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A pertinência da ajuda pública ao desenvolvimento no contexto de uma pequena economia insular em transição : o caso de Cabo Verde

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A cooperação para o desenvolvimento constitui uma das determinantes mais importantes do desenvolvimento económico e social dos países em desenvolvimento (PVD) em geral e das pequenas economias insulares (PEI) em particular. Cabo Verde - PVD e PEI - carece de recursos naturais, humanos e financeiros, pelo que o seu processo de desenvolvimento tem sido fortemente dependente da ajuda pública ao desenvolvimento (APD). Igualmente, a sua escolha de estratégia de desenvolvimento é reduzida, situando-se a opção entre ilhas de suor, ilhas-refúgio (de capitais), ilhas-paraíso (fiscais), ilhas-serviços (téleporto), ilhas-terreno de jogos, conforme assinala Lesourd (1995), Pode efectivamente o país fazer uma escolha? A mesma far-se-á fora do contexto da APD? O estudo da ciência económica referente às PEI afigura-se como uma contribuição original à economia espacial, pois, não se trata de localização das firmas, mas de determinar o impacto de uma situação geográfica sobre uma dinâmica macro-económica. Nestes sentido, o estudo da dinâmica das PEI visa compreender em que medida a sua tripla especificidade física (insularidade, exiguidade e isolamento) é explicativo de uma trajectória económica singular. Assim, a origem da problemática das PEI situa-se, geralmente, na relação espaço/desenvolvimento. O determinismo geográfico está, para muitos autores, no centro das limitações das PEI, fazendo, uma apologia da economia espacial, em detrimento da economia do desenvolvimento. Todavia, no quadro de um crescimento condicionado por factores limitativos, vai-se desenvolvendo uma eventual abordagem teórica que tem em comuum a passagem obrigatória pelo mercado, quer pela natureza do produto exportado, quer pelo tipo de renda recebida. Com efeito, a lógica das PEI obedece, possivelmente, a factores económicos situados fora do mercado o que impede que seja exactamente o mercado o fundamento da sua teorização, sobretudo para aquelas cujas forças motrizes repousam nas transferências do exterior, condicionando, deste modo, o consumo, o investimento, a procura e a renda. Nesta perspectiva, Cabo Verde afigura-se como um caso paradigmático de uma "economia de transferência".
Autores principais:Ramos, Albertino dos
Assunto:Cabo Verde Ajuda externa Desenvolvimento económico Pequena economia insular Transição económica Economia de transferência Cape Verde Foreign aid Development economic Small economy island Economic transition Economy of transfer
Ano:1998
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A cooperação para o desenvolvimento constitui uma das determinantes mais importantes do desenvolvimento económico e social dos países em desenvolvimento (PVD) em geral e das pequenas economias insulares (PEI) em particular. Cabo Verde - PVD e PEI - carece de recursos naturais, humanos e financeiros, pelo que o seu processo de desenvolvimento tem sido fortemente dependente da ajuda pública ao desenvolvimento (APD). Igualmente, a sua escolha de estratégia de desenvolvimento é reduzida, situando-se a opção entre ilhas de suor, ilhas-refúgio (de capitais), ilhas-paraíso (fiscais), ilhas-serviços (téleporto), ilhas-terreno de jogos, conforme assinala Lesourd (1995), Pode efectivamente o país fazer uma escolha? A mesma far-se-á fora do contexto da APD? O estudo da ciência económica referente às PEI afigura-se como uma contribuição original à economia espacial, pois, não se trata de localização das firmas, mas de determinar o impacto de uma situação geográfica sobre uma dinâmica macro-económica. Nestes sentido, o estudo da dinâmica das PEI visa compreender em que medida a sua tripla especificidade física (insularidade, exiguidade e isolamento) é explicativo de uma trajectória económica singular. Assim, a origem da problemática das PEI situa-se, geralmente, na relação espaço/desenvolvimento. O determinismo geográfico está, para muitos autores, no centro das limitações das PEI, fazendo, uma apologia da economia espacial, em detrimento da economia do desenvolvimento. Todavia, no quadro de um crescimento condicionado por factores limitativos, vai-se desenvolvendo uma eventual abordagem teórica que tem em comuum a passagem obrigatória pelo mercado, quer pela natureza do produto exportado, quer pelo tipo de renda recebida. Com efeito, a lógica das PEI obedece, possivelmente, a factores económicos situados fora do mercado o que impede que seja exactamente o mercado o fundamento da sua teorização, sobretudo para aquelas cujas forças motrizes repousam nas transferências do exterior, condicionando, deste modo, o consumo, o investimento, a procura e a renda. Nesta perspectiva, Cabo Verde afigura-se como um caso paradigmático de uma "economia de transferência".