uma articulação com as representações sociais que os docentes constroem do burnout na sua profissão (capítulos dois e três). Pretendendo afirmar a relevância de uma abordagem societal do burnout, começamos por analisar o fenómeno do burnout profissional dos professores no quadro da teoria das representações sociais. Os dois estudos empíricos desenvolvidos (capítulo três), envolvendo mais de 900 professores portugueses, permitiram-nos reconstruir e caracterizar três grandes representações sociais do burnout na docência - burnout como doença, burnout como desadaptação e burnout como absentismo – sugerir diferentes tendências de relação entre estas representações sociais e as estratégias de coping utilizadas pelos docentes em situação de stress profissional e propor as representações sociais do burnout como doença e como absentismo como variáveis moderadoras da relação entre o coping e o burnout. Seguidamente (capítulo quatro), debruçamo-nos sobre os problemas da incidência e dos preditores do burnout profissional dos professores. O estudo empírico realizado com uma ampla amostra de docentes (N=777) da zona da DREL, revelou alguns indicadores preocupantes de mal-estar profissional: 54% dos professores inquiridos percepcionam a sua profissão como uma actividade muito ou extremamente geradora de stress; 6.3% evidenciam graves sintomas de burnout, encontrando-se numa situação que diríamos de burnout pleno; e cerca de 30% apresentam sintomas preocupantes e um elevado risco de evoluírem para um quadro de burnout pleno. Este estudo veio corroborar a relevância de uma conceptualização e prevenção multidimensional do burnout ao identificar preditores diferenciados para cada uma das três dimensões que caracterizam este síndroma: a exaustão emocional configura-se como uma reacção ortodoxa ao stress profissional; o valor preditivo das variáveis de coping relativamente à perda de realização pessoal no trabalho alerta-nos para a importância das estratégias e competências profissionais tendo em vista uma melhoria do sentido de auto-eficácia profissional; finalmente a despersonalização revela-se como a mais complexa das três dimensões do burnout, sendo de destacar o valor preditivo que as estratégias de coping de negação e evitamento e as representações sociais do burnout como desadaptação e como absentismo assumem na sua explicação. Este estudo permitiu-nos igualmente clarificar o papel disfuncional que as estratégias / estilos de coping de negação e evitamento assumem na relação stress – burnout, potenciando os sentimentos de exaustão emocional e de despersonalização e diminuindo a realização pessoal no trabalho. Permitiu-nos ainda analisar o papel das representações sociais do burnout no processo de stress - coping – burnout, destacando a sua relevância para uma compreensão acrescida da dinâmica conducente ao uso de padrões de coping disfuncionais e, muito em particular, à dimensão de despersonalização do burnout: as atitudes de despersonalização parecem ser em grande medida reguladas pelas representações sociais do burnout como desadaptação e como absentismo. No final do trabalho (capítulo cinco) fazemos uma reflexão crítica sobre a prevenção do burnout pensada a nível da formação de professores, tendo em conta as limitações dos habituais programas de prevenção e tratamento do burnout profissional e as principais implicações dos resultados dos estudos empíricos que este trabalho inclui. |
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| Autores principais: | Marques-Pinto, A. |
| Assunto: | Síndroma de Burnout Stress ocupacional Coping Representações sociais Professores Teses de doutoramento - 2001 |
| Ano: | 2000 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os professores encontram-se entre os profissionais sujeitos a níveis mais elevados de stress, sendo igualmente o seu grupo profissional aquele em que os sintomas de exaustão emocional e de despersonalização, próprios do síndroma de burnout, se revelam mais frequentes em alguns países. Com este trabalho procuramos dar um contributo para o estudo do burnout profissional dos professores portugueses, da sua incidência e desenvolvimento ao longo da carreira docente, e da sua compreensão num quadro transacional em que se destacam as variáveis de stress e coping e se propõe uma articulação com as representações sociais que os docentes constroem do burnout na sua profissão (capítulos dois e três). Pretendendo afirmar a relevância de uma abordagem societal do burnout, começamos por analisar o fenómeno do burnout profissional dos professores no quadro da teoria das representações sociais. Os dois estudos empíricos desenvolvidos (capítulo três), envolvendo mais de 900 professores portugueses, permitiram-nos reconstruir e caracterizar três grandes representações sociais do burnout na docência - burnout como doença, burnout como desadaptação e burnout como absentismo – sugerir diferentes tendências de relação entre estas representações sociais e as estratégias de coping utilizadas pelos docentes em situação de stress profissional e propor as representações sociais do burnout como doença e como absentismo como variáveis moderadoras da relação entre o coping e o burnout. Seguidamente (capítulo quatro), debruçamo-nos sobre os problemas da incidência e dos preditores do burnout profissional dos professores. O estudo empírico realizado com uma ampla amostra de docentes (N=777) da zona da DREL, revelou alguns indicadores preocupantes de mal-estar profissional: 54% dos professores inquiridos percepcionam a sua profissão como uma actividade muito ou extremamente geradora de stress; 6.3% evidenciam graves sintomas de burnout, encontrando-se numa situação que diríamos de burnout pleno; e cerca de 30% apresentam sintomas preocupantes e um elevado risco de evoluírem para um quadro de burnout pleno. Este estudo veio corroborar a relevância de uma conceptualização e prevenção multidimensional do burnout ao identificar preditores diferenciados para cada uma das três dimensões que caracterizam este síndroma: a exaustão emocional configura-se como uma reacção ortodoxa ao stress profissional; o valor preditivo das variáveis de coping relativamente à perda de realização pessoal no trabalho alerta-nos para a importância das estratégias e competências profissionais tendo em vista uma melhoria do sentido de auto-eficácia profissional; finalmente a despersonalização revela-se como a mais complexa das três dimensões do burnout, sendo de destacar o valor preditivo que as estratégias de coping de negação e evitamento e as representações sociais do burnout como desadaptação e como absentismo assumem na sua explicação. Este estudo permitiu-nos igualmente clarificar o papel disfuncional que as estratégias / estilos de coping de negação e evitamento assumem na relação stress – burnout, potenciando os sentimentos de exaustão emocional e de despersonalização e diminuindo a realização pessoal no trabalho. Permitiu-nos ainda analisar o papel das representações sociais do burnout no processo de stress - coping – burnout, destacando a sua relevância para uma compreensão acrescida da dinâmica conducente ao uso de padrões de coping disfuncionais e, muito em particular, à dimensão de despersonalização do burnout: as atitudes de despersonalização parecem ser em grande medida reguladas pelas representações sociais do burnout como desadaptação e como absentismo. No final do trabalho (capítulo cinco) fazemos uma reflexão crítica sobre a prevenção do burnout pensada a nível da formação de professores, tendo em conta as limitações dos habituais programas de prevenção e tratamento do burnout profissional e as principais implicações dos resultados dos estudos empíricos que este trabalho inclui. |
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