Publicação
Utilização de produtos sanguíneos em medicina transfusional felina
| Resumo: | Contexto: A terapia transfusional é uma prática cada vez mais frequente em medicina veterinária. Apesar da sua crescente realização, pouca informação existe acerca da utilização de produtos sanguíneos na prática clínica, especialmente no que respeita a espécie Felis catus. Objetivos: 1) Analisar o tipo de produtos sanguíneos de gato requisitados; 2) Avaliar as indicações para transfusão de eritrócitos (TE) e a sobrevida pós-transfusional; 3) Avaliar a eficácia da transfusão de plasma fresco congelado (PFC) no tratamento de panleucopénia felina. Materiais e Métodos: Estudo retrospetivo, baseado em produtos sanguíneos provenientes do Banco de Sangue Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa. 1) Consulta dos registos de vendas (2009-2012); 2) Registos clínicos de 41 gatos submetidos a TE (2011-2013); 3) Sobrevida de 20 gatos com diagnóstico presuntivo de panleucopénia felina, metade dos quais sujeitos a transfusão de PFC (2011-2013). Resultados: 1) No período de 2009 a 2012, a requisição de produtos sanguíneos aumentou constantemente, tendo-se verificado um aumento gradual da requisição de componentes sanguíneos em detrimento de sangue total; 2) As principais indicações para TE foram a anemia não regenerativa (22/41) e causas infeciosas (21/41). As taxas de sobrevivência mais elevadas registaram-se em casos de anemia por causas imunomediadas (100%) e traumáticas (100%). As taxas de sobrevivência às 24 horas pós-transfusão e aquando da alta hospitalar foram de 85 e 60%, respetivamente. Aparentemente a mortalidade observada não se deveu à ocorrência de reações transfusionais. Observou-se uma relação significativa entre o hematócrito (Ht) pós-transfusional / variação do Ht (Ht pós-transfusional – Ht pré-transfusional) e a sobrevivência (p<0.05); 3) A mortalidade da panleucopénia felina foi superior no grupo não sujeito a transfusão (7/10 vs. 3/10). Não foi encontrada uma relação significativa entre a transfusão de PFC e a sobrevida, no entanto, aproximou-se do limiar de significância (p=0.07). Conclusões: A terapia de componentes sanguíneos é cada vez mais frequente. A TE é bem tolerada e aparenta ser eficaz em gatos anémicos, podendo aumentar a probabilidade de sobrevivência. Os resultados da avaliação da eficácia do PFC no tratamento de panleucopénia felina parecem ser positivos, no entanto, são necessários estudos adicionais para esclarecer a sua eficácia. |
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| Autores principais: | Ferreira, Catarina Carvalho |
| Assunto: | Produtos sanguíneos Transfusão de eritrócitos Transfusão de plasma fresco congelado Panleucopénia felina Gato Blood products Red blood cell transfusion Fresh frozen plasma transfusion Feline panleukopenia Cat |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Contexto: A terapia transfusional é uma prática cada vez mais frequente em medicina veterinária. Apesar da sua crescente realização, pouca informação existe acerca da utilização de produtos sanguíneos na prática clínica, especialmente no que respeita a espécie Felis catus. Objetivos: 1) Analisar o tipo de produtos sanguíneos de gato requisitados; 2) Avaliar as indicações para transfusão de eritrócitos (TE) e a sobrevida pós-transfusional; 3) Avaliar a eficácia da transfusão de plasma fresco congelado (PFC) no tratamento de panleucopénia felina. Materiais e Métodos: Estudo retrospetivo, baseado em produtos sanguíneos provenientes do Banco de Sangue Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa. 1) Consulta dos registos de vendas (2009-2012); 2) Registos clínicos de 41 gatos submetidos a TE (2011-2013); 3) Sobrevida de 20 gatos com diagnóstico presuntivo de panleucopénia felina, metade dos quais sujeitos a transfusão de PFC (2011-2013). Resultados: 1) No período de 2009 a 2012, a requisição de produtos sanguíneos aumentou constantemente, tendo-se verificado um aumento gradual da requisição de componentes sanguíneos em detrimento de sangue total; 2) As principais indicações para TE foram a anemia não regenerativa (22/41) e causas infeciosas (21/41). As taxas de sobrevivência mais elevadas registaram-se em casos de anemia por causas imunomediadas (100%) e traumáticas (100%). As taxas de sobrevivência às 24 horas pós-transfusão e aquando da alta hospitalar foram de 85 e 60%, respetivamente. Aparentemente a mortalidade observada não se deveu à ocorrência de reações transfusionais. Observou-se uma relação significativa entre o hematócrito (Ht) pós-transfusional / variação do Ht (Ht pós-transfusional – Ht pré-transfusional) e a sobrevivência (p<0.05); 3) A mortalidade da panleucopénia felina foi superior no grupo não sujeito a transfusão (7/10 vs. 3/10). Não foi encontrada uma relação significativa entre a transfusão de PFC e a sobrevida, no entanto, aproximou-se do limiar de significância (p=0.07). Conclusões: A terapia de componentes sanguíneos é cada vez mais frequente. A TE é bem tolerada e aparenta ser eficaz em gatos anémicos, podendo aumentar a probabilidade de sobrevivência. Os resultados da avaliação da eficácia do PFC no tratamento de panleucopénia felina parecem ser positivos, no entanto, são necessários estudos adicionais para esclarecer a sua eficácia. |
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