Publicação
Caracterização do atendimento urgente ao doente oncológico paliativo
| Resumo: | Introdução: O atendimento urgente ao doente oncológico paliativo (DOP) tem sido alvo de estudo pela perceção empírica da sua inadequação. Em Portugal, pela escassez de trabalhos nesta área, o panorama é largamente desconhecido. Objetivos: Com o propósito de melhorar a prática assistencial diária num serviço de Oncologia, foi proposto a realização de um estudo piloto com o objetivo de caracterizar o atendimento urgente ao DOP inferindo se possível a adequação do mesmo. Material e Métodos: Estudo observacional, descritivo, retrospetivo, unicêntrico, com amostra casual sistemática correspondente a todos os doentes seguidos em Oncologia por tumores sólidos, falecidos nos primeiros 6 meses do ano de 2015 reunindo critérios estabelecidos de doença paliativa. Analise por estatística descritiva e inferencial. Resultados: 105 casos foram analisados, 97 cumprindo os critérios de inclusão; 64% do sexo masculino (n=62), média de idades de 66.2 anos (DP=11,9 anos), num escalão etário maioritário 66-70 anos (19.6%), Performance Status (PS) mediano de 3. Com 406 episódios de atendimento urgente (AU) nos 6 meses prévios ao óbito numa média de 4.18 episódios por doente e 115 episódios de urgência nas 2 semanas anteriores (2SAM) com uma média de 1.18 episódios por doente. 73% dos casos foram abordados em Serviço de Urgência (SU). As neoplasias primárias mais frequentes: pulmão (27.8%), colon (10.3%) e mama (10.3%); 94% dos casos em estádio IV. Nas 2SAM, o transporte foi assegurado em 54.8% dos casos pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os motivos de admissão mais frequentes neste período: Dispneia (26.4%), Alteração do estado de consciência (21.9%) e Astenia (12.8%). Os diagnósticos mais prevalentes: Progressão de doença (34.6%), Pneumonia associada a cuidados de saúde (21.8%). As atitudes terapêuticas mais frequentes foram o controlo de sintomas (35.9%) e antibioterapia (32%). O local de óbito mais frequente foi o meio hospitalar (87.6%), destes 70.6% no internamento (com um tempo médio de 8.9 dias DP=10.19), e 25.6% em SU. 57.7% dos doentes encontravam-se sob terapêutica ativa no mês que precedeu o óbito. A estatística inferencial não mostrou dados significativos. Conclusões: Estes resultados devem fazer refletir acerca da adequação dos atos praticados nos doentes oncológicos em fim de vida. Os achados remetem-nos ainda para uma critica ética e psico-social assim como à importância do desenvolvimento de cuidados paliativos de proximidade. São necessários estudos subsequentes, de maior envergadura que validem, aprofundam e generalizem estes achados. |
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| Autores principais: | Pereira, Bernardo Tomé Pinto, 1983- |
| Assunto: | Caracterização Atendimento urgente Atendimento emergente Doente oncológico Cuidados paliativos Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: O atendimento urgente ao doente oncológico paliativo (DOP) tem sido alvo de estudo pela perceção empírica da sua inadequação. Em Portugal, pela escassez de trabalhos nesta área, o panorama é largamente desconhecido. Objetivos: Com o propósito de melhorar a prática assistencial diária num serviço de Oncologia, foi proposto a realização de um estudo piloto com o objetivo de caracterizar o atendimento urgente ao DOP inferindo se possível a adequação do mesmo. Material e Métodos: Estudo observacional, descritivo, retrospetivo, unicêntrico, com amostra casual sistemática correspondente a todos os doentes seguidos em Oncologia por tumores sólidos, falecidos nos primeiros 6 meses do ano de 2015 reunindo critérios estabelecidos de doença paliativa. Analise por estatística descritiva e inferencial. Resultados: 105 casos foram analisados, 97 cumprindo os critérios de inclusão; 64% do sexo masculino (n=62), média de idades de 66.2 anos (DP=11,9 anos), num escalão etário maioritário 66-70 anos (19.6%), Performance Status (PS) mediano de 3. Com 406 episódios de atendimento urgente (AU) nos 6 meses prévios ao óbito numa média de 4.18 episódios por doente e 115 episódios de urgência nas 2 semanas anteriores (2SAM) com uma média de 1.18 episódios por doente. 73% dos casos foram abordados em Serviço de Urgência (SU). As neoplasias primárias mais frequentes: pulmão (27.8%), colon (10.3%) e mama (10.3%); 94% dos casos em estádio IV. Nas 2SAM, o transporte foi assegurado em 54.8% dos casos pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os motivos de admissão mais frequentes neste período: Dispneia (26.4%), Alteração do estado de consciência (21.9%) e Astenia (12.8%). Os diagnósticos mais prevalentes: Progressão de doença (34.6%), Pneumonia associada a cuidados de saúde (21.8%). As atitudes terapêuticas mais frequentes foram o controlo de sintomas (35.9%) e antibioterapia (32%). O local de óbito mais frequente foi o meio hospitalar (87.6%), destes 70.6% no internamento (com um tempo médio de 8.9 dias DP=10.19), e 25.6% em SU. 57.7% dos doentes encontravam-se sob terapêutica ativa no mês que precedeu o óbito. A estatística inferencial não mostrou dados significativos. Conclusões: Estes resultados devem fazer refletir acerca da adequação dos atos praticados nos doentes oncológicos em fim de vida. Os achados remetem-nos ainda para uma critica ética e psico-social assim como à importância do desenvolvimento de cuidados paliativos de proximidade. São necessários estudos subsequentes, de maior envergadura que validem, aprofundam e generalizem estes achados. |
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